Falta de segurança em frente às escolas revolta pais e motoristas

Nos portões das escolas é comum ver motoristas desrespeitando as leis de trânsito - Foto: Carol Ribeiro

A imprudência de trânsito em frente às escolas nos horários de entrada e saída dos alunos, vem sendo motivo de constantes reclamações por parte dos pais e também de outros motoristas. Em uma apuração realizada em horários de saída (entre 17:30 e 18:20) de três escolas de Piracicaba, os desrespeitos ao Código de Trânsito Brasileiro, foram justificados pela pressa dos motoristas. Por esse motivo, param em fila dupla para o aluno embarcar e atrapalham a passagem dos outros carros, estacionam em locais de parada proibida e a mais comum, param sobre a faixa de pedestre. No caso dessas infrações, a punição é a mesma: considerada grave, com multa e remoção do veículo, além da perda de cinco pontos na carteira de habilitação.

Nas escolas estaduais Profª Mirandolina de Almeida Canto e Pedro Moraes Cavalcanti e na particular Colégio Salesiano Dom Bosco Assunção, vários motoristas repetiram os mesmos erros, mesmo conhecendo as regras. Circular pela área escolar em velocidade superior à máxima permitida na via, não permitindo que os alunos atravessem em segurança na faixa de pedestre é um fato bastante criticado. É o caso da aposentada Rosana da Silva, que leva a pé, a filha e a sobrinha em duas escolas diferentes. “Não tem nenhum guarda ou funcionário da escola para atravessar as crianças na faixa e teve uma época que a própria mãe de um aluno tinha que ficar controlando a bagunça de carros lá na frente. Eu levo e busco minha filha de 13 anos todos os dias, porque mesmo junto aos pais, os motoristas não respeitam, imagine uma criança sozinha.”

Veículos parados sob a faixa de pedestre dificultam a passagem de alunos – Foto: Carol Ribeiro

Outro ponto bastante citado pelos pais dos alunos é o da falta de segurança das vans escolares. Ao transitar por diferentes trechos da cidade, as vans geralmente chegam atrasadas e não conseguem estacionar próximas aos portões das escolas, fazendo com que os alunos tenham que atravessar a rua sozinhos para chegar até elas.

O vendedor Cláudio (não quis dizer o sobrenome), que estacionou o carro em local proibido em uma das escolas visitadas pelo Sou Repórter, assume o erro, mas acusa as vans de causarem maior parte do transtorno. “Estaciono na faixa amarela porque é o único lugar livre, se ficar procurando vaga todo dia perco meus horários de outros compromissos. Todos reclamam disso, mas ninguém vê o que as vans fazem. Se fica todo esse congestionamento, é culpa delas. Os motoristas mal fecham a porta e já saem correndo, tanto que, outro dia vi a porta de uma delas abrindo com o veículo em movimento, faltou pouco pra uma criança cair de lá”, afirmou o vendedor.

Forma de organização

Uma observação interessante foi que na escola Pedro Moraes Cavalcanti, que faz uso do ônibus escolar, o fluxo de carros é bem menor e, consequentemente, o número de infrações é reduzido. Aos cuidados da Prefeitura Municipal, a escola recebeu cinco veículos, que se dividem entre várias linhas pelos bairros mais próximos. Iniciada em 1980, quando o bairro onde está localizada ainda era considerado Zona Rural (e de difícil acesso), hoje, aproximadamente 345 alunos fazem uso dos ônibus, segundo informação da própria secretaria.

Ônibus escolar: diminuição do fluxo de carros e maior organização - Foto: Carol Ribeiro

Atualmente, Piracicaba possui 241 mil veículos, sendo 360 mil o número de habitantes, ou seja, para cada três habitantes, existem dois veículos, segundo informações da Secretaria Municipal de Transportes. O resultado dessa grande frota de veículos é apontado pela Ronda Escolar como causa de tantos transtornos pelas ruas da cidade, inclusive em frente às escolas.

Segurança: O lado da Ronda Escolar

A Ronda Escolar possui atualmente vinte policiais divididos em cinco equipes no período matutino e outras cinco no vespertino, revezando a patrulha entre as 66 escolas estaduais da cidade (dado obtido através do site da Diretoria de Ensino). Seguindo um roteiro de patrulhamento diário, realizam também a “Operação Escola Segura”, na qual todas as viaturas se unem nos horários de entrada e saída de uma determinada escola para prevenir possíveis crimes, infrações e brigas, realizando orientações e abordagens.

Segundo o soldado da Polícia Militar que também faz a ronda, Vinicius Queiroz, o principal objetivo da PM é garantir a integridade e a ordem da comunidade, coibindo crimes e ações prejudiciais à segurança dos cidadãos e, mesmo que sendo de competência da Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte), acabam aplicando multas aos infratores. “Nossa prioridade são as escolas públicas estaduais e a Guarda Civil Municipal de Piracicaba atua nas escolas públicas municipais. Nas escolas particulares, efetuamos apenas patrulhamento externo e também no atendimento de ocorrências quando somos solicitados”, afirmou Queiroz ao Sou Repórter.

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Carol Ribeiro

Aluna de Jornalismo da UNIMEP

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