BIOELETRICIDADE: UMA ALTERNATIVA DE ENERGIA SUSTENTÁVEL

Por: Clayton Murillo e Letícia Alves

Bioeletricidade é a energia elétrica produzida a partir da biomassa de origem vegetal. Tal energia é gerada através do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, no qual aproximadamente 400 usinas de produção sucroenergéticas ativas, 170 usinas do país são autossuficientes para a geração de energia no processo produtivo, principalmente no período de safra que coincide com o período de estiagem. Contribuindo assim, na diminuição da pressão nos reservatórios das hidrelétricas.

Com a exploração da cana-de-açúcar, o bagaço e a palha da cana começaram a ser valorizados a pouco tempo. A energia gerada é limpa, sustentável e renovável. Poderia ser esta a alternativa para aumentar a produção de energia sustentável sem ter de construir uma hidrelétrica no coração da Amazônia, que segundo os dados do site greenpeace “as usinas instaladas em áreas de floresta tropical emitem quantidades consideráveis de gases de efeito estufa”, como o dióxido de carbono e metano. As hidrelétricas também resultam em degradação da vegetação e do solo.

A lei 11.241 que controla as queimadas, vem obrigando as usinas produtoras de cana-de-açúcar, a se adaptarem a colheita mecanizada. Segundo Licia Martinez, assessora da CDN Comunicação, “propriedades com áreas inferiores a 150 hectares e áreas com declividade superior a 12% têm permissão para a queima da palha de cana-de-açúcar destinada à colheita, em linha com o prazo concedido pela lei estadual, que vai até 2021”. O que antes era prejudicial ao meio-ambiente devido a grande liberação de gazes poluentes causados pela queima, agora pode contribuir na sua preservação e ainda produzindo energia sustentável desafogando as hidrelétricas.

PRODUÇÃO

Com base nos dados da UNICA (União da Industria de Cana-de-Açúcar), o processo não é tão complicado, pois após a colheita da cana, ela passa a ser transportada para a usina, sendo moída durante o processo de extração do caldo, que será transformado em açúcar e etanol. O bagaço e a palha também são gerados, e que serão os combustíveis para a geração da bioeletricidade, onde serão enviados para alimentar as caldeiras nas usinas. Na caldeira será gerado o vapor, que é utilizado para produzir três diferentes formatos de energia:

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Foto: (Acervo) Fragmaq

“A energia térmica é empregada para aquecimento no processo produtivo do açúcar e do etanol, além de ser transformada em energia mecânica. A energia mecânica movimenta as máquinas de extração e preparação do caldo, além das turbinas de geração de energia, transformando-se assim em energia elétrica. A energia elétrica, ou a bioeletricidade da cana, é usada para o consumo próprio da usina e o excedente é vendido para o sistema elétrico nacional”.

COMERCIALIZAÇÃO

Sabemos que a usina pode se autossustentar com a energia produzida através da cana-de-açúcar. Além disso, a energia excedente dessa produção acaba sendo comercializada para os grandes consumidores. Ainda segundo a UNICA, desde 2005 “a bioeletricidade já negociou dezenas de projetos, totalizando mais de 2% da energia elétrica consumida nacionalmente em 2010” e que “a bioeletricidade está disponível para grandes compradores, como indústrias e distribuidores de energia elétrica, que repassam a energia da cana para o consumidor final”.

O setor para produzir a bioeletricidade é grande, e para que a energia possa ser consumida pelo país, precisa-se principalmente do apoio do governo para o investimento, mas a falta de conhecimento e da vontade de aproveitamento, implica com a comercialização dessa energia sustentável.

O FUTURO DA BIOELETRICIDADE

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Foto: (Acervo) Jornal Cana

No futuro a bioeletricidade pode ser competitiva em relação a energia produzida pelas usinas hidrelétricas. A competição se manterá por ser uma energia renovável, sustentável e limpa, a energia é obtida através do reaproveitamento de “matéria-prima” (o bagaço e a palha), tem potencial para aumentar o faturamento das usinas e pode ser maior que o faturamento obtido com o açúcar. Porém, para que isso aconteça precisa de maiores investimentos no setor. Isso nos ajudaria a não ficarmos tão dependentes da energia gerada pelas usinas hidrelétricas e a competitividade seria aumentada em seu valor.

Não sabemos como o futuro do país será. Mas o ativista da Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo, fala que “a biomassa tem sem dúvida nenhuma, tem um grande papel na matriz elétrica do futuro brasileiro”. Baitelo ainda diz que com essa energia biomassa, “ganhamos créditos de carbono”, o que nos faz pensar em um futuro sustentável, com uma segurança energética maior.

O setor precisa de mais fontes que conheçam a energia de biomassa e que possa compartilhar o seu experimento, mostrando assim que o país pode ter energia e ao mesmo tempo ganhar vantagens positivas com isso. Só assim, um país sustentável, limpo e autossuficiente será visto por todos.

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Letícia Alves

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