Coleta seletiva: recolhe, recicla e reutiliza o lixo

Cooperativa de Reciclagem de Cerquilho incentiva população a separar o lixo

Prática ambientalmente sustentável, a coleta seletiva tem sido alternativa para o destino dos materiais que não terão mais utilidade para a população que reside na cidade de Cerquilho, interior de São Paulo. A iniciativa surgiu em dezembro de 2003, por cooperados, juntamente com a prefeitura. Então, passou a existir a RECERQ – Cooperativa de Reciclagem de Cerquilho. Na época foi realizada uma campanha de divulgação. A partir daí, começaram a distribuir sacos verdes para incentivar a população a separar o lixo orgânico do lixo reciclável.

A coleta seletiva realizada uma vez por semana em cada bairro, com horários e dias definidos, recolhe diariamente 6 mil quilos de lixo, quase 120 toneladas por mês, que são encaminhados para o galpão onde é realizada a separação dos materiais, sendo 20% lixo comum que é levado para o aterro. Após esta separação o material é estocado, para juntar um volume maior, e vendido posteriormente, cada material segue para uma cidade vizinha que faz a reutilização. Os cooperados realizam as vendas do produto e repartem o lucro entre si. Os sacos verdes, distribuídos diariamente e os caminhões dos catadores é uma doação da prefeitura que também abastece-os para rodar na cidade.

A função da cooperativa é, além de ajudar a resolver um problema ambiental, resolver um problema social. Recolhendo o lixo reciclável, que é doado pela população para vender às empresas recicladoras, gera fonte de renda para as famílias dos cooperados.

A rotina de trabalho dos catadores de lixo começa às 7 horas da manhã. Os caminhões  saem do galpão da Recerq para a garagem da prefeitura onde são abastecidos e estocados os  sacos verdes para seguirem seu caminho para a coleta seletiva. Os catadores se organizam em grupos de quatro pessoas por veículo: um motorista, dois catadores e um cargueiro, que se revezam nas tarefas de recolher o lixo ou ficar dentro do caminhão organizando os materiais coletados.  A coleta segue até encher o caminhão. Depois, voltam ao depósito. Lá o lixo é descarregado e separado. O caminhão realizar quantas viagens forem necessárias.

Os materiais encontrados indevidamente no saco verde, também são separados e despejados no aterro a mais ou menos 500 metros do galpão.

O aterro sanitário consiste em uma área especialmente preparada para receber o lixo. Recebe alto investimento com relação à infra-estrutura – seu solo é inteiramente impermeabilizado, o que evita que o chorume contamine o subsolo. O chorume e o gás metano passam por um sistema de canalização onde são tratados e reaproveitados como geradores de energia (a própria energia do gás metano é utilizada para a vaporização do chorume). O material depositado passa por uma triagem mecanizada para a retirada de materiais recicláveis e a cada camada é recoberto por uma outra camada de terra. Neste local não há catadores de lixo, nem animais vetores.

Para percorremos o caminho desse lixo, acompanhando o trabalho dos cooperados, faz-se necessário descrever o que é lixo propriamente dito. O lixo é tudo aquilo que na realidade não tem mais função ou reutilização, nem mesmo pode ser reciclado. Mas as pessoas descartam materiais que podem ter outro destino, como afirma Joelma Maria dos Santos, secretária desde 2009. Para ela “é uma questão de ponto de vista e interesse. O que é lixo para uma pessoa, ainda pode servir para outra, e dessa forma, não seria lixo”, resume.

O que falta agora é que a prefeitura melhore as condições da estrutura física do galpão. Os catadores enfrentam problema com a falta de espaço, aliada a condições inadequadas de trabalho.

 

Por Jessica Polliani

 

 

 

 

 

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Polliani

Sou candidata para ser feliz. Sou aprendiz para ser jornalista. Sou curiosa da arte das palavras. Sou uma personagem da reportagem da vida.

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