Cadeirantes reclamam da demora e da falta de acessibilidade dos ônibus urbanos

Portadores de deficiência que utilizam o ônibus em Piracicaba passam muito tempo nos pontos à espera de veículo adequado e têm que contar com a boa vontade dos motoristas para conseguir embarcar. Essa é a principal reclamação dos cadeirantes, que também criticam o despreparo dos motoristas e defeitos nos equipamentos de acessibilidade.
Alguns erros na hora do embarque e desembarque nos ônibus, que contam com elevadores adaptados aos passageiros de cadeiras de rodas, têm conturbado a viagem dos deficientes. Além de que há motoristas que não permitem a entrada devido à necessidade de ter que descer do veículo para acionar o aparelho eletrônico, processo que dura entre 5 a 10 minutos, segundo Clarice…
Alguns motoristas usam esse tempo como justificativa pra não parar, alegando que não tem como fazer a viagem no tempo certo.

Foi o que disse Claudemir Nogueira, que dirige há 14 anos em Piracicaba. “Às vezes se eu paro pra atender o deficiente, atraso toda a viagem, o que me prejudicaria, podendo ocorrer uma punição. Acho que o problema é no aparelho que nos é oferecido, lento e frágil”, afirma.
O fato de só ser possível transportar um cadeirante por vez prejudica muitos deficientes, que muitas vezes chegam atrasados em seus compromissos.
“Eu penso que há muita má vontade de alguns motoristas em ajudar o deficiente”. A reclamação é da atendente Clarice Espezotto, que conta que já esperou 2 horas até conseguir embarcar.
A indignação é clara dos cadeirantes em Piracicaba, muitos são mais duros na hora de cobrar, caso de Alex Valério, que diz que não há mudanças.
“Muitos ônibus continuam sem o elevador, alguns até tem o símbolo do cadeirante, mas quando você necessita usar, escuta que está quebrado ou algum outro problema. Os ônibus continuam do mesmo jeito. Se as multas tivessem sido aplicadas, com certeza os ônibus estariam adequados aos cadeirantes. Nada resolveu, continua do mesmo jeito”, questiona.

Ônibus sem acesso a cadeirantes – Foto: Pedro Franco

De acordo com a Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte), dos 200 ônibus que circulam em Piracicaba, 60 são especiais, mas estão distribuídos por 98 linhas, o que gera insuficiência no serviço. O orgão nao quis se pronunciar sobre as declarações dos motoristas em relação aos cadeirantes.
Pela Lei, desde de dezembro de 2006, todos os ônibus devem sair de fábrica adaptados. As empresas de transporte coletivo tem até dezembro de 2014 para oferecer apenas veículos adaptados a população.

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