Abbadia de Souza Nobre: realizando o sonho de voar

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Por Ariane Precoma com Isabela Borghese

Um voo de balão, este era o desejo da Sra. Abbadia de Souza Nobre, quando após uma tarde em seu quintal, pôde observar e acenar de tão perto para um. “Eu achei… iii meu Deus do céu, se eu estivesse lá em cima”, nos contou com um sorriso.

Após um ano, em comemoração ao aniversário, o filho Amauri Vieira Nobre resolveu presenteá-la. Foi na manhã de cinco de novembro, um sábado de céu azul e vento gelado que Dona Abbadia ao lado da neta Ana Luisa, realizou o desejo de voar de balão, aos 87 anos.

O voo estava marcado para as 7 da manhã com uma hora de duração. A senhora de cabelos lilás foi uma das últimas pessoas, dentre as 14 que voaram naquele dia, a chegar. Acompanhada dos filhos, cunhada e da neta Ana Luisa que voaria também, chegou animada e esbanjando coragem. Ana Luisa confessou: “eu estava com muito medo. Minha avó mais velha que eu parecia que já tinha andado de balão, não estava nem um pouquinho com medo. Já eu, estava com medo por mim e por ela”.

Logo que ela chegou, Isabela Borghese e eu fomos falar com Abbadia, que preferiu deixar o papo para depois do voo, afinal, ainda não teria nada a nos contar. No entanto, explicamos que estávamos ali para registrar cada momento daquela experiência. Com muita simpatia nos contou como surgiu a ideia do voo e nos chamou para acompanhá-la até o balão.

No carro, a caminho de onde o balão estava sendo preparado, Abbadia nos expôs a expectativa, voar lentamente como um pássaro. A expressão de satisfação estava presente na face quando chegamos ao local e ela pôde enfim ver o balão, “Nossa, que beleza” foram as únicas palavras.

A família acompanhou de perto toda a preparação e com a ajuda da equipe de balonismo, Abbadia subiu no balão. 6h55: era chegada a hora do passarinho bater asas, e como a “tripulação” já estava montada, eu e Isabela acompanhamos o voo por terra, junto à equipe.

A emoção e a sensação de quem estava lá em cima era o que esperávamos documentar após o voo com os participantes, em principal com a Sra. Abbadia. O que não imaginávamos é que teríamos também aventura por terra. Enquanto Abbadia voava, nós vivíamos os bastidores.

A princípio tudo estava calmo. Saímos de carro com duas das seis pessoas que compunham a equipe. Logo atrás de nós a caminhonete com o equipamento e o van que traria o pessoal de volta ao aeroclube.

No caminho, Gustavo Paes de Arruda, mais conhecido como Salsa, nos contou que entrou na equipe como voluntário, e como ocorriam a maioria dos voos. “As exigências são climáticas, tudo depende do tempo e do vento. Noventa por cento dos voos são pela manhã e aos finais de semana”, comenta.

Primeira parada, Ponte Pênsil. Lá a equipe para para descobrir a direção do vento – soltando uma bexiga no ar – e já inicia as primeiras coordenadas do pouso. Aproveitamos para fotografar o passeio de outro ângulo, sobretudo porque a paisagem ajudava e muito.

Próxima parada, indefinida. Já havia passado quase uma hora de voo e ainda não tínhamos previsão de onde seria o pouso, estávamos todos reféns do vento. A partir de então, começou a adrenalina. A comunicação entre os membros da equipe e o piloto era via rádio, e exatamente às oito horas e cinco minutos surge a primeira ideia de local para o pouso, um campo de futebol perto de uma igreja no bairro Pau Queimado.

O pouso ocorreu no mesmo bairro, entretanto, o vento não permitiu o primeiro local. Às 8h10 foi realmente definido, seria num canavial próximo. A correria e preocupação já tomavam conta da equipe que seguia por terra. O tempo era curto para se deslocarem até o local estipulado pelo piloto.

Nos últimos minutos que se seguiram a tensão foi intensa, quando a equipe chegou ao local o balão estava quase no chão. Três pularam do carro e saíram correndo pelo canavial e como não poderia ficar de fora dessa, corri fotografar. Exatamente às 8h15 o balão pousou.

O pouso ocorreu com segurança, o passeio terminou com o aplauso de todos. Após a chegada, o balão foi esvaziado com as pessoas ainda dentro. E então finalmente era chegada a hora de ouvir dona Abbadia, a senhora de 87 anos que acabava de realizar uma aventura tão desejada. “Foi maravilhoso, fora de toda a expectativa, delicioso. Nem senti frio, senti até calor por causa daquele fuuuuuuu”, comenta.

Perguntamos se sentiu medo. Nenhum, respondeu. E revelou que seu maior medo não é de altura e sim do mar, pois a imensidão da água lhe apavora. Já Ana Luisa revelou que sentiu medo desde o inicio. “Confesso que quando eu entrei na cesta do balão minhas pernas tremiam, mas quando via minha avó tranquila, rindo, ficava mais calma. Medo de altura não tenho mais.” (risos)

Abbadia, nascida no inicio do século 20, como ela mesma brinca, é natural de Penápolis e veio para Piracicaba após ficar viúva. Vive há 19 anos no Lar dos Velhinhos, fez faculdade para a 3ª idade aos 63 anos, e revela, que ainda assim esta experiência foi a mais diferente de todas que já viveu.

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Isabela Borghese

Aluna do 5º semestre de Jornalismo da Unimep . e-mail:isaborghese@gmail.com

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