Projeto Elevar agrada usuários especiais

Marcelo Molina caminha com dificuldade com a sua bengala

Dez veículos adaptados rodam 42 mil quilômetros por mês nas ruas de Piracicaba

Durante trabalho para retirar um pedaço de árvore com sua raiz em uma calçada, Marcelo Molina tropeça, cai e bate o lado direito da cabeça nesta árvore. Sofre um AVC e tem todo o lado esquerdo de seu corpo paralisado. Desde o acidente, há três anos, Molina faz duas sessões semanais de fisioterapia. Dependente do transporte público, a prefeitura de Piracicaba oferece um veículo adaptado, mais precisamente uma van, que transporta Molina e mais de 382 pessoas com necessidades especiais, em sua maioria cadeirantes. Hoje, com 37 anos, pai de sete filhos, Molina mora com os pais e irmãos e recebe do governo auxílio de um salário mínimo. Com a ajuda de seu irmão, já consegue andar com muleta e sente-se melhor a cada sessão de fisioterapia. Diz que logo voltará a vender melancia com o caminhão deixado de herança pelo pai. “Por muito tempo ajudei meu pai a vender melancia. Espero em breve retornar com esse trabalho”, disse Molina.

Paulo Prates, secretário de transportes ao lado de ônibus adpatado.

O Projeto Elevar conta com dez veículos que faz 310 viagens diárias e rodam 42 mil quilômetros por mês. O programa teve início em 1999 com três veículos e hoje, 12 anos após, conta com dez carros. Paulo Prates, secretário municipal de Trânsito e Transportes, informa que o Projeto Elevar prioriza atender assuntos de saúde, trabalho e educação dessas pessoas. Para o lazer não atende, pois ainda existe uma fila com 32 pessoas, que segundo Prates, é pequena comparada a outros municípios.  Neste caso o transporte público coletivo com 208 veículos, 50 têm elevador para atender pessoas com necessidades especiais e da terceira idade com dificuldades em subir degraus. Prates informa que até 2014, 100% da frota terá que ser adaptada com elevador ou plataforma, segundo lei federal n° 10.098. Ele afirma que Piracicaba atenderá a exigência antes desta data.

O problema em usar o transporte coletivo é que nem todos os motoristas estão preparados para atender esse público. Para Maria de Lourdes dos Santos, 47, moradora do bairro Bessy, utilizar o ônibus nem sempre é agradável.  Ela possui distrofia muscular. Percebeu o problema quando tinha 15 anos e hoje tem suas pernas paralisadas. Segundo Maria, em seu bairro nem sempre os ônibus adaptados passam nos horários programados, já chegou a desistir depois de horas de espera. E quando chegam, precisa contar com a sorte de que o motorista seja preparado para atender. “Tem motoristas desagradáveis e despreparados”, afirma, “diferente do (Projeto) Elevar que também utilizo e não tenho do que reclamar”, relata Maria.

Segundo Vanderlei Quartarolo, diretor de transporte de Piracicaba, o treinamento dos motoristas para ônibus urbanos é de responsabilidade das empresas. Se houver falhas por parte dos motoristas, os passageiros podem denunciá-los no Serviço de Atendimento Público no número 156.

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Fábio Mendes

Fotógrafo e amante de histórias.

2 comentários em “Projeto Elevar agrada usuários especiais

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