Favela Canta Galo: uma promessa política

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Em 2007 o prefeito de Piracicaba, Barjas Negri, anunciou a urbanização da favela Canta Galo. A obra consiste em apropriação do terreno, onde moram aproximadamente 600 famílias, saneamento básico – instalações de rede de água e esgoto – iluminação pública e residencial, asfaltamento das ruas, áreas de lazer, equipamentos sociais, instalação de galerias pluviais e regularização fundiária. Em quatro etapas e com um investimento de R$ 3.123.628,50 só na primeira etapa, a obra foi prometida por Negri no prazo de dois anos. Os recursos vieram de verbas federais, estaduais, municipais e privadas. Foram R$ 1,8 milhões do governo federal, R$ 1,5 milhões governo estadual, R$ 450 mil do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae), R$ 400 mil da Companhia Paulista de Força e Luz (Cpfl) e R$ 60 mil da prefeitura de Piracicaba.

Estamos no final de 2011 e a urbanização não saiu da primeira etapa. Marcos Aparecido dos Santos, 31, morador da favela desde 2005 é presidente da Associação dos Moradores da Favela Canta Galo. Santos revela que das 11 ruas do bairro apenas cinco foram feitas o arruamento e  duas estão em obras. “Faltam arrumar as ruas, Estrela, Pirambóia, Zulmira Ferreira do Leite e Saturno”, diz Santos. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba, a Emdhap é a responsável pela organização das obras. Procurada pela reportagem, até o fechamento desta matéria não se manifestou sobre os atrasos das obras.

O engenheiro da Secretaria das Obras Públicas de Piracicaba, Wanderlei da Silva Cunha disse que não há previsão para o arruamento das outras quatro ruas, pois há famílias em áreas de risco que precisam ser removidas e estão localizadas em locais que interferem a conclusão das obras. Cunha diz que cabe e espera a Defesa Civil para a remoção destas pessoas. “Como faremos a remoção destas famílias se não temos onde colocá-las?”, rebate Carlos Alberto Razano, secretário executivo da Defesa Civil, “assim que a Emdhap oferecer novas habitações para estas famílias, nós da defesa civil faremos a remoção”, conclui Razano.

Josival Santana da Silva, 32, é pernambucano e está a 15 anos em Piracicaba e há seis na favela Canta Galo. Casado e pai de um menino de quatro anos, Silva construiu sua casa em área de risco e aguarda com ansiedade a remoção. “A minha casa não tem esgoto e está inacabada. Não mexo nela para não perder dinheiro, já que seremos removidos. Mas por enquanto a remoção ficou na promessa”, lamentou Silva. Sua casa e de mais cinco famílias, foram construídas sobre uma pedreira e que segundo ele, está se desfazendo. “Conforme passa o tempo o meu quintal está diminuindo, tenho medo que chegue até a minha casa”, diz Silva.

Josival Silva aguarda do alto da pedreira, onde fica seu quintal, a remoção prometida pela Emdhap

Para o morador Roberto de Oliveira Paula, 29, vizinho de Silva o cascalho que forma a pedreira não quebra tão fácil como alguns acreditam. “Isso aqui para cair é difícil”, diz Roberto batendo os pés no cascalho. Morador da favela Canta Galo há seis anos, vive com esposa e seus três filhos. “Se ficar aqui não tem problema, mas se for para sair saio, desde que seja para melhorar”, falou Roberto que procurou a Emdhap para ter uma data definitiva. “Ali (na Emdhap) só ficam na promessa, quem nos disse uma data mais próxima foi o Razano da Defesa Cívil. Ele acredita que sairemos no final deste ano”, finaliza.

Roberto Paula não teme o desmoronamento da pedreira em que está construida sua casa.

Outros problemas levantados por Santos foram o aterramento dos postes. “Três postes caíram ano passado, ficamos sem energia elétrica justo no Natal”, reclama Santos que segundo ele os postes vem marcados no ponto exato que deve ser feito o aterramento. “A Cpfl contratou uma empresa de Belo Horizonte para aterrar os postes”, disse Santos, “deve ter sido por um valor barato, pelo serviço feito”, conclui. Procurado pela reportagem em seu chat de atendimento no site, a Cpfl direcionou esta dúvida para a prefeitura da cidade. O engenheiro eletricista da Secretaria Municipal de Obras, a Semob, Nelson Camargo acompanhou o aterramento dos postes e disse que o terreno está sobre uma laje de pedra e que fica difícil furar. “A Cpfl precisou dinamitar o chão para aterrar alguns postes”, lembrou Camargo, finalizando que a marca que acompanha o poste nem sempre reflete um sinal para o aterramento correto. Segundo as normas da Cpfl, o aterramento dos postes deve ficar a 1,35 metros fixados abaixo da terra. A caixa de medição para a leitura de energia deve ficar entre 1,40 a 1,60 metros de altura a partir do chão. “Algumas caixas estão bem acima do recomendado. Na minha casa está com quase dois metros de altura”, observa Santos.

Marcos dos Santos mostra, o que para ele é a marca de aterramento do poste

"A caixa de medição ficou alta para a leitura", reclama Santos.

“O engraçado é que a prefeitura por duas vezes fixou uma placa de ‘Obra Concluída’ em frente à favela. Retiramos a placa e fomos reclamar na prefeitura. Disseram-nos que se confundiram. Sei lá, confundiram-se duas vezes? Achei estranho”, questiona-se Santos.

Santos aponta o lixão que se formou em um grande buraco a poucos metros de sua casa. "Quando chove este lixão tansforma-se em um lago", aponta Santos.

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Fábio Mendes

Fotógrafo e amante de histórias.

UM COMENTÁRIO

  1. até hoje 10.01.2013 quase nada mudou eles vem aqui e fazem como ”porcos” tiram algumas casas de um lugar larga o resto lá, vão pra outro lugar e fazem a mesma coisa, assim nunca vão terminar,,eu e minha familia esta há 04 anos esperando a tal remoção para o jardim santana. só deus para nos ampara. ass:ERiCA.

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