Encontro de Tropeiros de Cerquilho prioriza redescoberta da família e da tradição

Integrantes do grupo de tropeiros e cavaleiros de Cerquilho querem despertar nas crianças de primeiro e segundo ano do ensino fundamental um sentimento saudável quanto a origem do movimento. Ações voltadas às crianças foram executadas de 21 a 23 de setembro durante o 6º Encontro de Cavaleiros e Tropeiros na cidade.

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A festa reuniu cerca de 200 pessoas no Centro de Eventos de Cerquilho. Foto: Bruna Pires

Em busca de um redescobrimento da cultura tropeira, que originou muitas famílias cerquilhenses e diversas outras da região, os organizadores buscaram neste ano reproduzir fielmente a cultura tropeira. Este esforço pode ser observado na cartilha que a Associação Cultura Tropeira de Cerquilho (ACTC) organizou e distribuiu em escolas da cidade juntamente com palestras e representantes do movimento.

Eder Grando, coordenador geral do encontro explica que a cartilha oferecida nas escolas é educativa e cultural, pois conta com detalhes ricos como textos e ilustrações para colorir. Dentro do pequeno almanaque, que foi produzido por historiadores da prefeitura cerquilhense em conjunto com a ACTC e Secretaria de Educação e Cultura, é possível conhecer bastante o tropeirismo, suas origens, o porquê da forte influência gaúcha, os costumes e muitas outras curiosidades.

Para Natale Constantino, nascido e criado em família tradicional e entusiasta do movimento, ser tropeiro antes de tudo é um dom. “Você tem que ter inclinação. Aí você vai montando num cavalo, lidando com a terra, até que um dia você vira parte disso (do tropeirismo)”.

“A cultura, a vestimenta e o respeito pelos animais também são fatores decisivos e quem tem grande importância na vida do tropeiro”, afirma Luis Rodrigo Ferraz, veterinário especializado em cultura de equinos.

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Natale Constantino (à esquerda) e Luis Rodrigo Ferraz se consideram tropeiros desde o momento em que nasceram - Foto: Bruna Pires
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Instrumentos e artigos antigos e tradicionais apresentados no "Míni-Museu do Tropeiro" - Foto: Bruna Pires

Os representantes do grupo de Tropeiros também comentaram a famosa tropeada, que acontece todo ano em maio, saindo de Itararé, numa caminhada de aproximadamente 5 dias até Sorocaba em lembrança ao caminho que os antigos desbravadores do estado faziam.

Além da tropeada, a ACTC tem projetos para aumentar o conhecimento tropeiro na cidade. Eder explica que há um plano em andamento para uma escolinha de berrante, onde crianças aprenderiam a tocar instrumento típico. O coordenador se vangloria de já ter atingido o sucesso com a reivindicação de que Cerquilho se torne a “Cidade das Rosas e dos Tropeiros”.

Apresentações Culturais marcam a Festa dos Cavaleiros e Tropeiros

Durante o evento realizado no sábado, 22, no Centro de Eventos Cidade das Rosas, houve a apresentação do grupo Herança Nativa, que interpretou danças típicas gaúchas, Natale Constantino e seu berrante e a banda Matte Seco.

A programação também previa o grupo de Violeiros da cidade de Boituva, que de última hora, não puderam se apresentar no evento por motivos não esclarecidos.

José Antonio Ramos, idealizador do grupo Herança Nativa de Salto de Pirapora e descendente de gaúchos explicou que seu projeto é mais do que apenas um conjunto de dança. Segundo ele, o maior intuito é recolher jovens presos no mundo das drogas e reunir a família.

O grupo já tem 10 anos e auxíliou mais de mil pessoas que já passaram pelo projeto. Foto: Bruna Pires

“Com o campeirismo você resgata sua cultura, pois adquire valores corretos. Nosso movimento é antes de tudo um resgate à família”, afirmou José, apresentando a equipe formada por 16 casais e diversas crianças.

Há 10 anos se apresentando, o coordenador do Herança Nativa disse que mais de mil pessoas já passaram pelo grupo, e que mesmo com a função filantrópica de ajudar jovens carentes com atividades culturais e encaminhá-los para o mercado de trabalho, o principal ainda é fazer da dança algo divertido e cultural.

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