Central nas Escolas amplia conhecimento e alcance do rap em Piracicaba

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O projeto Central nas Escolas começou a ser desenvolvido em Piracicaba em 2016, na escola Sesi do Jardim Planalto.  A atividade nasceu a partir de uma iniciativa de Samuel Rodrigues, hoje um dos organizadores, que deu a ideia de realização de uma “batalha”, no intervalo das aulas, para apresentar o trabalho de um Mc que havia lançado um novo álbum.  “Alunos começaram a postar tantas fotos e vídeos que outros alunos começaram a perguntar como fazia para ir até a escola e participar”, conta Aleph Leite, organizador e Mc.

Atualmente, o projeto é desenvolvido todas as segundas-feiras, sempre em uma escola diferente. “Nós somos Hip Hoppers, seguimos a cultura o tempo todo. O Rap é nosso trabalho, nosso lazer, a forma de nos expressarmos,” diz Jaqueline Altomani, uma das organizadoras da ação.

Para Rodrigues, fazer o que você gosta com quem você gosta se torna gratificante e foi isso que o motivou a participar do Central, pela possibilidade de mostrar que “o rap muda pensamentos e cria consciência”.

O projeto teve boa aceitação nas escolas e também incentiva o interesse dos estudantes pelo gênero musical. Foi o que aconteceu com Bruna Pereira, aluna do oitavo ano do Dom Bosco. Ela conta que passou a ouvir rap com mais frequência após a apresentação no intervalo de suas aulas.

A iniciativa também muda o conceito dos estudantes sobre o gênero. “Eles passaram uma imagem boa, tenho certeza que as pessoas só conheciam rap de uma forma vulgar, que falava muitos palavrões”, aponta Camile Rodrigues dos Santos, também estudante da escola. E muitas pessoas se apaixonam pela iniciativa. “Não queria que acabasse de jeito nenhum, foi incrível.”, diz Giulia Zen, também aluna do oitavo ano do ensino fundamental do Colégio Dom Bosco.

O Mc Aleph Leite. (Foto: Jaqueline Altomani)

Para os organizadores, é necessário ultrapassar o sentido da audição e entender o sentido da mensagem. “Eu não gostava das ideias do rap, porque não entendia. Muita gente não escuta, só ouve, então a partir do momento que você começa a escutar o rap, a entender realmente o rap, você passa a ver a riqueza”, defende Leite. “O objetivo é rimar, é promover um espaço de aprendizado, lazer, rap e dar continuidade ao movimento Hip Hop”, completa Jaqueline.

 Outro aspecto destacado pelos participantes é o sentimento de unidade criado entre as pessoas. A iniciativa contribui para a formação de uma comunidade do rap na cidade. “Somos uma família e todos se ajudam”, diz Rodrigues.

Batalha

A Batalha Central, movimento que iniciou a expansão do rap em Piracicaba, começou em 2009, quando o Hip Hop estava aparecendo no país e as batalhas de MCs ficaram mais populares. Os primeiros a idealizarem a batalha foram Daniel Garnet, Robson Peqnoh e Evelyn Albuquerque, que para conseguir sucesso realizavam eventos em frente a escolas. Atualmente, dobrou a quantidade de participantes e a ação é conhecida em vários bairros. Duelos ocorrem todo segundo domingo do mês e a divulgação é feita inteiramente por mídias sociais, como Facebook e Instagram.

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Ana Júlia Carregari

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