Albergue Noturno de Piracicaba sobrevive de generosidade e caridade

 

Por conta do frio, os moradores de rua buscam ajuda no Albergue Noturno

Entrada do albergue noturno. Foto: Adelle Gebara

 

O Núcleo Espírita Vicente de Paula, Albergue Noturno de Piracicaba, localizado na rua Prudente de Moraes, 1900, fundado por Osmir Valle há aproximadamente 70 anos, hoje é dirigido pela presidente da entidade Teresinha Ott Valle. O local possui uma ampla área de acolhimento para os moradores de rua, com divisões de quartos e banheiros por gênero, possui um padrão do número de camas três individuais em cada cômodo, cozinha em perfeito estado de arrumação e higiene, pátio decorado com algumas flores, lavanderia externa e varal para que os moradores possam lavar e secar suas roupas.
O administrador Silvio, que já trabalha no albergue há três anos, explica como funciona a estadia dos que procuram abrigo no albergue: “a hora em que eles entram, fazemos o cadastro deles, apresentando a documentação. Em seguida, vão para a sala de guarda volume, onde deixam as bolsas e todos os seus pertences que ficam guardados lá. Para que possam se higienizar aqui e tomar um banho, um pijama, toalha e chinelo. Depois que eles tomam banho, eles dobram a roupa do corpo e colocam em uma mesa que tem aqui próximo da sala de guarda volume. Em seguida, vão até a pia, pegam o prato, o monitor põe a comida para eles e jantam. Depois de jantar, eles tem três opções: dormem direto, ficam aqui no pátio nesses bancos para bater um papo ou fumar um cigarro, enfim, trocar umas ideias, ou então podem vir lavar a roupa. No banheiro há um tanque e no pátio um varal onde colocam a roupa pra secar. Tem essa área coberta que também ajuda a secar a roupa até o outro dia de manhã. Pela manhã, por volta de umas 05h50min, o monitor os chama. Colocam as suas próprias roupas de volta e vão tomar um café antes de ir embora. Nada que pertence a eles fica aqui, tudo eles levam embora, porque não temos como guardar o material”. Geralmente, segundo Silvio, os moradores de rua permanecem três pernoites seguidas. Só podem retornar após 90 dias. Há exceções, como casos de pessoas que precisam passar em médico ou regularizar alguma documentação. A direção autoriza que eles fiquem mais três pernoites, apresentando, nessa circunstância, um comprovante.

Corredor dos cômodos masculinos. Foto: Adelle Gebara

No total, 33 pessoas podem ser abrigados no albergue, nove mulheres e 24 homens. Silvio relata que nem sempre há lotação, mas nesse período de frio é mais procurado. Ele enfatiza de que não misturam as mulheres com os homens, sempre arrumam um jeito de colocar mais colchões no chão. A maioria dos moradores de rua que eles atendem é desempregada. Pela ficha, conta Silvio, que é possível controlar o número de vezes em que a pessoa esteve no albergue. Se a frequência é alta, geralmente a pessoa está desempregada ou até parada por vontade própria. Se conseguirem um emprego como pedreiro ou de carpir roça, não voltam mais. Se voltam, é depois de cinco anos aproximadamente. Nestes casos, presume-se que a pessoa esteve empregada por bastante tempo.
Sobre os possíveis problemas, Silvio conta que trabalha com uma assistente social, e que após as 19h00min ficam um monitor e o guarda municipal no local. Ele acrescenta de que o albergue é o quarto posto da guarda municipal, então sempre haverá um guarda todas as noites. O administrador relata que como o próprio regulamento adverte, eles conversam com as pessoas, assim não há muito problema. Dificilmente acontece alguma discussão, sempre tentam dialogar para que a pessoa permaneça. Mas se ela ignorar, como já houve casos, resolve ir embora. Às vezes alguém não quer dormir no quarto com determinada pessoa. Silvio explica que, neste caso, é opção da pessoa aceitar o que é oferecido ou ir embora.
De acordo com o regulamento a ser seguido, o albergue não acolhe alcoólatras, para evitar algum desentendimento. Entretanto, nesse período de frio, Silvio conta que veem a oportunidade de dar um atendimento diferenciado. O hóspede aguarda que todo mundo tome um banho, depois conversam com ele e o colocam em um quarto separado para não ter problema.
Ele informa de que Piracicaba possui a perua do Serviço Social do Comércio (SESC), que tem uma equipe preparada para fazer buscas em viadutos, praças ou onde há morador de rua. Caso algum vizinho faça uma reclamação de um morador, eles vão até o local buscá-lo e verificam se é de Piracicaba ou se é migrante. Quem é de Piracicaba passa por uma triagem onde é atendido por psicólogos e assistentes sociais. A coordenadora dialoga com o morador de rua para saber se é uma questão de emprego, doença, vício, analisar quanto tempo ele precisa para que possa retomar seu caminho. Os migrantes são atendidos na casa de passagem onde podem ficar um período maior de seis meses até que fiquem aptos para retomar sua vida.

Pátio do albergue noturno. Foto: Adelle Gebara

Nesse ano, Silvio nos informa que começou um atendimento em um consultório ambulante. Uma médica e um enfermeiro seguem nessa ambulância e consultam as pessoas de rua. Verificam as suas situações, vacinas e curativos. Piracicaba esta realizando um trabalho global. Em relação a outros municípios, um trabalho bem adiantado. Oferece no albergue, através da verba da prefeitura passagens rodoviárias para aquelas pessoas seguirem seus caminhos. Por ali passam os migrantes. Quem já é de Piracicaba, não vai sair do município. Este trabalho deve durar um ano. Está dependendo de verba para ter continuidade.
A outra administradora do albergue, chamada Juliana, que também trabalha há três anos, expõe que: “O que acontece com o morador de rua, todo mundo tem dó. Mas quando estão no seu portão querem, que o tirem logo dali. Tem pessoas que oferecem um prato de comida, desde que a pessoa vá embora logo, não o querem ali. Comerciantes, por exemplo, acham que atrapalham a freguesia”.
O Albergue Noturno funciona todos os dias e também são aceitas doações de roupas masculinas e femininas, produtos de higiene pessoal, roupas de cama e alimentos. Para obter mais informações o telefone é (19) 3432-5138 e e-mail para contato nucleoespirita2014@hotmail.com.

 

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Adelle Gebara

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