Com atraso, Rio das Pedras muda apostila das escolas

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Apostila do novo sistema de ensino SIM. (Foto: Beatrís Cortelazzi Porta)

Escolas municipais de Rio das Pedras começaram o ano letivo sem material didático. O atraso ocorreu por conta de problemas com a rede que vendia o material para a prefeitura. O novo material foi entregue às escolas no início do mês de abril.

Após oito anos de parceria com a Rede Anglo, o material deixou de ser utilizado no município e o material SIM entrou em vigor. Segundo a secretária da educação Flávia Chamma, a mudança ocorreu após a venda da rede Abril Educação (nova Somos Educação), que fabrica o material didático da Rede Anglo, para o fundo Tarpon Investimentos que, inicialmente, não tinha mais o interesse de trabalhar com escolas públicas.

Como retirar o sistema apostilado não era uma opção, o prefeito solicitou a abertura do processo de licitação, com valor reduzido, para começar a cotação dos novos materiais. A Somos Educação voltou atrás em sua decisão de trabalhar apenas com escolas particulares e entrou na licitação trazendo um material de segunda linha, já que o dinheiro disponibilizado pela prefeitura era metade do valor necessário para o material Anglo.

Três empresas entraram na licitação, a SIM que é da FTD, a Dom Bosco da Pearson e a SER da Abril Educação. O material de cada uma delas foi avaliado por uma comissão de professores que utilizou como critérios a técnica e o preço. Segundo Flávia, “o preço estava mais ou menos igual para todas (as editoras), mas na técnica ganhou o material SIM. Os professores do conselho avaliaram e acharam mais adequado à realidade dos alunos o material da FTD”.

A Secretaria da Educação alegou que a mudança de material estava prevista desde o dia em que a Abril Educação foi vendida, no final do ano passado, e que as escolas e professores ficaram de sobreaviso sobre a abertura de uma nova licitação, tendo a consciência de uma futura mudança no sistema de ensino. No entanto, alguns professores  declararam que foram pegos de surpresa no início do ano letivo e outros disseram terem sido avisados somente na reunião pedagógica sobre o problema do atraso e da mudança de sistema.

No período sem apostilas os professores utilizaram materiais próprios ou até mesmo os estaduais disponibilizados pelas escolas. Para não prejudicar ainda mais o ano letivo, a supervisão dividiu o conteúdo que deveria ter sido trabalhado no 1° bimestre e deu enfoque inicialmente para Português, Matemática e Ciências, deixando para o 2° bimestre toda a apostila mais História e Geografia.

Segundo Flávia, avaliações periódicas serão feitas para acompanhar o desenvolvimento do novo sistema de ensino, mas ela afirmou que alguns professores e algumas mães que a procuraram na Secretaria disseram que o material é melhor e se aproxima mais da realidade dos alunos, o que facilita a aprendizagem.

Alguns professores declararam não terem gostado do material, como a professora de Geografia que não quis se identificar. “O material em si está cheio de erros e não só na minha matéria, tenho ouvido muitos professores falando isso, tanto nos exercícios como no conteúdo, acho que ele deveria ser revisto”.

A coordenadora do FTD e a assessora pedagógica disseram que o novo sistema deve ficar em vigor por, no mínimo, dois anos para se ter uma noção da eficácia do novo material didático nas escolas do município.

 

 

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Beatris Cortelazzi

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