A educação trabalhada a partir da igualdade de direitos

Com o tema “Outra educação é possível”, a professora e escritora Luana Tolentino tratou das possibilidades de projetos educacionais que dialoguem com a vida de crianças e adolescentes negros, indígenas, quilombolas e periféricos. A palestra foi realizada no Anfiteatro do Sesc Piracicaba na última sexta-feira (22/11) e teve a mediação da professora piracicabana Marcia Maria Antonio.


A palestra fez parte do projeto “Do 13 ao 20 – (Re)Existência do Povo Negro”, do Sesc São Paulo, que teve como intuito fazer denúncias contra o racismo e o preconceito persistentes na sociedade. Ao incorporar o programa, a unidade de Piracicaba do Sesc se propôs a oferecer um espaço de debate para a população da cidade e região.

Professora e escritora Luana Tolentino discute sobre racismo no SESC de Piracicaba. Foto: Ricardo Ferreira


A professora, que foi vítima de preconceito racial viralizou nas redes sociais após relatar o caso, Luana caminhava pela rua quando foi abordada por uma senhora branca que perguntou se ela fazia faxina. O post teve mais de 2 mil compartilhamentos. No texto, ela fala sobre como o preconceito contra negros é enraizado na sociedade.


“No imaginário social está arraigada a ideia de que nós negros devemos ocupar somente funções de baixa remuneração e que exigem pouca escolaridade. Quando se trata das mulheres negras, espera-se que o nosso lugar seja o da empregada doméstica, da faxineira, dos serviços gerais, da babá, da catadora de papel”, escreveu.


A necessidade de trazer representatividade para o ambiente escolar está prevista desde 2003, quando entrou em vigor a Lei nº 10.369. O dispositivo prevê a inclusão do ensino sobre história e cultura afro-brasileira no ensino fundamental e médio nas escolas públicas e particulares, temática que nem sempre é abordada pelos professores em sala de aula. Tolentino falou justamente sobre os desafios da sociedade para as minorias e importância da inserção de temáticas sobre elas no sistema educacional.

“A superação das desigualdades de gênero e raça é um dos maiores desafios da contemporaneidade. Como parte integrante da sociedade, a escola tem um papel importantíssimo no processo de enfrentamento e de combate às práticas preconceituosas e discriminatórias que oprimem as mulheres, a comunidade negra, os indígenas e demais grupos minoritários” disse Luana sobre importância de pautar o racismo.

Luana Tolentino atualmente é professora de história da rede pública de Minas Gerais e mestre em Educação pela Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto), mas já trabalhou como babá, faxineira e empregada doméstica. Ela é autora da obra “Outra educação é possível” em que resume seus dez anos de experiência como professora da rede pública de ensino e compartilha práticas contra o racismo, machismo e outros preconceitos.

Texto: Gabriel Cupido e Lucas Almeida

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