Crise Hídrica no estado de São Paulo; Rio Piracicaba agoniza.

Tião Carreiro e Pardinho alertavam que o rio de Piracicaba iria jorrar água pra fora, quando chegar à água dos olhos de alguém que chora, mas quem hoje chora é o rio de Piracicaba. Ele agoniza com a escassez de água que afeta o estado de São Paulo, deixando um dos principais cartões postais de Piracicaba, seco, quase sem vida.

Em janeiro de 2011 a famosa Rua do Porto às margens do rio Piracicaba, ficou submersa: o nível do rio subiu 7 metros. José Benedito Veronez,55, pescador há 25 anos diz que, “agente viu muita muitas coisas rodando, inclusive onde eu moro que esta bem longe de Piracicaba, entre Santa Maria da Serra e São Pedro, passaram várias geladeiras, sofás, mesas, botijões de gás e árvores. Nos anos anteriores vimos muita chuva, e as represas enchiam no máximo, de 2012 para cá as represas não enchem mais como antes. Moro a 50 metros da represa e a mina que temos, aqui que nunca tinha secado, está praticamente seca, não conseguimos pegar nem 20 litros de água mais por dia”.

O rio Piracicaba desde o inicio do ano vem registrando vários índices negativos de vazão e profundidade. No último dia 20 de outubro, o manancial registrou vazão de 60,19 mil litros de água por segundo, um pouco abaixo dos 63,16mil registrados pela telemetria do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), no mesmo período de 2013. Em contrapartida não é de se animar, sendo que no último dia 11 de agosto foi registrado a menor vazão dos últimos 30 anos, cerca de 10,92 mil litros de água por segundo e 72 cm de profundidade.

Segundo Jerry Willians, especialista em gerenciamento ambiental – Escola Superior de Agricultura (Esalq/USP) em Piracicaba, diz que “a crise hídrica instalada no estado de São Paulo, mais especificamente nas regiões da grande São Paulo e Piracicaba/Capivari/Jundiaí, que juntas correspondem aos maiores parques industriais e urbanos do Brasil, tem gerado inúmeros desafios na gestão compartilhada do Sistema Cantareira, conjunto de reservatórios situados na região das cidades de Atibaia, Camanducaia (SP) e Extrema (MG). Está com níveis abaixo de 5%, já considerando uma primeira parcela de água localizada abaixo do nível de envio de água por bombeamento, denominada Volume Morto”.

Com o grande acréscimo populacional de 5,4 milhões aproximadamente nas bacias do PCJ, seu parque industrial e o setor de produção agrícola (com irrigação) tiveram grande desenvolvimento, contudo aumentou o consumo de água e a poluição dos rios.

Para quem vive do rio, com o rio e para o rio como o pescador Luís Fernando Magossi, 52, conhecido como Gordo afirma que sua “visão e de muita tristeza e com esperança que o povo se conscientize melhor sobre as questões hídricas, principalmente com a construção de grandes reservatórios para que não passemos outra vez esse sufoco que estamos passando”.

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*