Alunos ficam sem aula devido à paralisação de professores

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O Dia dos Professores foi celebrado de uma forma diferente neste ano. Mais da metade – cerca de 60% do total de 11 mil alunos da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) – não teve aula em decorrência da manifestação dos professores por direitos trabalhistas. Entretanto, alguns docentes optaram por lecionar normalmente.

Diversas causas foram reivindicadas na interrupção do trabalho dos professores da Unimep no dia 15 de outubro. Entre elas, a falta de pontualidade no pagamento dos salários e a forma como a universidade tem enfrentado a crise econômica: penalizando o projeto pedagógico e institucional dos docentes, cortando verbas para o ensino, pesquisa e extensão. Por outro lado, a falta de aulas afetou diretamente os alunos.

No total, 109 professores de diversos cursos reuniram-se na Adunimep (Associação dos Docentes da Unimep), localizada no bloco 4 da instituição de ensino, campus Taquaral. A mobilização foi uma forma de todos expressarem descontentamento a respeito dos fatores que vêm ocorrendo, como principal o atraso de oito dias no recebimento dos salários.

“Não é a p10508339_773356466144142_251423130_n (1)rimeira vez que atrasam nossa remuneração. Nós já tivemos, tempos atrás, três problemas com pagamentos. Essa situação já chegou ao limite. Resolvemos comemorar o nosso dia com esse nível de consciência sobre nossa condição de trabalho”, contou Maria Thereza Miguel Peres, professora de economia e vice-presidente da Adunimep.

O protesto dividiu-se em dois períodos: manhã e noite. A organização, segundo Maria, foi mediante um comunicado transmitido aos educadores por e-mail. Eles foram instruídos para que fossem até as salas de aula, conversassem e explicassem aos alunos o motivo da ação e, posteriormente, se dirigissem à reunião.

De certa forma, alguns professores permaneceram neutros acerca da situação. “Meu professor de logística nos enviou um e-mail comunicando que não sabia se iria ser impedido ou não de lecionar. Ele passou de sala em sala verificando se estava tendo aula e disse que não tem uma posição fixa em relação aos acontecimentos, nem a favor nem contra”, contou Oswaldo Neto, estudante do 6º semestre de administração.

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Salas de aula vazias. Foto: Natália Pedrolli Marim

O universitário do 6º semestre de psicologia Guilherme Basso não recebeu nenhum comunicado sobre a falta de aulas. “Fui avisado através de amigos de outros cursos. Tínhamos só o conhecimento de que no período da manhã não teve aula. Porém, não estávamos totalmente cientes, sabíamos ‘por fora’. Mandei e-mail aos professores, mas nenhum deu um parecer sobre a situação. Ao chegar na Unimep, recebemos esclarecimentos sobre o porquê tudo isso está acontecendo e, em seguida, fomos dispensados”, contou.

Conforme uma pesquisa realizada com 30 discentes da universidade, apenas oito se posicionaram contra a paralisação e 22 concordaram. “Não sou a favor disso tudo, pois ‘lesa’ os alunos. Os professores deveriam reivindicar de outra forma, não nos afetando. Nós não temos nada a ver com isso”, argumentou Beatriz Martins, estudante do 2º semestre de direito.

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Estudante contrária à paralisação dos docentes. Foto: Natália Pedrolli Marim

Um dos motivos para o não consentimento de alguns alunos é o prejuízo ao conteúdo, que ficará atrasado. “A matéria que não deram hoje vão querer dar na próxima aula, junto com outros assuntos, acumulando-os”, afirmou Natália Gaspar, estudante do 2º semestre de direito.

Todavia, outros questionaram sobre o destino da verba da mensalidade escolar. “O protesto é justo. Estamos pagando a parcela da universidade, ao passo que os professores não estão recebendo seus salários. Para onde vai esse dinheiro? ”, indagou Roberta Gonçalves, estudante do 4º semestre de licenciatura de história.

“Os alunos têm que aderir a este movimento. A crise econômica da Unimep afeta as qualidades do ensino e dos professores, os quais muitos são mestres, doutores e se sentem desmotivados com esse atraso na remuneração. Ou seja, não é uma crise apenas dos docentes, e sim algo que engloba também o estudo”, opinou Luis Guilherme Taschini, estudante do 4º semestre de licenciatura de história.

RESULTADO – Segundo a Secretaria da Adunimep, foi reconhecida a necessidade de mais informações quanto a situação enfrentada pela Unimep que repercute nos professores e que, muitas vezes, afeta a qualidade do seu trabalho. Também, precisa-se de uma maior participação deles junto à associação, a fim de fortalecer cada vez mais a categoria.

De acordo com uma reflexão elaborada após o encontro no período da manhã, “a partir das discussões, os docentes presentes entenderam que é necessário a elaboração de um boletim curto e informativo para que eles possam acompanhar e tomar consciência quanto a realidade que os cercam”.

Em 21 de outubro, uma assembleia foi realizada que colocou os professores em Mobilização. O pagamento dos salários foi regularizado posteriormente.

RESPOSTA – a Reitoria da universidade alegou aos docentes que, devido à redução de verbas provenientes do governo ao Fies, a universidade perdeu 960 alunos, por isso o atraso do pagamento das remunerações.

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Natália Pedrolli Marim

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