7º AfroPira recebe religiões africanas no Dia da Consciência Negra

O espaço religioso do 7º AfroPira contou com a presença de representantes das religiões Umbanda, Candomblé e Jurema, de descendência africana. O evento ocorreu no Engenho Central de Piracicaba no último dia 20 de novembro, para celebrar o Dia da Consciência Negra.

De acordo com Mam’etu Yademaza, representante da Jurema, a religião é indígena e considerada uma “Umbanda primitiva”, originárias das regiões norte e nordeste do Brasil. “Nós cultuamos entidades, mestre e mestras de Jurema. Temos nosso guardião, Malunguinho e os caboclos. Cultuamos também as outras entidades que tem dentro da Umbanda”.

Materiais utilizados na Jurema | Foto: Letícia Azevedo

No 7º AfroPira, o Candomblé foi representado por Tate’tu Nkosile. Ele explica que a religião foi trazida por escravos e se dividiu em algumas nações como Angola, Ketu, Nagô e Jeje. “Muitos pensam que o Exú é o demônio da nossa religião, mas na verdade ele é como o Santo Antônio dos católicos. O Candomblé também possui Ogun, que é o orixá do caminho;  Oxossi, da fartura;  Oxum, das águas doces;  Iemanjá, mãe de todas as cabeças; Oxalá, pai de todos;  Iansã, orixá dos raios, ventos e tempestade, entre muitos outros. Cada nação cultua suas divindades”, explica.

Mam’etu Yademaza, da Jurema | Foto: Bianca Martim

A Umbanda, por sua vez, é brasileira e cultua as entidades sintetizadas como santos católicos. De acordo com Pai Seba, a religião é, infelizmente, resultado da violência aos negros durante o período de escravidão.

“Cultuamos a Iemanjá, que é a Nossa Senhora da Conceição e Ogum, que representa o Santo Antônio. Acreditamos na representação destes santos católicos porque, antigamente os negros eram açoitados caso cultuassem santos diferentes do cristianismo”, explica Pai Seba.

A religião Jurema utiliza fumaça para energização do ambiente. “Para nós, a fumaça é primordial para tudo que vamos fazer, seja na abertura ou durante os trabalhos de Jurema. Fazemos toda a energização de limpeza e atração de energias positivas com cachimbo. A fumaça é composta de ervas brancas que são positivas, pois o objetivo é cuidar da pessoa e fazer com que ela tenha um equilíbrio espiritual. Além da fumaça do cachimbo é feito o benzimento com as maracas, incenso de ervas e as mãos”, afirma Mam’etu Yademaza.

Diferente das outras, o Candomblé não trabalha com consultas de entidades. “Nós recebemos os Orixás que vêm energizar a casa, limpar o filho de santo. Então quem está no ambiente pega essa energia do Orixá que está em terra. Para saber o que o Orixá quer nos dizer nós temos os búzios para isso”, explica Tate’tu Nkosile.

Na Umbanda, Pai Seba conta que sua casa é regida por Maria Padilha uma pomba gira e rainha do Candomblé. “Vivo dessa entidade há 33 anos com casa aberta e faço meus atendimentos com ela”, finaliza.

Foto: Bianca Martim

Texto: Letícia Azevedo e Bianca Martim

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