Defensivos do Bem

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Brasil poderá alimentar o mundo e com ajuda dos temidos agrotóxicos

O mundo vive a onda da alimentação saudável e nutritiva, e não é por menos, o índice de doenças e de obesidade agravantes fizeram as pessoas repensarem o que colocar na mesa e, principalmente, recorrer aos alimentos orgânicos. Mas será mesmo que a produção com defensivos e fertilizantes químicos podem prejudicar a saúde pública?

“Você teria que comer cinco toneladas de um alimento com resíduo químico ao dia para ter alguma intoxicação”, relata o engenheiro agrônomo, Tarcisio Hulshof. E ele tem razão! Atualmente existem tantas exigências para produzir um alimento que a possibilidade de existir produtos realmente tóxicos é, praticamente, nula.

“O produto só vai para o mercado se ele for altamente eficaz, controlar as pragas, ter uma toxicidade lá embaixo e com custo baixo”, explica Hulshof. Isso porque os grandes comerciantes, como supermercados, realizam análises constantes de qualidade.

Foto: Pixabay

ALIMENTO PARA TODOS

Em 2016, a produção agrícola brasileira alcançou 230 milhões de toneladas, sendo um recorde. Nas atuais expectativas, o Brasil irá aumentar cada vez mais sua produção agrícola nos próximos anos, podendo inclusive, alimentar outros países. Isto será possível com grande auxílio da produção realizada com defensivos e fertilizantes químicos, que fornecem bons nutrientes e minimizam pragas. “É igual remédio. Quando a doença aperta, todo mundo procura pelo remédio, o da farmácia. Dá pra evitar, mas não tem como ficar totalmente sem”, compara o engenheiro Hulshof.

Análise de Solo IAC Foto: Marina Campos Gomes

O Doutor Jener Fernando Leite de Moraes, pesquisador científico e engenheiro agrônomo do IAC (Instituto Agronômico), explica que os agrotóxicos existem porque o próprio ser humano destruiu e prejudicou os seus solos. “Nós que provocamos esse desequilíbrio agrícola e facilitamos para as pragas urbanas e agrícolas. Por isso, sempre corremos atrás dos prejuízos que nós mesmos vamos causando”, justifica Moraes.

Os orgânicos podem sim fazer a diferença, segundo dados do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a quantidade de produtores de alimentos orgânicos certificados no país aumentou 123% em quatro anos, sendo um número significativo. Porém ainda é viável somente para pequenas áreas, nas grandes se torna prejudicial até mesmo para o meio ambiente, por conta do alto custo e possíveis desmatamentos. Além disso, quando produzido em larga escala, podem não ter uma inspeção rigorosa e o aparecimento de contaminações próprias do solo e de pragas.

Quando o consumidor vai até o mercado ou até mesmo a uma feira, não se atenta às informações da embalagem. Os rótulos dizem muito sobre os produtos e podem confundir. A realidade, muitas das vezes, baseia-se no ‘olhei, gostei, vou levar’ e quando essa rotina está voltada para uma alimentação saudável, é aí que os orgânicos entram em cena e sem a devida atenção.

O TESTE DA ALFACE

Foto: Pixabay

Para analisar o consumo de orgânicos, Denise Lutgens Rizzo, engenheira agrônoma na Bayer CropScience, unidade de Paulínia, realizou um estudo com a produção de alface orgânica. O objetivo era verificar possíveis pontos de contaminação em propriedades rurais, seus aspectos sensoriais (odor, sabor e visual) e como o consumidor lida com preço, conveniência e presença do selo de certificação orgânica no momento da compra.

Através de várias pesquisas foram encontrados alguns tipos de microrganismos nas alfaces analisadas, sendo que a maioria continha Escherichia Coli (bactéria que pode causar infecção urinária e intestinal), além de Listeria Monocytogenes (que pode causar doenças como meningite).

