FEBRE MALUCOSA E AS “SAIDINHAS” DAS CAPIVARAS

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O juiz auxiliar da Vara da Fazenda Pública de Limeira, Flávio Dassi Vianna, negou, pelo menos por enquanto, o pedido liminar de retirar mais de 30 capivaras do Parque Ecológico do Jardim do Lago, feito pela Associação de Moradores e Amigos do Jardim Aeroporto (Amaja), no domingo, dia 14 de outubro.

Em contrapartida, o presidente da Amaja, Mariano Freire dos Santos, rebateu: “já faz mais de dois anos que a gente vem cobrando da Secretaria da Saúde para que seja tomada uma providência, mas eles vão empurrando com a barriga e não resolvem nada. Aí partimos para o Ministério Público. Nós estamos aguardando para ver o que vai ser feito. A gente não vai desistir”, disse Freire.

No dia 21 de setembro de 2018, o promotor de Defesa do Meio Ambiente de Limeira, Luiz Alberto Segalla Bevilacqua, já tinha se manifestado favorável a ação de retirada dos animais.

A preocupação da população em manter o habitat das capivaras se refere ao fato de essas serem as principais hospedeiras do carrapato-estrela, reservatórios naturais do agente causal (bactéria Rickettsiarickettsii) da febre maculosa no nosso meio, que, uma vez confinadas, podem sofrer infestações maciças pela espécie do carrapato.

Atualmente, Limeira já contabiliza sete casos confirmados da doença somente neste ano, sendo quatro mortes registradas e três casos que evoluíram para a cura. Do total de casos confirmados, 71,42% deles, detinham como Local Provável de Infecção (LPI), o Parque Residencial Abílio Pedro.

Capivaras na beira da lagoa no Parque Ecológico do Jardim do Lago (Foto: Raissa Pereira)

Porém, o descontentamento dos limeirenses não se restringe somente aos carrapatos. Nos últimos meses, a população tem se preocupado também com a saída das capivaras do Parque Ecológico em direção as ruas e avenidas. Quando questionado sobre os impasses causados pela capivara nas ruas, o morador do Jardim Aeroporto, Jovino Fernandes dos Anjos Neto, 56, argumentou: “elas saem e vão lá em cima até a avenida para comer o capim, porque o pessoal está roçando o alimento delas aqui. Elas têm que procurar né? E os carros transitando. Têm muitas pessoas incomodadas com elas, tipo o cachorrinho, eles não podem passear aqui se não elas correm em cima”, disse o morador.

O presidente da Amaja ainda associa alguns acidentes ocorridos na região com as “saidinhas” das capivaras “ali onde tem o alambrado tem bastante buraco onde elas passam pra rua e já teve várias capivaras que foram atropeladas. É um perigo alguém se acidentar, como já aconteceu aqui em Limeira”, acrescentou Freire.

As mães receosas procuraram estar de guarda e verificam com frequência as crianças durante e após os passeios em locais de risco. A oficial de lavanderia, Laudineia Pereira, de 38 anos, declarou: “tem que tirá-las para evitar o contato com a criançada, né? Eu passo creme na neném toda vez que venho para cá”, disse. As outras mães presentes diziam estar atentas e utilizar o repelente regularmente antes dos passeios no Parque.

O Guarda Municipal do local, Paulo Roberto, 58, quando questionado disse que há muitos comentários contra a habitação dos animais, principalmente por moradores. Além disso, acrescentou “geralmente elas saem e retornam. Aqui é o espaço delas, então elas vivem aqui. Todas as capivaras que estão aqui foram nascidas e criadas aqui. Eu acho que não se deve tirar, porque a prefeitura tem que precaver, ou seja, passar os venenos.O carrapato ele existe na capivara, é da criação delas, mas desde que a prefeitura cuide, passem veneno no local, esses carrapatos não serão contaminados”, disse o vigilante.

 

Capivaras sob placa de alerta da febre maculosa no Jardim Nova Itália. (Foto: Raissa Pereira)

TEM CAPIVARA TAMBÉM NA LAGOA

Muito se engana quem acredita que as capivaras estão restritas ao Parque Ecológico. Na frente do Hospital Humanitária localiza-se uma pequena lagoa, entre as ruas José Antunes Azevedo Filho e Dr. Milton Silveira no Jardim Nova Itália – Limeira. Placas de alerta para o principal vetor da febre maculosa estão espalhadas por todo perímetro, e há quem evite passar do mesmo lado da lagoa.

No mesmo local são residentes gatos e coelhos, ambos de reprodução acelerada, cujos buracos na cerca permitem a saída dos mesmos e o contato direto com a população.

A reprodução da capivara acontece geralmente na água, na região mais rasa. Possuem uma alta taxa de fecundidade e de fertilidade.

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Raissa S. Pereira

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