Após incêndio família tenta se estabilizar

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Dona Neusa em meio ao que restou de seus pertences na casa incendiada (Foto: Gloria Cavagggioni)

Desde 1o de outubro deste ano, quando sua casa foi destruída por um incêndio, o ambulante Francisco Antônio dos Santos, 57 anos, e sua companheira Neusa Cândido vivem num único cômodo cedido por parentes.
O fogo destruiu o imóvel e todos os pertences do casal. O cachorro, Tatu, foi resgatado a tempo e hoje é o guardião da casa vazia. Sem condições de continuarem em sua residência, o ambulante, sua esposa e um filho de 32 anos portador de esquizofrenia foram acolhidos por parentes.
Passados cinquenta e um dias do incêndio, Dona Neusa e o marido moram num pequeno cômodo. O filho está internado na Casa de Saúde Bezerra de Menezes, hospital psiquiátrico em Rio Claro.
Olhando para o armário da cozinha, única parte da casa que não foi completamente destruída, a dona de casa mexe em alguns utensílios enquanto fala de coisas do dia a dia que agora lhe parecem distantes: atividades corriqueiras como cozinhar ou preparar um café. A rotina de Dona Neusa é “correr atrás da papelada”, como ela mesma diz.
Um seguro, oferecido pela CPFL e pago mensalmente através da conta de luz foi acionado. A senhora descreve uma longa lista de exigências e documentos providenciados a fim de receber algum dinheiro pelo sinistro. Segundo foi informada pela seguradora, seja qual for o dano, o valor máximo que receberão será de trinta mil Reais. Dona Neusa dispara: “Sou bocuda mesmo, não deixo nada do almoço para o jantar”, explicitando sua intenção de reivindicar seus direitos.
O laudo técnico elaborado pelo Instituto de Criminalística aponta: “O exame das partes remanescentes do incêndio, bem como a análise da propagação das chamas, revelaram que o fogo teve seu foco na parte anterior da residência, cujo local exato não foi possível precisar em função do elevado nível de queima. Também não foram observados vestígios que pudessem indicar, com segurança, as causas do incêndio, sendo possível que o mesmo tenha se iniciado por causas elétricas.”
Vizinhos que testemunharam o início do incêndio afirmam que o fogo veio de um poste de luz da CPFL. Um boletim de ocorrência foi feito, mas o delegado responsável pelo caso , procurado em diversas ocasiões, não foi encontrado para prestar mais informações.
Segundo a Assessoria de Imprensa da CPFL, não houve registro de incidência de incêndio na rede elétrica. “Atendendo pedido da Guarda Civil de Piracicaba, a CPFL Paulista enviou, no dia 1º de outubro de 2012, às 17h56, equipe de eletricistas para efetuar o desligamento, por motivo de segurança, de uma residência existente na rua Santa Cruz, nº 1410”, assegurou o Diretor de Comunicação Empresarial e Relações Institucionais, Francisco Carlos Medina.
A família conta hoje com a ajuda de parentes e amigos e o auxílio da Conferência Vicentina, entidade caritativa ligada à Igreja Católica, que se dispôs a doar o material necessário para a reconstrução da casa. O dinheiro do seguro será usado para pagar a mão de obra. Dona Neusa resume a situação: “ Diz que o dinheiro vem, mas quando?”

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