Dengue ‘castiga’ Limeira

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Nos últimos meses o estado de São Paulo vem sofrendo com surtos de dengue em várias cidades. O município de Limeira ganhou destaque na mídia nacional por causa da epidemia de dengue e dos procedimentos adotados pela Prefeitura no combate ao avanço da doença. Esse tipo de situação encontra, além de impedimentos legais, fiscalizados pelas autoridades estaduais e federais, dificuldades no dia a dia, seja para as pessoas comuns ou para as empresas de saúde, bem como para a própria Prefeitura.

A Prefeitura, aliás, sentiu a gravidade da situação com o enorme número de afastamentos por dengue no quadro de funcionários e servidores municipais. Em levantamento feito pela Divisão de Gestão de Pessoas, de janeiro de 2014 até o início de abril desse ano, a Prefeitura teve um total de 596 servidores afastados, com uma média de 5,6 dias por funcionário. Quadro que obrigou as Secretarias Municipais a se arranjarem de acordo com a disponibilidade no decorrer dos meses.

A SITUAÇÃO DOS HOSPITAIS DA CIDADE

Limeira conta com hospitais de convênios particulares e também com hospitais mantidos pelo SUS. Todos foram obrigados a tomar medidas emergenciais para atender a população durante a epidemia da dengue. Nas semanas de pico, entre fevereiro e março, o setor de pronto atendimento de alguns desses hospitais chegou a registrar aumento diário no atendimento de até 325%.

Para absorver e amenizar a situação foram criados centros exclusivos de hidratação e atendimento para pacientes com suspeita de dengue. Segundo as administrações dos hospitais particulares, dois deles ampliaram as áreas de atendimento e criaram setores exclusivos para esse tipo de paciente, e não descartam a possibilidade de tomar essa ação novamente, caso seja necessário.

A Prefeitura instalou em um posto de saúde o que ficou conhecido como “Hospital da Dengue”. Nesse período os médicos do SUS, após medicarem os pacientes, acabaram encaminhando a maioria dos casos para esse hospital, que foi desativado dia 30 de abril. No mesmo período a Secretaria de Saúde da cidade modificou a maneira de lidar com a doença para tentar minimizar a disseminação do vírus. No dia 14 de fevereiro foi determinado, por meio do Jornal Oficial do Município, que todos os pacientes com sintomas que dessem margem a suspeita de dengue deveriam ser afastados de seus trabalhos por no mínimo sete dias.

A JUSTIÇA INTERVÉM

O Ministério Público, no dia 19 de março, entrou com uma ação pedindo, entre outras coisas, o afastamento do Secretário de Saúde de Limeira pelo prazo de 60 dias, alegando que o município não estava dando atenção suficiente ao assunto, uma vez que os casos estavam aumentando de modo preocupante. No dia 20 a Justiça decretou o afastamento do Secretário, que, devido a uma liminar judicial, retornou ao cargo no dia 30 do mesmo mês.

AS PESSOAS SOFREM NA PELE E NO BOLSO

Dentro desse cenário conturbado estão também as farmácias e as pessoas seguindo suas rotinas. Elaine Landgraf chegou ficar afastada do serviço por sete dias por conta da dengue e mais quatro dias para cuidar de seu filho de cinco anos, que também sofreu com a doença. “Cheguei a gastar mais de duzentos reais com remédios e repelentes”, afirmou. As três principais redes de farmácias da cidade também receberam um grande número de pessoas em busca de tratamento, e, principalmente, prevenção. Segundo um dos gerentes, o aumento da venda de repelentes chegou a 300%. Em outra rede a gerente afirmou que lotes de mil frascos de uma marca famosa de repelentes eram vendidos em no máximo três dias. O preço desses itens chegou a subir 20%, em consequência da demanda.

Segundo os hospitais atualmente a situação está menos grave. No entanto, a Vigilância Epidemiológica de Limeira informou que de dezembro de 2014 até o início de abril deste ano os números oficiais eram de 22.493 casos suspeitos de dengue, 7.464 casos confirmados e 14 mortes em decorrência da doença.

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Joanan de Oliveira Batista

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