Aprendendo, sou repórter

Minha experiência como repórter foi bem mais produtiva, desenvolvida e gostosa do que a como editora de grupo. Acho um pouco desanimadora a função de cobrar ideias dos outros membros, matérias e prazos quando comparada com os mil e um imprevistos e descobertas que ocorrem na busca de uma fonte e durante uma entrevista.

Não lembro qual autor disse, mas uma professora o citara em aula, em que respondendo à pergunta de como se fazia uma boa entrevista ele responde que com a experiência de muitas entrevistas ruins. A que fiz com Antonio Carlos para “A vida é amarga, mas a carga é doce” é inesquecível para mim. Espero que no futuro olhe para ela com esse mesmo carinho, sem pensar que era foca demais.

Meu grupo escolhera uma pauta: falar sobre moradores de rua. A partir daí mil coisas passaram pela cabeça. Sair andando no meio da rua caçando uma fonte, talvez? Pedir indicação para alguém que faça trabalho voluntário com eles? Mas então me lembrei da Casa de Apoio aos Irmãos de Rua, órgão que conheci de nome por conta do meu trabalho.

Num sábado de manhã peguei meu Escort 1994 com carcaça da década de 70 e fui  à Casa na companhia de Ricardo Lara, meu namorado. Cheia de dúvidas na cabeça de quem escolher, como me organizar em tirar fotos, gravar áudio e não perder a concentração no entrevistado. Eu havia entrado em contato com a direção do local  previamente, aliás, é uma Casa de Apoio e não da Mãe Joana.

O portão aberto, lugar simples e cheio. Silêncio. Era hora do almoço. Me identifiquei e não adiantou muito. Talvez não levaram muito a sério o telefonema que dei avisando sobre minhas pretensões. Mas após um pequeno mal estar com a minha presença, a responsável dá um leve grito:

– Chama o Antonio Carlos!

Devo ter embranquecido.  “Sou eu quem deveria escolher a fonte, não?” foi o que pensei. Me senti com “as asas cortadas”, por assim dizer. Foi meio frustrante o começo daquela entrevista. Eu sei lá, acreditava num feeling que me faria escolher a pessoa certa. Errado. A minha precoce e inexperiente sensação com relação à conquista da fonte passou frente ao eloquente Antonio Carlos somada à opinião do professor de que não havia nada de menor na forma como consegui a fonte.

Durante aquela entrevista percebi o quanto é difícil ser jornalista quando não se concorda com que se está ouvindo. A parte mais difícil foi ele dizer que deixou a família composta, entre outros, por um casal de filhos gêmeos, na época, com sete anos. Mas foi apenas no início, não virei uma pessoa fria que cumpre seu papel de escutar. Pelo contrário, com o decorrer da conversa me tornei mais humana, respeitando-o.

A partir daí foi muito bom. Sensação de satisfação a mil. A história dele me surpreendera e eu fiquei realmente contente. O problema a partir daí foi organizar todas as ideias e compor minha reportagem. Como me sai você vê em “A vida é amarga, mas a carga é doce”.

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Patrícia Milão

milao.patricia@gmail.com http://www.feicaodefoca.blogspot.com

2 comentários em “Aprendendo, sou repórter

  • 19 de setembro de 2011 em 21:10
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    Futura grande jornalista. ;D

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    • 6 de maio de 2012 em 12:44
      Permalink

      Ole1 AlcirAte9 onde eu sei, a data do dia 25 como dia da democracia ne3o tem relae7e3o com o asssasinato do Herzog.Mas ne3o sei te dizer desde quando que foi instituida esta data. De fato, faltam fontes confie1veis na web sobre este tema.Sds

      Resposta

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