Famílias em área verde de Piracicaba reivindicam moradias

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Área verde ocupada no bairro Santo Antônio em Piracicaba - SP  (Foto: Raquel Soares)

Área verde ocupada no bairro Santo Antônio em Piracicaba – SP (Foto: Raquel Soares)

Devido a impossibilidade de pagar aluguel, várias famílias ocuparam uma área verde no bairro Santo Antônio na periferia de Piracicaba – SP, em março de 2015. Dias depois da invasão uma operação da Prefeitura com a Guarda Municipal e o Pelotão Ambiental derrubou aproximadamente 13 barracos.  Outras moradias restaram no local, mas foi pedida reintegração de posse na Justiça já que a ocupação é irregular, segundo a administração. Passou mais de um ano e algumas famílias continuam no local, em condições precárias, apreensivos com a ordem judicial que determina que eles devem se retirar do local até quarta-feira [15], quando terá sua moradia destruída.

Lucineide Maria Gomes [33], uma das moradoras do local é casada, possui quatro filhos e está afastada do emprego porque não tem com quem deixar suas gêmeas de apenas três meses. No último final de semana ela foi sorteada com uma das moradias da EMDHAP, porém a entrega das casas só acontece em dezembro e até lá ela não tem onde ficar. “Não queremos a terra, queremos ficar aqui até a nossa casa sair”, afirma Lucineide.

Moradores do local (Foto: Raquel Soares)

Moradores do local (Foto: Raquel Soares)

A dona de casa conta que as condições em que eles vivem são precárias.”Aqui tem escorpião, tem cobra e as minhas crianças estão todas doentes, mas nós não temos dinheiro, não temos nem roupa para se cobrir no frio”, conta Lucineide. José Paulo [30], esposo de Lucineide, diz que estão fazendo de tudo para continuar no local mas que todas as portas estão fechadas para eles.” A gente tem até quarta-feira (15) para deixar o local de acordo com a ordem judicial, estamos desesperados pois não temos para onde ir, não temos condição nenhuma de pagar aluguel”, reclama.

José Paulo mostra o interior do seu barraco (Foto: Raquel Soares)

José Paulo mostra o interior do seu barraco (Foto: Raquel Soares)

Augusto Lima [36], outro morador do local, conta que não foi sorteado com as casas da EMDHAP e seu desespero aumenta a cada dia que passa porque já é pai de dois filhos e sua esposa Laura Soares [34], deficiente visual, está grávida de cinco meses. “Nos dias de chuva dormimos com o colchão molhado, com cobertor molhado, o telhado voou e não foi a primeira vez. Ninguém veio aqui nos ajudar”, desabafa.

“Pagamos imposto e temos direito a moradia como qualquer outro cidadão”, diz José Paulo que ainda afirma que estão cuidando da terra, aparando o mato e evitando lixo. As famílias relatam que estão desempregadas há bastante tempo e chegam a passar fome. “Somos invisíveis, ninguém se importa com a gente aqui”, desabafa outro morador.

Os moradores da área verde pedem qualquer tipo de ajuda, sejam roupas, sapatos, cobertores ou alimentos, mas acima de tudo desejam permanecer no local pelo menos até dezembro. “Somos pessoas do bem e só queremos um lugar para criar nossos filhos”, pedem os moradores.

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Raquel Soares

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