Crítica- O Homem do Futuro

Filmes sobre viagem no tempo têm grandes chances de dar errado. O roteiro tem que ser muito bom para não deixar pontas soltas. Quando este filme foi anunciado como uma comédia romântica/ ficção científica tendo como uma das produtoras a Lereby (produtora de Se Eu Fosse Você), já sabia o que esperar: uma comédia com piadas rasteiras e visual de televisão, dirigido por Jorge Fernando ou um genérico dele. Mas algo mudou tudo na equação: quem iria dirigir e roteirizar o filme era Claudio Torres. Sim, Torres foi contra todas as expectativas e conseguiu tornar “O Homem do Futuro( idem, 2011)” um ótimo filme.

Torres trabalha com um trama aparentemente simples: o cientista Zero ( Wagner Moura) é um homem amargurado, que fica remoendo os acontecimentos de um baile de 20 anos atrás em que Helena(Alinne Moraes), o grande amor de sua vida, o humilhou na frente de todos. Um dia, enquanto tenta criar uma forma revolucionária de energia, ele acidentalmente volta no tempo, coincidentemente no mesmo dia do baile que mudou sua vida. Agora, Zero tem a oportunidade de mudar tudo, mas isso trará  grandes consequências.

Wagner Moura novamente tem uma grande atuação. Ele diferencia bem as versões diferentes de Zero que ele interpreta: desde o jovem, sempre tímido e gago ao Zero amargurado do presente. Nessas duas versões, Moura tem uma atuação mais caricatural, mas que combina com os personagens. Já em uma terceira versão do personagem (que não pretendo revelar aqui) ele tem a interpretação “mais real” que estamos acostumados.

Alinne Moraes também esta competente (e linda) como Helena. Ela nos convence do amor que sente por Zero e isso é essencial para que o filme funcione. Fernando Ceylão funciona bem como o melhor amigo de Zero, Mari Luísa Mendonça diverte como a animada Sandra e Gabriel Braga Nunes reprisa o papel de vilão que já está acostumado a fazer.

Mas todos esses atores não funcionariam sem o ótimo roteiro de Torres. Apesar de no inicio o roteiro apelar para algumas piadas rasteiras, o filme logo se desenvolve e começamos a perceber a ótima trama que Torres nos preparou.

Uma trama original, mas que faz referencia a vários filmes clássicos de viagem no tempo como, por exemplo, “De Volta Para o Futuro” (em todas as cenas do baile) e “Exterminador do Futuro’’(no momento em que “Zero” volta no tempo e uma esfera de energia surge envolta dele).

Mas as referencias não ficam só no roteiro, o próprio visual do personagem de Wagner Moura brinca com os clássicos da ficção. Como no momento em que ele aparece enfaixado, remetendo ao homem invisível clássico e ainda fazendo um link com o filme passado do diretor, justamente a “Mulher Invisível”. Ou quando ele aparece com uma fantasia de astronauta se tornado uma espécie de “temponauta”, algo que parece saído dos filmes de ficção científica da década de 50.

A trilha incidental do filme é incrível indo de “Creep”do Radiohead a  “Tempo Perdido” do Legião Urbana ( que é repetido inúmeras vezes no filme). Outro grande destaque são os efeitos especiais que funcionam muito bem, passando longe dos efeitos terríveis vistos em outros filmes nacionais como “Nosso Lar” e “O Coronel e o Lobisomem”.

Mas o que realmente fez esse filme funcionar foi Claudio Torres, um diretor visionário, que ao lado de gente como José Padilha e José Mojica Marins, entende que o Brasil também consegue fazer filme de gênero.

 

Nota: 9

 

 

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Luis Capucci

Aluno de Jornalismo da Unimep-Piracicaba e-mail: lhcapucci@hotmail.com

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