Exposição de arte sacra pode ser vista até domingo

Até o dia 27 de outubro, a exposição Oratórios: Relíquias do Barroco Brasileiro, realizada pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez, estará no Museu Histórico Paulo Setúbal, em Tatuí. As obras sacras fazem parte do acervo itinerante do Museu do Oratório, localizado em Ouro Preto, Minas Gerais. O museu itinerante conta com 60 oratórios, mas cerca de 40 estão expostos no Museu Paulo Setúbal.

O Museu do Oratório (Ouro Preto) e o Museu de Artes e Ofícios (Belo Horizonte) – e ainda o Museu de Sant’Ana que será inaugurado em 2014 (Tiradentes) – foram criados por Angela Gutierrez, fundadora e presidente do Instituto Flávio Gutierrez. Angela é empresária, ex-secretária de Cultura de Minas Gerais e colecionadora de arte. Aos 14 anos ganhou do pai seu primeiro oratório – aquele que despertaria o apreço dela por esse tipo de arte. Ela adquiriu uma grande coleção de oratórios e sua ideia era instalar o conjunto em espaço público, criando assim os museus em Minas Gerais. Mas quem não pudesse ir até minas não usufruiria de tal acervo artístico, então ela decidiu disponibilizar algumas peças para um museu itinerante.

Segundo Vera Fernandes, coordenadora da exposição no Museu Paulo Setúbal, os oratórios ajudam a contar a história do Brasil através da relação do homem com a sua religiosidade. “Os oratórios carregavam a história da família, por isso a importância deles”, conta. Entre os tipos de oratórios que estão expostos no museu, há os afro-brasileiros, nos quais dá para ver o sincretismo religioso causado pelo choque de religiões entre os escravos e os senhores de engenho; há os lapinha, oratórios que retratam sempre dois momentos da vida de Jesus: o nascimento e a crucificação; há o oratório com a imagem de Santa Bárbara; e o famoso “santo do pau-oco”, santos que eram deixados ocos por dentro para poderem levar ouro e pedras preciosas para fora do país sem causar suspeita; entre outros.

Um dos oratórios que mais chamam a atenção é o da imagem de Nossa Senhora da Conceição, que foi entregue pela própria Angela Gutierrez ao Papa João Paulo II, quando ele veio ao Brasil em 1997. Esse oratório fazia parte do acervo permanente, mas como o Papa Francisco veio este ano ao país para a JMJ (Jornada Mundial da Juventude), e como a exposição do acervo itinerante estava no Rio de Janeiro, Angela acrescentou o oratório ao museu itinerante.

Vera Fernandes conta que por duas vezes estava programada a visita do Papa ao Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, mas essa visita acabou não acontecendo. “Mas a gente ganhou com isso. Esse oratório vai fazer sempre parte da exposição temporária”, confirma a coordenadora da exposição. Diego Santos, educador do museu, comenta sobre a perspectiva materialista e espiritual dos oratórios e que além de peças religiosas, eles são obras de arte. “Os oratórios são peças que tem uma finalidade espiritual. A arte é um meio de você engrandecer uma imagem. Você cria o que está dentro de você”, finaliza Diego.

SERVIÇO

TERÇA A SEXTA, DAS 8H30 ÀS 18H30

SÁBADO, DOMINGO E FERIADO, DAS 9H ÀS 17H

MUSEU HISTÓRICO PAULO SETÚBAL

PRAÇA MANOEL GUEDES, 98 – CENTRO – TATUÍ-SP

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