Armazéns sobrevivem ao tempo

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Fachada do "Super Mercado Nazatto", que mantém a grafia dos tempos de armazém - Fotos: Saulo de Assis Saes Neto

Há 50 anos, comprar alimentos e miudezas era diferente: bacalhau, mortadela e carne de sol ficavam dependurados, arroz e outros grãos eram vendidos a granel, o óleo, comercializado por meio de uma bomba, que retirava o produto de um barril e transportava para um vidro. Tudo isso era registrado em uma caderneta, quitada todo início de safra. Hoje, os produtos foram se modificando e a forma de vender também. No entanto, o clima de armazém continua presente em alguns lugares, como nos objetos, na arquitetura, nos móveis, e, sobretudo, na lembrança dos que viveram esse passado.
Inaugurado em 1949, o Super Mercado Nazatto (que ainda mantém a grafia antiga de supermercado) é um desses lugares. Localizado em Santa Bárbara d´Oeste, inicialmente como um armazém, tornou-se, em 1966, o primeiro mercado da cidade. Regina Nazatto, uma das proprietárias do mercado, que permanece nas mãos da família que o criou, se lembra da época que os produtos eram vendidos de maneira diferente: “Antigamente, a mortadela, o bacalhau e a carne de sol eram todos expostos. Leite em caixinha nem existia. Somente no vidro, e era comprado na leiteria. Todos os grãos eram armazenados em sacos e vendidos à granel. Com o tempo, tudo foi mudando, os produtos foram se modificando, mas fizemos questão de manter algumas coisas daquele tempo”.
Nazatto ainda guarda algumas cadernetas do passado, e explica que elas eram pagas no final de cada safra, e um selo confirmava o pagamento. A proprietária conserva também alguns móveis e objetos daquele tempo. O balcão do caixa é o mesmo da época do armazém, e o cofre, assim como a caixa registradora (à manivela), são preservados cuidadosamente por ela.

Diferente do Super Mercado Nazatto, o Bazar São José, na mesma cidade, ainda vende os mesmos produtos daquela época. Ao entrar no local, a sensação é de que o tempo não passou. A vitrine com penduricalhos, o balcão de madeira maciça, os produtos antigos, a “bagunça organizada” do local: tudo parece que passou imóvel às mudanças do tempo. O local funciona desde 1952, e vende de tudo, ou como Terezinha Hyeda Machado, a proprietária do local, prefere dizer, uma miscelânea de produtos, desde aviamentos, utensílios domésticos, entre outros.

A relação no Bazar também é familiar: A loja foi inaugurada em 1952 por Cinira Ribeiro Machado, mãe de Terezinha, que faleceu em 2007, aos 102 anos. A filha, que cresceu em meio à loja, preferiu manter tudo como sempre esteve. Tanto cuidado chama atenção: de olho em um antigo cartaz de propaganda da Johnson, interessados já ofereceram dinheiro pelo anúncio, que foi recusado por Terezinha: “Não vendo por dinheiro algum. Isto faz parte da minha história”.
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Saulo de Assis Saes Neto

Graduando em Comunicação Social: Habilitação em Jornalismo pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Contato: neto03@gmail.com

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