Após um ano, Prefeitura anuncia o fim do racionamento em Araras-SP

O reforço na captação de água do rio Mogi Guaçu é uma das principais ações do Plano de Metas da Prefeitura de Araras. Por décadas, eram retirados 220 litros por segundo, agora são retirados 340 litros por segundo. Com a captação do rio, as represas que abastecem a cidade, Herminio Ometto/Água Boa, Tambury/Santa Lúcia, tiveram seus estoques preservados. Estas ações foram responsáveis para que o Saema (Serviço de Água, Esgoto e Meio Ambiente de Araras) e a Prefeitura declarassem o fim do racionamento de água.

O racionamento foi implantado em outubro de 2014 e terminou em setembro deste ano. A cidade foi dividida em duas regiões. O rodizio acontecia dois dias na semana e a população chegou a ficar 36 horas sem água no período mais crítico da estiagem.

“Água: use, não abuse” trata-se do Plano de Metas criado pela Prefeitura Municipal de Araras e o Saema. O objetivo é reduzir o consumo de água para 25 milhões de litros diários. Além de conter medidas a curto prazo, que já foram realizadas, como o próprio racionamento, ampliação da fiscalização e aplicação de multas para o desperdício, desconto em conta para quem economizar água (abaixo de cinco mil litros).

A médio prazo, mas já em execução, acontece a implantação de 15 mil novos hidrômetros, substituindo equipamentos antigos e que geram perdas e desperdício de água. Já a longo prazo e ainda em análise, haverá a implantação de nova barragem em área ainda não definida, aumentando a capacidade de reserva do município e a construção de uma nova ETA – Estação de Tratamento de Água na região leste, visando minimizar o custo da distribuição de água.

Em dezembro de 2014, a represa Água Boa secou. Atualmente, está com 40% da sua capacidade preservada, ou seja, sem uso. A Hermínio Ometto, chegou a 8% do nível, hoje tem 90%. Já a Tambury, que chegou a 5%, hoje está com 90% da sua capacidade preenchida.

Represas, consecutivamente, Água Boa, Heminio Ometto, Tambury
Represas de Araras, consecutivamente, Água Boa, Hemínio Ometto, Tambury. Foto: Sidnei Louzã/Saema

“Agora faço de tudo para reutilizar a água. Armazeno a água das chuvas e reutilizo da máquina de lavar”, diz a aposentada Dirce Zago. Mesmo com as dificuldades enfrentadas durante o racionamento, os moradores concordam que o melhor seria a continuação. “As pessoas vão voltar a gastar água como antes. Não vai servir de nada esse tempo todo com a água racionada. O melhor seria continuar, assim, economizariam mais”, diz o aposentado José Lopes.

entrevistados
Dirce Zago e José Lopes, moradores da cidade de Araras. Foto: Maria Rita Zuliani

Segundo o presidente do Condema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Araras), Wanderleim Geraldo Júnior, a população não dispõe de informações apoiadas em números e dados técnicos, por esse motivo, acabam optando pela continuidade do racionamento. Porém o Condema concorda com as decisões da Prefeitura apoiado nos dados acima citados e que, segundo ele, mostram que há lastro para experimentar um período sem racionamento.

O uso racional da água deve continuar. Caso seja necessário, segundo Felipe Beloto, presidente do Saema, não estão descartadas medidas para combater o desperdício e até mesmo o fim do racionamento pode ser temporário. A prefeitura ainda alerta para ações simples, mas que ajudam muito: banhos curtos de no máximo de 5 minutos, reutilizar água de chuveiro e da máquina, armazenar água na chuva, varrer o quintal ao invés de levar.

Na coletiva de imprensa realizada no dia 25 de setembro, o prefeito Nelson Dimas Brambilla afirmou que os cidadãos saem mais forte da experiência vivida, pois, segundo ele, é necessário fazer uso racional dos recursos naturais, principalmente, da água. O prefeito também conta com a colaboração da população para usar a água com responsabilidade para manter o abastecimento pleno do município.

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