No estudo da Denise também foram destacados que o consumidor prioriza o preço no momento de comprar orgânicos, deixando o selo de certificação em segundo plano. As palavras mais associadas à esses alimentos são “saudável” e “caro”.

A POLÊMICA DOS TÓXICOS

Laboratório de Análises IAC Foto: Marina Campos Gomes

É claro que os alimentos orgânicos possuem diversas características positivas e nem sempre causam esta contaminação como a alface, mas a ideia de excluir os defensivos químicos pode estar equivocada.

As polêmicas associadas aos agrotóxicos geralmente vem de produtos ilegais. O Brasil sofre com grandes fraudes na agricultura ao lidar com contrabando e falsificadores de defensivos e fertilizantes, esses sim são tóxicos. Fórmulas são feitas sem a realização de testes que garantem a qualidade, possuindo assim, excesso de químicos. A engenheira Denise Lutgens Rizzo, explica como eles tentam lidar com este problema na Bayer. “Os ilegais são um problema crônico, por isso trabalhamos com os poderes públicos para tentar aumentar essa fiscalização, além do treinamento com produtores”.

Quem compra tais produtos, não só pode contaminar pessoas, mas também ser autuado pelo uso ilegal. “É um dos crimes mais absurdos, você falsificar os defensivos e não saber o que está colocando nos alimentos”, expõe Denise.

A Bayer possui cinco unidades de pesquisas no país com elaboração de tecnologias que ajudem o produtor e minimizem os tóxicos. Além disso, todo o processo é fiscalizado por agentes públicos como o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o MAPA para garantir o BPL (boas práticas do laboratório), sendo que a forma como vai ser aplicado no campo deve ser totalmente segura ao meio ambiente, com bons custos e sem danos para o operador.

PONTAS DO SUCESSO

Henrique Lemos em testes de pontas de pulverização Foto: Raíssa Ciccheli

Embora elas sejam bem parecidas em seu perfil de jato e com custo baixo, as pontas de pulverização são essenciais no momento da produção de alimentos. Por existirem vários tipos, muitas vezes os produtores acabam ignorando este equipamento, o que pode comprometer o resultado final.

“Não adianta de nada termos um ótimo defensivo, se não chegar no alvo correto”, explica o engenheiro agrônomo e coordenador de tecnologia de aplicação na Bayer CropScience, Henrique Lemos.

Ele explica que o correto é levar o ingrediente ativo até o seu alvo (ou seja, o jato com produtos químicos direto na área de produção), sempre de uma forma segura para o meio ambiente e para o aplicador. Por isso, existe uma ponta diferente para cada aplicação, diferenciada por suas cores de acordo com a capacidade de vazão.

As pontas devem ser levadas em consideração porque delas dependem toda a qualidade deste processo como: menos perdas por deriva, tamanho e uniformidade das gotas produzidas e distribuição correta.

Uma das dicas é entender que gotas finas realizam uma melhor cobertura e penetram mais no interior das plantas, com a temperatura ideal sempre abaixo de 30º C. Para evitar derivas (espaços do jato e contaminação de áreas que não são o alvo) se deve utilizar gotas grossas.

E não é só aplicar e pronto. Logo após realizar a distribuição no campo, o agricultor deve limpar essa ponta para utilizar em outro tipo de alimento.

Uma coisa é certa, um solo bem cuidado gera um bom produto e, em boas práticas de manejo de nutrientes e conservação do solo, com certeza o Brasil se destaca. De acordo com o Relatório elaborado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil pode ser o maior produtor de alimentos do mundo, com aumento da produção de até 40% até 2020.

Mas para isto acontecer com eficiência, precisa-se de produtores conscientes, fiscalizações corretas e consumidores atentos ao alimento que compram e que consomem, principalmente aos rótulos. Dessa forma, a produção brasileira poderá caminhar com os dois aliados: orgânicos e defensivos agrícolas.

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Raíssa N. Ciccheli

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