Câmeras com alta qualidade “nivelam” profissionais de comunicação

Com o avanço das máquinas fotográficas DSLR, Digital Single Lens Reflex, (aquelas máquinas digitais em que se vê através da lente o que se fotografa), o mercado audiovisual mudou. Há pouco menos de dois anos, as máquinas fotográficas profissionais também filmam, e alcançaram qualidade de imagem, em alguns casos, equiparados ao cinema.

Para o fotógrafo, videomaker e professor universitário Thiago Altafini, “o equipamento é revolucionário no sentido de nivelar tecnicamente os profissionais”. O que vale agora é a técnica e criatividade, basicamente todos podem trabalhar com o mesmo patamar de equipamento, porque o preço está acessível. Thiago já produziu dois videoclipes para bandas e trabalhos para o segmento de moda com a tecnologia DSLR. Um dos videoclipes foi feito para a Banda Piracicabana, Mazzaropi Contra o Crime com a música “Mardita Cachaça”, que foi lançado dia 03 de setembro, no Oficina Rock Bar, tendo repercussão positiva durante o evento e posteriormente pelas redes sociais.

Além do baixo custo, estes equipamentos gravam em Full HD (alta definição) acompanhando a tecnologia de ponta, permitindo produções de curtas metragens, no ramo da publicidade, séries para TV, filmes e eventos sociais. Uma câmera da marca Canon, modelo T2i (considerado semi-profissional), bastante popular entre os produtores de vídeo, pode ser comprada em média por dois mil reais. Este equipamento grava vídeo com alta qualidade (1920×1080 pixels) e fotografa com dezoito megapixels.

Muitas vezes a necessidade é que leva o fotógrafo e fazer o trabalho de cinegrafista. O repórter fotográfico Fabrice Desmonts, que está a 20 anos no ramo da fotografia, conta que foi fotografar a Festa do Divino na cidade de Piracicaba, em junho do ano passado, e teve que gravar as imagens também, porque não tinha nenhum cinegrafista no local, “hoje são estas as imagens que temos no arquivo”, lembra Fabrice.

Alguns dos destaques produzidos com esta nova tendência de gravação com câmeras fotográficas DSLR são o seriado Dr. House, filmes como Avatar, Homem de Ferro, além de comerciais para TV e internet. No campo jornalístico, um dos exemplos foi a experiência da TV Folha (Grupo Abril), que o cobriu a “Marcha da Liberdade”, em prol da legalização da maconha. Os fotógrafos que estavam escalados para fotografar o evento, também captaram imagens em movimento devido à “truculência policial em relação aos manifestantes”, diz Thiago Altafini. Estas imagens é que foram para o ar e também comercializadas para outras emissoras além das fotografias que ilustraram os jornais impressos e também para as versões de internet.

Para o estudante e jovem produtor Matheus Ferrari, “gravar com DSLR já é uma realidade, e no futuro vai melhorar ainda mais”, explica. Matheus produziu e dirigiu o curta metragem “Não seria diferente com a morte”, 6min, 2011, também produziu “Incerteza”, 6min, 2011, que foi veiculado na TV Cultura no programa Cultura 360. Atualmente está dirigindo “O fim é só o começo”, todos produzidos com a tecnologia DSLR na captação de vídeo em alta resolução.

O fotógrafo, ao integrar estas novas possibilidades de gravação de som e imagens em movimento com câmeras fotográficas, tende a se tornar um profissional imprescindível na produção jornalística e audiovisual contemporânea, que alia a técnica, percepção e utilização de equipamentos novos no seu ofício diário com uma nova linguagem, “uma mistura entre técnicas fotográficas, do vídeo e cinema”, explica Thiago Altafini.

Acompanhando a tendência deste mercado, o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) promove gratuitamente o “Seminário de Cinematografia DSLR” nas unidades Senac Lapa Scipião (São Paulo), Guaratinguetá, Campinas e Piracicaba nos meses de outubro e novembro de 2011. Segundo a instituição este tipo de captação é uma tendência atual e consolidada em todos os segmentos do mercado de produção audiovisual.

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