A mecanização sobrepondo a necessidade de aperfeiçoamento no campo

A mecanização das atividades desde a revolução industrial no século XVIII, contribuíram para o aperfeiçoamento da produção no campo. No atual cenário econômico do Brasil, o setor agrícola mesmo com queda, representa cerca de 25% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. O homem que antes era dependente da mão de obra humana ganhou ares totalmente adversos e começou a utilizar dos novos recursos para impulsionar a sua produtividade.

A revolução sobretudo, transfigurou a face da sociedade mundial. O sistema de produção deixou de ser agrário e/ou artesanal e passou a ser industrial. Os impactos sociais na vida dos trabalhadores foram em larga escala ambíguos, pois os laços do convívio social se atrelou a subsistência e a dependência dos detentores capitalistas.

Para Márcio Leite, bacharel em Ciências Políticas e Pós-graduado em Sociologia pela Universidade de Campinas (UNICAMP) o processo de restruturação fundiária parte de uma relação onde o produtor era indispensável no processo produtivo para a obsolescência, tornando-o dispensável dos meios de subsistência.

“Há uma produção cada vez mais abundante que se encontra diretamente relacionada ao acumulo de riquezas nas mãos dos proprietários de terras e máquinas, em contrapartida ao mesmo tempo que se amplia o número de camponeses sem meios materiais de sobrevivência”, afirma Márcio.

A evolução da agricultura teve um importante avanço após a Segunda Guerra Mundial, conhecida como Revolução Verde que a partir de um conjunto de medidas e elaborações técnicas que baseava no melhoramento genético nas plantas, auxiliares e o uso de máquinas no campo, afim de ampliar a produção de alimentos.

Um exemplo de tecnologia modelo na agricultura moderna é o uso de colheitadeiras, tratores, caminhões e semeadeiras que ao longo da história no campo, apresentou avanços na produção. Em consequência da mecanização, o setor de comercialização de tecnologias, tornou-se um mercado atrativo e milionário. A máquina não substitui a inteligência humana, mas é dada como um complemento, assim o uso da tecnologia é necessário para a sobrevivência humana.

Em visita à fábrica da Case IH em Sorocaba-SP promovida pela ABAG/RP, pode ser notado que há uma assistência que antecede a compra do produto pelo cliente e um sistema pós-venda, onde é trabalhado a qualidade, o uso do equipamento e suas funções com base em cursos e palestra elaboradas pela empresa.

Máquina Case IH de alta eficiência o

Máquina Case IH de alta eficiência. (Foto: Vinícius Queiroz)

A mecanização alterou a forma de trabalho no campo. Quem antes trabalhava com a cultura de cana-de-açúcar utilizando-o serviços braçais; os conhecidos cortadores de cana e/ou boias frias, hoje controla máquinas caras e com uma exigência de conhecimento abragente.

Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura

O cenário rural do Brasil é grandioso, segundo o ex-ministro Roberto Rodrigues “a produção cresceu cerca de 234% entre o período de 1990/1991 a 2013/2014, enquanto a área registrou um aumento de 50%. O que faz do Brasil uma potência invejável e admirável lá fora”.

O desenvolvimento econômico propiciado pelo salto do agronegócio no Brasil, serviu de base para o crescimento de pequenos e médios produtores, mas é ressalta-se que o mercado afunila a detenção de capitais. A produção de commodities, as oleaginosas, principalmente soja em que o Brasil é o segundo maior exportador mundial ajuda a garantir um continuo Superávit comercial.

Para o professor adjunto da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e Economista do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), João Cláudio Cavalcante de Oliveira Lima a inovação na agricultura depende da existência de um arcabouço institucional que seja capaz de gerar conhecimento e oportunidades de cunho tecnológico.

“Houve uma modernização da produção agropecuária, muito calcada na mecanização que colocou o Brasil no centro do cenário mundial nesses últimos 40 anos”, afirma João Cláudio.

Aquela imagem de homem da roça, bem caipira com postura retratada emj contos e estórias infantis se perdeu com o tempo. A tradição caipira se manteve, mas a mecanização sobrepôs a necessidade de modernização do homem rural. A consequência foi a necessidade de aperfeiçoamento e aprendizagem para lidar com as novas tecnologias e suas funções.

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