Exposição de Lílian Françoso celebra o Dia da Consciência Negra

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Lilian Françoso é piracicabana, loura e tem a pela clara. Mas na última terça-feira, 20, Dia da Consciência Negra, a artista plástica mostrou um pouco de sua origem e sua ancestralidade africana na exposição “África Negra”, na Biblioteca Municipal. A artista, que iniciou sua carreira em 1997, vem aperfeiçoando sua técnica e conquistando cada vez mais espaço no mundo das artes.

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"Afra" - óleo sobre tela, 120x90cm. Foto: Aline Soriani

Em sua exposição “África Negra” a artista tem como principal objetivo mostrar o lado poético da África, o lado belo da cultura, culinária, crenças e etnias, que muitas vezes são esquecidas quando comparadas aos problemas enfrentados pelo povo africano; e também desmistificar e quebrar as barreiras do preconceito contra a cultura e crenças africanas. “A minha preocupação é essa. Eu, como artista plástica, eu quero trabalhar o bonito, o belo” diz Lilian.

A preocupação com a sustentabilidade, com a natureza, e com questões sociais é o ponto forte na exposição, e na maioria dos trabalhos da artista. O uso de materiais como grama e barro está presente em grande parte das esculturas, principalmente nas máscaras, que se aproximam daqueles feitas com esterco pelos africanos.

"Sincretismo" - óleo sobre tela, 80x80cm. Foto: Aline Soriani

A artista, que pesquisou por três anos a fundo sobre a cultura africana para fazer a exposição, acredita que todo o indivíduo, principalmente no Brasil, tem uma ligação muito forte com a África. Inclusive ela, que em seu quadro intitulado “Afra”, retrata sua tataravó, que era negra e foi escrava. “Já faz um tempo que eu vinha estudando e trabalhando essa questão de fazer, em algum período, uma exposição focada na cultura africana, porque são elos que nós trazemos, todos temos uma ligação forte com essa cultura” diz a artista.

A exposição também tem quadros que retratam os povos Mursi, Massai, a simbologia africana dos Adinkras, entre outros.

 

A simbologia Adinkra

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"Adrinkras - Símbolos Africanos" - painel em lona, 240x240 Foto: Aline Soriani

Lilian retrata, em um painel de lona, de 240x240cm o conjunto de símbolos usados para preservação e transmissão de ideias em países da África no século XVI, os adinkras. Tais símbolos foram desenvolvidos pelos “akan”, um grupo presente nos países do oeste da África, como Gana, Costa do Marfim e Togo.

Os adinkras, que normalmente eram produzidos em tecidos de algodão e impressos com tintas especiais, feitas com cascas de árvore, hoje são documentos importantes que ainda transmitem o conhecimento dos akan para a sociedade atual.

 

O Dia da Consciência Negra

Em parceria com a Prefeitura do Município de Piracicaba, a Biblioteca Municipal realizou várias atividades em comemoração à data, no espaço interno da biblioteca, “Anfiteatro Alceu Maynard” e no espaço externo “Praça Cacilda Cavaggione”. No evento houve exposições de trabalhos das escolas “Profª. Érica Gobbo Carlos”, “Profª Mariade Lourdes Fuzzetti Lorenzi” e “Prof. Milton Rontani”, contações de histórias, apresentações de grupos de Samba de Lenço, Rap, Maracatu, Capoeira e Jongo, entre outros.

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Aline Soriani

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