ESTUDANTES DA UNIMEP VISITAM ASSENTAMENTO EM PRADÓPOLIS

 

Alunos da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) visitaram, nos dias 7 e 8 de novembro, o assentamento rural Horto Florestal Guarani em Pradópolis (cerca de 315km de São Paulo), próximo a Ribeirão Preto. Cinquenta e três universitários de dez cursos foram levados gratuitamente ao assentamento pelo NEPEP – Núcleo de Estudos e Programas em Educação Popular.

De acordo com o site da Unimep, o foco de ação do projeto é oferecer aos alunos uma oportunidade de aproximação à realidade vivida pelos assentados. Para tanto, os selecionados realizaram um trabalho comunitário e social, que aliado às suas respectivas formações, deve contribuir para o desenvolvimento da comunidade.

Conforme dados do ITESP – Instituto de Terras de São Paulo, o projeto de assentamento teve início em setembro de 1998, e cobre uma área total de 4 mil hectares com 274 lotes. Legalizado pelo INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, seus moradores defendem um modelo social e econômico baseado no uso da terra para a subsistência de maneira consciente.

[Horto Florestal Guarani. FOTO: Ingrid Belfante]
Atividades realizadas

Os serviços prestados pelos alunos foram distribuídos de acordo com suas respectivas áreas de atuação, supervisionados por professores. Os estudantes de Jornalismo realizaram a cobertura do programa de extensão, através de filmagens e entrevistas. Já os estudantes de Biologia palestraram sobre agronomia e os perigos da fauna local. Os estudantes de Pedagogia trabalharam na recreação educativa, enquanto os alunos de Odontologia aplicaram flúor e orientaram sobre saúde e higiene bucal – ambos voltados às crianças. Testes vocacionais estavam disponíveis, organizados pelos alunos de Psicologia. Houve ainda a oportunidade de orientação jurídica pelos alunos de Direito.

Dentre os estudantes de cursos voltados a saúde, testes de glicemia, aferição de pressão arterial e alongamentos estavam entre as atividades realizadas. Estes também orientaram os assentados contra a automedicação, combate a dengue, quanto à prevenção do câncer de pele, hipertensão arterial, colesterol, câncer de mama (campanha Outubro Rosa) e câncer de próstata (campanha Novembro Azul), bem como ofereceram dicas sobre alimentação.

Uma equipe realizou um levantamento de dados a respeito dos assentados, como peso, estatura e medicamentos utilizados. As informações adquiridas serão apuradas pela coordenação do NEPEP, para que se tenha uma estimativa de como vivem os moradores do Horto Guarani.

[Alunos em atividade – dia 7 de novembro. FOTO: Ingrid Belfante]

Relatos de campo

Para as estudantes Ingrid Belfante e Ingrid Domingues, que cursam Fisioterapia, a experiência foi de grande contribuição para todos os envolvidos. “Eu queria muito ajudar outras pessoas, poder dialogar e conhecer outro lado”, disse Domingues. “Além de ajudar as pessoas, gostaria de saber como é o assentamento em si”, conta Belfante.

Segundo relatos das alunas, alguns fatos em particular se destacaram durante os dois dias do programa de extensão. O primeiro deles envolveu uma menina de 11 anos que guiava uma moto. Ela sofreu um acidente, foi socorrida pelos alunos e precisou ser levada pelo SAMU.

Outro foi receber relatos de assentados quanto ao preconceito e discriminação por eles sofridos. Isso se evidencia a cada ida até as cidades da região. Na escola, as crianças do assentamento têm suas salas separadas dos demais.

“Os líderes do assentamento são instruídos, representam muito bem”, considera Belfante. “Eles todos têm uma forte história de vida, e nós voltamos de lá com outra visão. Com isso aprendemos a agradecer o que temos”, conclui Domingues.

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