Falta de estrutura e preconceito: maiores adversários das atletas femininas

Atleta da equipe piracicabana de basquete. (Foto Marina Mattus)
Atleta da equipe piracicabana de basquete. (Foto Marina Mattus)

 

A falta de investimento no esporte é uma das duras realidades brasileiras. Falta de estrutura dos clubes e uma mínima parcela investida no esporte local pelas prefeituras refletem a realidade dos atletas que cada vez mais mantêm-se no esporte apenas por amor ao que fazem. A dificuldade ainda maior está nas modalidades femininas, que ainda enfrentam o preconceito e a falta ainda maior de investimentos público e particular.

Em Piracicaba não é diferente. Os investimentos realizados na área esportiva são desiguais entre as equipes femininas e masculinas, além da dificuldade de formar parcerias com patrocinadores. Para o técnico Ariel Rodrigues, da equipe feminina profissional do XV de Piracicaba, esta falta de apoio financeiro pode ser explicada pela falta de resultados mais expressivos. “As empresas olham com um pouco de desconfiança quando se fala em basquete feminino”, resume.

Além do basquete feminino, outras modalidades enfrentam dificuldades. No país do futebol, a modalidade feminina não encontra tanto prestígio. Segundo a goleira do time profissional da cidade, Jéssica Ferreira, o Brasil não abraça o futebol feminino como o masculino por conta de preconceito. Para ela, vivemos em uma sociedade machista, que ainda não encara o futebol feminino como um esporte de alto rendimento. “Não só em Piracicaba, mas em todos os times que joguei, encontramos dificuldades e tentamos superara-las com o amor que temos ao esporte”, completa a jogadora, que representa um dos maiores times do interior de São Paulo. Por conta da falta de profissionais, a equipe feminina do Xv de Piracicaba conta somente com técnico e preparador de goleiros.

Além da desvalorização financeira, o setor feminino ainda briga por um maior espaço na mídia. “Raramente você encontra exposição de jogos femininos na televisão”, cita Janaína Braz, atleta da equipe de futsal do Xv de Piracicaba. Para a jogadora, a grande questão da falta de investimento no esporte feminino é a mídia, pois em sua opinião as empresas procuram investir em esportes com grande visibilidade.

O investimento em todos os setores do esporte está longe de ser realidade no Brasil, que não julga como prioridade a infraestrutura de seus atletas.  Para a jogadora de basquete feminino de Piracicaba, Érika Leite, hoje o esporte para ela é apenas um caminho para conseguir finalizar seus estudos. “Acredito que os clubes, ou as pessoas que investem precisam acreditar que o esporte não é só uma torcida, ou uma pessoa correndo atrás de uma bola, para muita gente é uma profissão, para muita gente tira da rua, muda a vida, muda a história” completa Érika. A Secretaria de Esportes de Piracicaba foi procurada, mas não retornou.

 

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