Família Acolhedora, o que é e como ser uma

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Um projeto que salva crianças e as encaminham para um futuro melhor.

Em Piracicaba, um projeto conhecido como Família Acolhedora, que já conta com 15 famílias, foi implantado com o objetivo de proporcionar o acolhimento familiar a crianças e adolescentes com a necessidade de afastamento temporário de sua família por determinação social. Em entrevista, ocorrida no dia 17 abril as dirigentes do projeto Patrícia Fernanda, Claudia Regonha Suster e Priscila Zanardo falaram sobre o acolhimento de crianças e adolescentes em situações de violação de direito.

O tema está sendo discutido tanto no campo do desenvolvimento de políticas públicas quanto no meio cientifico acadêmico. Para resolver a situação de lotação de lares adotivos e abrigos de crianças e adolescentes retirados da família de origem por decisão judicial, foi implantada uma nova forma de paternidade que permite que crianças recebam mais do que o acolhimento de um abrigo público. Mesmo compreendendo que a convivência será temporária, sendo o tempo máximo de dois anos, casais propõem-se a cuidar destas crianças e adolescentes até que eles possam voltar a sua família de origem ou extensa (como parentes que não são de primeiro grau) ou serem encaminhadas a uma família substituta (adoção).

A Família Acolhedora iniciou como um projeto em 2013. Sua coordenadora, Patrícia Fernanda, relata a trajetória para que o serviço fosse implantado na cidade. Conta que sua participação em outro projeto gerou contatos que tinham interesse em implantar o programa e assim compartilharam suas propensões para que Piracicaba tivesse um serviço de acolhimento familiar.

Em 2009 houve a primeira tentativa de instaurar esse programa, mas na época, a secretaria municipal de desenvolvimento social (Semdes) entendeu que ainda não era o momento. Em 2013, outra gestão da secretaria decidiu fazer a implantação em Piracicaba.

A coordenadora psicológica do projeto descreve que começou a trabalhar visitando outras cidades que já tinham o programa há muitos anos, como Campinas e Franca. A Pasca (Pastoral do Serviço da Caridade) apareceu como uma possibilidade de desenvolver o projeto para que o serviço tivesse um bom resultado, por ser uma entidade que já possuía alguns trabalhos que tinham convênios com a prefeitura.

Da esquerda para direita, Patricia Fernanda, Claudia Suster e Priscila Zanardo

A implantação oficial ocorreu em 12 de outubro de 2013. De outubro a dezembro houve o primeiro processo de capacitação, realizado pela Semdes. Em janeiro de 2014 a Pasca estabeleceu parceria com o programa. Em maio de 2014 o primeiro acolhimento foi registrado na cidade.

Uma das questões que os cidadãos levantam é a possibilidade de a família acolhedora adotar a criança. Patrícia diz que “a possibilidade de uma Família Acolhedora adotar a criança não existe judicialmente, pois há um impedimento legal neste ponto. A guarda que as Famílias Acolhedoras recebem é uma guarda provisória com fins de acolhimento familiar. Se a família tem interesse em adoção, ela tem que entrar em outro processo e não neste serviço”.

Priscila Zanardo informa como se inscrever nesse projeto: “Qualquer família pode se inscrever. Começa com um contato telefônico, em que agendamos um horário para explicar como o projeto funciona. Se a família quiser retornar, passamos toda a documentação necessária, e em segundo momento fazemos uma visita domiciliar, onde todos os familiares estão presentes para saber se estão a favor do acolhimento e inicia-se um atendimento individual com cada membro da família para podermos começar a capacitação. Esta capacitação tem em media oito encontros, dependendo de cada grupo, com temas explorados e alguns temas fixos”.

Os requisitos estabelecidos por lei municipal para uma família se tornar acolhedora são: residir no município de Piracicaba sem perspectiva de mudanças por até três anos, ser maior de 25 anos e ter uma diferença mínima de 16 anos com a criança acolhida, possuir boa saúde mental e física, não possuir membros da família com problemas psiquiátricos ou dependência alcoólica e outras drogas, não ter interesse na adoção de crianças e adolescentes integrados no programa, não estar inscrito na lista de pretendentes a adoção, possuir disponibilidade. Todos os membros do núcleo familiar devem estar de acordo.

“Nos não entendemos famílias como aquela tradicional que é o pai, a mãe e os filhos. Há vários arranjos de famílias que encontramos em nossa sociedade. O importante é que seja um arranjo permeado pelas opções que caracterizam uma família, independente de como seja”, menciona Patrícia Fernanda.

Esse projeto foi criado para as crianças e adolescentes de 0 a 18 anos, que estejam em medida protetiva, conforme Art. 101, inciso VIII do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. A lei 12.010/2009, que em seu artigo 19, parágrafo 2º, determina que a permanência da criança em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de dois anos.

Mãe e filha brincam em visita na Pasca (créditos: Gabriela Martins)

Em entrevista, uma mãe que teve sua filha retirada para poder se reerguer conta que foi muito difícil. Mas que isso a ajudou a poder se reorganizar, a cuidar melhor da pequena depois. Ela diz “A Família Acolhedora me deu apoio, moral e estrutura também. Me mostrou o que eu estava fazendo de errado, me ajudou a procurar um emprego, a entender que isso era certo.” Hoje essa mulher, que já está prestes a receber sua filha definitivamente de volta, quer se tornar uma Família Acolhedora e ajudar outras mães como ela.

Depoimentos de famílias acolhedoras:

Vanessa Carfin: “Família acolhedora é crer em um proposito maior de vida, é amar. É colocar em prática o amar como a ti mesmo”.

Alexandre Rubens: “Família acolhedora é amar uma pessoa que ainda nem conhecemos direito, e manter esse amor por toda vida mesmo quando ele (a) vai embora. Quando temos uma criança, a família fica mais unida. Ser família acolhedora é amar mesmo sabendo que um dia a criança irá embora”.

Fernanda Lima: “Ser uma família acolhedora é oferecer uma nova chance de vida. É criar alguém que não carrega o mesmo sangue. É dignificar toda raça humana. Não existe no mundo, motivo mais forte que ajudar alguém. Amparar! Ser família acolhedora é cuidar sem receio, é dar beijo de boa noite. É chorar se necessário e é transformar o planeta dessa criança num local florido com verdade e amor. Ser família acolhedora é o sorriso da vida!”.

João Souza: “Ser família acolhedora é seguir o mandamento que o nosso Senhor nos deixou, que é amar o próximo como Ele mesmo nos amou”.

Depoimento de uma mãe adotiva: “Pra mim foi maravilhoso meu filho vir de uma família acolhedora, pois ele veio cuidado e cheio de amor, sinto pela família que o acolheu muita gratidão, pois amaram e amam meu pequeno anjo”.

 

No vídeo a seguir, o Café Morro Grande fez uma visita em um dos programas de interação entre Familias Acolhedoras de Piracicaba e mostraram um lado não visto.

 

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Gabriela Martins

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