Despesas com carro levam a busca por alternativas

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Depois de vender seu carro, Liliana finalmente conseguiu realizar o sonho de reformar a casa

O cenário atual da economia não inspira confiança no setor automobilístico, mas alguma pessoas tem mais que motivos financeiros para deixar o carro na garagem ou até mesmo abrir mão dele. Segundo dados divulgados pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no início de maio foram emplacados 162.915 automóveis, entre comerciais leves e veículos pesados. Em 2015, 219.360 unidades foram emplacadas neste mesmo período do ano. A venda de veículos 0KM teve queda de 25,7% mês passado, comparando com abril de 2015.

O momento de instabilidade econômica traz a um motorista alívio por ter aposentado há 3 anos. Quando descobriu um câncer no pulmão, o ex-caminhoneiro Osmir Leite, 54, resolveu mudar de vida. Decidiu dar o carro para os filhos e encontrar novas maneiras de deslocar-se. O motorista relata que utilizava o veículo até para cumprir tarefas no mesmo quarteirão de sua casa. De acordo com Osmir, o comodismo sobressai sobre a saúde no dia a dia. “Quando eu soube da doença me culpei pelos cigarros e sedentarismo. Percebi que meu maior inimigo era a preguiça. Vender o carro foi simbólico no início, mas depois entendi que estava mudando meu estilo de vida”, relata o aposentado. Hoje, ele reconhece mudanças significativas como: aumento da capacidade pulmonar e maior disposição para os afazeres diários. Atualmente o ex-caminhoneiro entrou em um cursinho para prestar o vestibular e o câncer foi caracterizado no estágio de remissão completa, ou seja, não a evidências em que ele esteja totalmente curado, porém, não há vestígios da doença.

A consultora financeira pessoal Rayla Bacetti, 28, aconselha a utilizar o veículo apenas nos finais de semana. “Além dos gastos com combustível, é necessário levar em consideração as despesas com pneus, manutenção, pedágios e seguro por exemplo. Deixar o carro na garagem pode te trazer uma economia de centenas, senão, milhares de reais.” De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a média de preços em Piracicaba para o etanol é de R$ 2,665 em abril. No caso da gasolina, o preço médio é de R$ 3,568. “Se você possui algum carro com um valor de aproximadamente 30 mil reais, seu gasto anual com ele gira em torno de 7 mil reais ao ano, sem contar as parcelas do veículo – caso as tenha – e multas de trânsito”. Para calcular as despesas do seu automóvel, deve-se observar diversos fatores. Levando em consideração um automóvel popular de 30 mil reais, a consultora enumera alguns itens. “Considere o seguro obrigatório, e caso more em uma cidade razoavelmente grande, o seguro opcional. Além disso temos o IPVA, que corresponde a 4% do valor do carro, o gasto com pneus que varia de acordo com o mercado, mas custa algo em torno de 350 reais. Também temos a manutenção, onde caso o carro não tenha grandes problemas elétricos ou mecânicos, ainda assim você terá que desembolsar cerca de 750 reais com pequenos reparos, troca de óleo, bateria e manutenção preventiva. Muitos clientes meus se decepcionam com estes números.”

Por estes e outros motivos, a cabelereira Liliana Filipinni, 47, finalmente conseguiu quitar suas dívidas com o banco e ter uma condição melhor de vida. “Eu tinha um carro que vivia me dando problemas, além dos gastos rotineiros. Depois que comecei a andar de bicicleta, consegui reformar minha casa, trocar os móveis da casa e não tenho deixado de viajar nenhum ano. Meu salão é na minha casa, não preciso de um carro. Sou solteira e sem filhos, quando saio com minhas amigas pedimos um táxi ”, conta a sorridente cabeleireira.

Quando soube do cálculo de 7 mil reais gastos anualmente em um carro  pela consultora Rayla, Liliane não ficou surpresa. “Eu gastava um pouco menos, pois eu tinha um automóvel antigo. Porém, me dei por conta que a longo prazo eu não só havia quitado o veículo, mas também o estava pagando de novo”.

Apesar de não se arrepender da troca, Liliana queixa-se da pouca quilometragem de ciclovias na cidade e pelas rotas bem específicas dos trajetos. “Se você não estiver passeando na Rua do Porto ou por aquela região, você tem que pedalar no acostamento, o que é muito perigoso em dias de chuva ou com compras na cesta”. Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Semuttran), as vias voltadas para ciclistas no município possuem 11,6km de extensão, entre ciclovias e ciclofaixas.

Dentre todos os gastos, a consultora finaliza. “O maior prejuízo de um automóvel é a depreciação após a compra. Salvo veículos de exposição ou raridades, após a compra o carro sempre custará menos quando você for vendê-lo. Um veículo de 30 mil reais teria seu valor reduzido em cerca de 10% apenas nos primeiros anos”, conclui Bacetti.

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guilhermepires

Cursando o segundo semestre de jornalismo na UNIMEP

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