Aposentadoria: quando ela se torna um pesadelo

A aposentadoria pode se tornar um pesadelo quando a renda não condiz com aquilo que se gasta no dia a dia

 

Grande parte da população brasileira contribui uma vida inteira com a Previdência Social. Na maioria das vezes é com o objetivo de um dia poderem se aposentar e ter uma vida tranquila. Mas não é bem isso que acontece. Existem muitas pessoas que se aposentam com valores maiores que o salário mínimo, mas que vêm seu rendimento ir diminuindo gradativamente com o passar dos anos, pois a porcentagem de aumento anual de quem ganha mais não é o mesmo daqueles que recebem o mínimo. A tendência é de que com o tempo tudo acabe quase por se igualar.

Mesmo a aposentadoria sendo o sonho de muitos, hoje em dia não é incomum encontrar aposentados que buscam regressar ao mercado de trabalho. Alguns procuram voltar para manter a mente ocupada, não ficarem parados. Porém, para uma maioria, a razão é outra, completamente diferente. A renda oferecida não é suficiente para cobrir as despesas cotidianas, o que torna a procura por um emprego uma necessidade. O que se consome todos os dias, bem como as despesas diárias, está sempre mudando de preço, enquanto o valor  da aposentadoria oferecida não acompanha esse mesmo ritmo.

As diferenças para um idoso que busca ingressar novamente no mercado de trabalho são consideráveis em comparação àqueles que ainda não se aposentaram. “Quando você está trabalhando, o seu salário é integral e depois que se aposenta, no meu caso, a renda não é integral. Eu recebo 70% do que eu deveria receber”, conta Verônica Modolo, de 62 anos, aposentada e auxiliar de departamento fiscal.

Verônica Modolo | Foto: Gabriely Marchi

Outro detalhe importante a se destacar, é o fato de que quando o aposentado volta a trabalhar, com carteira assinada, ele ainda é obrigado a contribuir com o INSS, mantendo o direito ao salário-família e a reabilitação profissional, porém perdendo benefícios vantajosos, como os auxílios doença e acidente. Ele continua contribuindo como um trabalhador não aposentado, mas não é beneficiado da mesma forma, criando uma grande desigualdade.

Verônica, por conta de um acordo, não tem carteira assinada onde trabalha. No momento ela diz que está de licença médica, mas sabe que mesmo que tivesse registro não receberia duas vezes. “O governo só paga uma vez. Só paga minha aposentadoria. Se eu fosse registrada não receberia minha aposentadoria e mais o período de licença”.

Precisar e conseguir voltar a trabalhar são duas coisas diferentes. As dificuldades de se conseguir um emprego depois da aposentadoria não são poucas. “Quando eu voltei, a dificuldade foi muito grande, porque eu já tinha mais de 50 anos e já era considerada velha para voltar ao mercado de trabalho. Além disso, a condição do país na época já não estava boa para arrumar um emprego”, conta Verônica. Ela também diz que suas habilidades tinham ficado defasadas em comparação com as mudanças diárias que o mercado sofre. “Nesse tempo que eu fiquei parada, não fiz cursos, não complementei aquilo que eu já sabia. Meu conhecimento ficou passado”.

Voltar ou continuar. Não é o que as pessoas têm em mente ao se aposentarem, mas buscar o trabalho é uma maneira de tentar manter o mesmo padrão de vida que se possuía anteriormente. “A aposentadoria seria para você aproveitar o tempo que está disponível, que você não está trabalhando, para poder viajar, aproveitar a renda e, no entanto, não é isso que acontece. Você precisa voltar para o mercado de trabalho”, diz Verônica.

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Gabriely Marchi

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