Crianças e jovens em situação de risco são acolhidos em abrigos

Com a proposta de atender crianças e adolescentes que tiveram seus direitos violados, as casas de acolhimento promovem proteção, cuidados e a oportunidade de desenvolvimento e capacitação dos acolhidos. Esse acolhimento é a fase de conclusão que sucede um processo bastante cauteloso do Conselho Tutelar, que busca analisar toda a situação junto ao Ministério Publico.

A porta aberta para todas as violações de direito é o Conselho Tutelar. Quando é feita uma denúncia que retrata violação dos direitos da criança e do adolescente o primeiro passo é a apuração dos fatos, independente do teor da gravidade e complexidade.

Há casos em que o conselho age com o Acolhimento Emergencial, onde inicialmente a vitima é acolhida e num prazo de 24 horas e o Conselho trabalha na pesquisa da família, vendo a sua extensão, se há algum parente que possa responsabilizar-se por essa criança e /ou adolescente, e o núcleo familiar (onde essa criança vive/ vivia) recebe instruções para ter um acompanhamento da Rede do Conselho, que traz auxilio de todos os níveis para esse núcleo familiar.

Em caso da família não seguir tais orientações e, sendo constatada a ausência de quaisquer outros parentes, ou quando se conclui que há falta de condições dessa criança ser “devolvida” ao lar, é encaminhado um Relatório ao Ministério Público, que encaminha a decisão ao juiz da vara da infância para determinar o destino dessa criança.

“A Rede trabalha com as situações de risco, e antes de ser encaminhado o relatório ao MP (Ministério Público), são analisadas todas as ações e agendamentos indicados à família”, conta Benedita Ivete Brandini de Negreiro, Conselheira Tutelar da Unidade I de Piracicaba há 5 anos.

“Os procedimentos são feitos de acordo com cada caso, e cada um deles tem sua especificidade”, completa Negreiro.

Em Piracicaba, o serviço de acolhimento para crianças e adolescentes é oferecido na modalidade de Acolhimento Institucional, e é feito por duas entidades de assistência social: Lar Franciscano de Menores e Casa do Bom Menino que acolhem crianças encaminhadas pelo Conselho Tutelar e pela Vara da Infância e Juventude. São vários os motivos da medida de acolhimento, entre eles: uso de substâncias entorpecentes (álcool e outras drogas) por parte dos pais e ou responsáveis; maus tratos e negligência; situação de rua, abandono e exploração sexual.

Com uma média de 100 acolhidos ao ano, a Casa do Bom Menino possui 106 vagas, distribuídas em três casas no abrigo: o CEI (Centro educacional infantil, onde ficam crianças de 0-11 anos), Casa do Bom Menino (para os adolescentes de 12-18 anos) e Casa Raquel (para as adolescentes12-18 anos).

“Além do abrigo, temos quatro ‘Casa Lar’, um novo modelo de atendimento em acolhimento, iniciado este ano. Considerando toda a equipe, contamos com 110 colaboradores”, conta Marcelo Coury, psicólogo e supervisor de projetos.

A entidade tinha perfil de orfanato e atendia de forma assistencial. Após algumas mudanças e determinações do estatuto da criança e do adolescente passou a ter serviço de acolhimento institucional.

“O acolhido tem acompanhamento durante todo o tempo em que permanece na casa e quando é desligado (ao completar 18 anos), tem capacitação e perspectiva de vida”, explica Coury.

Ele também conta que na Casa, os acolhidos recebem uma espécie de reforço escolar de nove bolsistas do Nepep (Núcleo de Estudos e Programas em Educação Popular) da Unimep, que tem trazido excelentes resultados e grandes mudanças no histórico escolar dos acolhidos.

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Crianças em ação no Menino Gourmet. (Foto: Elis Justi)

Entre os diversos projetos realizados na entidade, que buscam também a capacitação do adolescente, está o Menino Gourmet, programa institucional rentável que visa a capacitação e profissionalização de crianças e jovens no setor de alimentação e vendas por meio de aulas teóricas e práticas.

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Crianças em ação no Menino Gourmet. (Foto: Elis Justi)

Este plano tem como objetivo estimular a independência e visão de empreendedorismo dos envolvidos, permitindo assim um preparo integral para o mercado de trabalho. O aprendizado das aulas é colocado em prática através de encomendas de pães, tortas, salgados e também no preparo de coffee break feito por eles. Os valores arrecadados são revertidos para os integrantes e também para o projeto.

Essa é uma das formas de arrecadação de verbas para a Casa do Bom Menino, que é mantida com doações, apoiadores e renda de eventos realizados pela entidade.

 

 

Você também pode contribuir

Uma pequena parte do Imposto de Renda pode ser redirecionado para as casas de acolhimento, cadastradas no CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente).

Pessoa Física pode doar até 1% do Imposto de Renda Devido. No caso de Pessoa Jurídica, a doação pode ser de até 6%. Em ambos os casos, o prazo para destinar a contribuição é até 31/ 12/2015.

 

A Casa do Bom Menino

 A casa do Bom menino fica na Rua Machado de Assis, 593, no bairro Nova América, Piracicaba/ SP. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (19) 3401.2199.

Conselho Tutelar

Os Conselhos Tutelares I e II,  atendem a população em horário comercial das 8h às 17h. No período noturno, aos sábados, domingos e feriados, seu atendimento acontece através de acionamento pela Delegacia Participativa ao tomar conhecimento de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes.

Conselho Tutelar I
Rua Governador Pedro de Toledo, 2099 – Centro
Contato: 3422.9026 / 3432.5775

Conselho Tutelar II

Av.: Barão de Serra Negra, 545 – Vila Rezende

Contato: 3421.8962 / 3413.5497

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