A cultura piracicabana descrita pelo diretor da Paixão de Cristo

João Scarpa atual diretor da Paixão de Cristo e também ator da popular peça “As três Marias em busca do ponto G” deu entrevista ao site Sou Repórter e conta suas experiências em mais de 20 anos de carreira. Scarpa atuou em mais de 20 espetáculos e dirigiu 15 peças.

Em sua entrevista João destaca os obstáculos que a cultura teatral vem sofrendo, a diferença de atuar no cinema e no teatro, e conta também a importância de ser diretor da peça mais tradicional da cidade.

Sou Repórter: O teatro contemporâneo, ou seja, aquele teatro não comercial tem sido visto pela população Piracicabana?

João Scarpa: O Termo “contemporâneo” não se aplica necessariamente ao teatro não comercial, mas, sim, á vertente teatral atual da época em que vivemos. A maioria das peças comerciais conseguem sobreviver graças aos editais e as leis de incentivo. O público pagante de Piracicaba prefere assistir aos espetáculos comerciais com atores famosos.

Sou Repórter: Qual a diferença de atuar no cinema e no teatro?

João Scarpa: A diferença esta na “expansividade” das intenções, no teatro você tem que exagerar no gestual e no volume de voz (quando se trata de espetáculos para palco italiano), para atingir o público, é mais “out”. No cinema é ao contrário, tem que ser mais contido porque a câmera busca suas intenções mais interiores e externiza isso ao público, como em um zoom.

Sou Repórter: Quais são os maiores obstáculos que a cultura piracicabana sofre atualmente?

João Scarpa: Não só em Piracicaba, mas no Brasil em geral. Falta um olhar mais atencioso do poder público em relação aos moldes das leis de incentivo, que fica nas mãos dos gerentes de marketing das empresas patricionadoras. Falta um olhar mais atencioso por parte do público que se interessa em ver o que a mídia impõe, colaborando para a degradação cultural e dos valores morais.

Sou Repórter: Há três anos você dirige “A Paixão de Cristo” que é vista pela  maioria do público aqui em Piracicaba, qual é a maior responsabilidade em dirigir um espetáculo dessa importância?

João Scarpa: Dirigi a Paixão de Cristo por três anos, digo que meu crescimento foi maior como ser humano do que como artista. O espetáculo já tem uma grandeza adquirida nesses 23 anos de existência, então, a responsabilidade é manter essa grandeza imprimindo suas características, além de ter que conduzir um elenco de mais de 300 pessoas com carinho e respeito.

Sou Repórter: Pra você, qual é a importância do teatro para crianças e adolescentes?

João Scarpa: O teatro ajuda na autoestima e no desenvolvimento intelectual, além de proporcionar facilidade na integração social, porém, acredito que não deva ser usado como terapia, isso tudo deve ser consequência da força da arte na nossa vida.

Sou Repórter: O teatro realmente ajuda a se expressar melhor, ter mais controle dos movimentos e dos sentimentos?

João Scarpa: Sim ajuda! Desde que a pessoa sinta-se motivada a ter essa vivência teatral, não podemos impor essa vivência achando que vai resolver os problemas comportamentais da pessoa. Repito, teatro é arte, não terapia, pode até ajudar em alguns casos, mas não deve ser o foco da Vicência teatral.

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Jamile

Jamile Ferraz, 19 anos.

Um comentário em “A cultura piracicabana descrita pelo diretor da Paixão de Cristo

  • 9 de julho de 2012 em 22:42
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    Obrigado pela consideração. Grande abraço!

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