Contra fechamento, jovens ocupam escola Mello Cotrim

Na tarde desta quarta-feira, 18, a Escola Estadual Mello Cotrim foi ocupada por alunos num ato de desaprovação ao fechamento da unidade de ensino. Os adolescentes retiraram todos os professores e funcionários do espaço para debater a questão proposta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

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Escola Estadual Mello Cotrim (foto: Pietra Polo)

A ocupação começou com um pequeno grupo de 30 pessoas que estavam do lado de fora dos portões e, mais tarde, passaram a ocupar o pátio da escola. Os alunos, que são contra a reorganização do ensino – o que transformará a escola em uma creche –, pretendem ficar no local por tempo indeterminado, até negociarem com representantes da Diretoria Regional de Ensino. Eles, ainda na tarde de ontem, elegeram uma comissão para realizar as tais negociações sobre a desocupação da escola, na Paulicéia.

Os portões são cuidadosamente abertos apenas para quem é estudante ou familiar, como pais etc. Do lado de dentro, muito trabalho, companheirismo e respeito. Os estudantes se dividiram em pequenos grupos para administrar diferentes tarefas como limpeza e alimentação. Durante a tarde, parte dos jovens saem para fazer cursos e a outra parte permanece na escola tendo aulas de capoeira, entre outras atividades. Muita música e conversa ao entrar. Mesmo com o clima de tensão, os jovens não desistem e sabem muito bem onde querem chegar. Os professores e pais abraçaram a causa e levam desde comida até cobertores e travesseiros.

“Eu moro a três quarteirões da escola, tenho três filhas, como é que eu vou levar uma em cada escola? Me encontro divorciada, como é que eu vou sustentar a minha casa e pagar quem leve e busque minhas filhas?” disse Aliana, mãe de alunas da escola.

 

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Alunos protestam contra o fechamento da escola (foto: Pietra Polo)

Fechamento

O projeto em longo prazo é municipalizar todo o ensino fundamental, mas, imediatamente, deixar cada escola com apenas um ciclo. Seu objetivo central é o corte de verbas. O governo anunciou o fechamento de 92 escolas, o que acarretará num maior número de alunos por sala de aula. Esse novo modelo escolar, segundo o site da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, tem um desempenho 10% superior em comparação a escolas com vários ciclos. Porém, nem todas as escolas serão reorganizadas “isso acontece devido às diferenças demográficas e a necessidade de atender as especificidades de cada região do estado”, explica.

A mudança entrará em vigor a partir de 2016, e teve início com base no levantamento realizado pela SEADE – Sistema Estadual de Análise de Dados – que apontou tendência de queda de 1,3% ao ano da população em idade escolar no estado. A diretoria regional de ensino de Piracicaba divulgou, mês passado, a lista das escolas que passarão pela reorganização dos ciclos, no entanto, o número de alunos que serão transferidos entre as unidades não foi definido.

 

Reintegração de posse

O governador, por enquanto, retirou o pedido de reintegração de posse por conta dos direitos estabelecidos pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que visa a proteção e segurança dos jovens ocupadores da escola estadual. “É uma situação inteiramente nova, por que o governo acreditava que uma educação tão sucateada jamais geraria estudantes mobilizados” acrescenta um dos professores estaduais que dão suporte ao movimento.

O anúncio foi feito nesta tarde, 19, pelo secretário de educação Herman Voorwald. Segundo o secretário, a suspensão da reorganização pode ocorrer apenas dois dias após os alunos deixarem as unidades. Ainda não há previsão para a desocupação.

 

 

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