Memórias do Cemitério da Saudade

 

É no meio do caminho da antiga rua principal do cemitério da Saudade de Piracicaba, que um túmulo no meio da passagem chama a atenção, a maior lenda do cemitério fica bem evidente para quem passa por ali. Padre Galvão morrera em 1898, era uma personalidade querida da época e conhecido por sua bondade. Reza a lenda que uma multidão acompanhava o seu sepultamento quando subitamente o peso de seu caixão ficou insuportável, os que ele carregava colocaram – no chão para que pudessem descansar, mas para a surpresa ao tentar retira – ló dali, o caixão não se moveu mais de tão pesado que ficasse. Acreditam que a vontade do vigário era de ser enterrado ali, com isso creem até os dias de hoje, que o corpo de padre Galvão está enterrado em meio a uma das ruas do cemitério da Saudade.

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O maior cemitério da cidade de Piracicaba guarda mais de 124 mil restos mortais, e não é a toa que junto com alguns deles nasceram e vivem até hoje crenças que já espalharam por gerações de piracicabanos. João de Almeida Prado, um empresário estudioso conhecido pelas suas obras, depois de falecido ficou famoso de outra forma, sua estátua de bronze sobre o túmulo é a personagem da história do homem do livro, contam que o livro também bronze que até no chão de seu sepulcro, já foi visto por muitas vezes na mão do homem estudioso.

O Cemitério

O cemitério foi fundando em 1872, ele foi o terceiro a ser construído na cidade. Em Piracicaba nesse tempo existiam outros dois cemitérios, porém católicos: o primeiro ficava localizado na Praça Tibiriçá, onde atualmente se encontra a E.E. ‘Morais Barros’ e o segundo, onde se hoje se localiza o Colégio Dom Bosco-Assunção, esse servia apenas aos padres e freiras. Como os dois locais pertenciam às ordens religiosas a administração era feita pela igreja, que exigia comprovantes de batismo e extrema unção para o sepultamento, dificultando assim o enterro dos negros, judeus, ciganos e também os protestantes. O médico alemão, Dr. Otto Rudolpho Kuffer que residia em Piracicaba e também era protestante pleita em 1860 a compra de terreno, e no mesmo ano recebe da Câmara Municipal de Piracicaba a concessão de uma Carta de Data (que permitia a compra) e adquire o terreno para a construção de um cemitério para os protestantes, comunidade que na época estava em grande ascensão local e regional.

Ao todo são mais de 145 m² de extensão, são aproximadamente 20 mil túmulos, distribuídos em 90 quadras, um avenida, 12 ruas e 11 travessas (de A a K). O local escolhido diferente dos outros cemitérios ficava longe do centro da cidade, em terras que eram usadas para o cultivo de algodão, e também de cana. No local apenas os que fossem comprovados legitimamente protestantes poderiam ser enterrados, situação que só mudou em Dezembro de 1872. As primeiras pessoas a ocuparem o campo foram: família Wolling em 1878; família Lohse, em 1878; família Theodor Loose, em 1878 e família Gott, em 1873. A municipalização de cemitérios só ocorreu em Junho de 1890, pelo então imperador Dom Pedro II. E para marcar esse novo momento o primeiro sepultamento realizado na Saudade já como cemitério municipal foi o da escrava Gertrudes.

Túmulo Anjo

Arte & Religião

A predominância religiosa é a Católica, em 80% dos túmulos existem santos católicos e crucifixos alguns com verdadeira obra de arte, em mármore, granito e bronze. No Cemitério da Saudade estão sepultadas pessoas importantes para a memória não só da cidade, mas também do Brasil, entre eles: Prudente de Moraes, Thales Castanho de Andrade, Almeida Jr, Moraes Barros entre outros. Além disso, muitas das sepulturas do local exibem requintadas esculturas em materiais nobres que trazem marcas de várias vertentes artísticas. No estado de São Paulo o cemitério da Saudade é o terceiro mais antigo e um dos mais representativos.

 

 

Arte Tumular

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