Vamos falar sobre feminismo?!

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Feminismo não é o contrário de machismo. Concorda? Porque infelizmente ainda é bastante comum as pessoas compararem o feminismo ao machismo. A antropóloga e feminista militante, Giovana Caversan, esclarece: “machismo é uma ideia que está por trás da sociedade, opressão das mulheres pelas mãos do homem, é uma teoria que coloca o homem como superior, que oprime, que machuca e que mata todos os dias”. Então pense, qual a primeira coisa que vem a sua mente quando te perguntam sobre o feminismo? É complicado, mas não fique na defensiva, pense… Sabemos que é difícil se posicionar diante da desigualdade, já que é bastante comum em nossa sociedade. “Hoje tem muito mais meninas se dizendo feministas. Mas, durante muito tempo essa palavra, feminismo, teve um peso devastador, como uma palavra proibida. E durante muito tempo essa imagem forte da feminista foi relacionada a mulher feia, a mulher que odeia todos os homens e que quer a supremacia feminina. Isso ficou muito forte no imaginário das pessoas”, explica Giovana.

O feminismo começou no século XIX, na busca pela equidade, uma vivência humana por meio do direito da mulher e a libertação de padrões opressores patriarcais como casamentos arranjados. Para isso seria necessário que houvesse mudanças jurídicas que proporcionassem a igualdade de gênero. Pensa que foi fácil?! Nem um pouco! Um exemplo é o direito de votar. Só em 1893 a Nova Zelândia reconheceu às mulheres o direito ao voto. Em seguida, a Austrália (1902), Finlândia (1906) e a Noruega (1913). Entre os anos 1914 e 1939, 28 países permitiram o direito ao voto, incluindo o Brasil. Alguns países ocidentais só permitiriam após o termino da Segunda Guerra Mundial, como Itália e França, que também admitiram as mulheres no corpo eleitoral, constituindo um “progresso duplo”. Em 1971, a Suíça foi o último país ocidental a reconhecer às mulheres o direito de votar.

“Quando comecei a me interessar realmente pelo feminismo eu meio que esbarrei nele, tinha acabado de ser lançado essa versão de bolso da Virgínia Woolf”, comenta Giovana Caversan sobre o livro “Profissões para mulheres e outros artigos feministas”. (Foto: Amanda C. Conceição)

Como qualquer movimento, o feminismo possui várias vertentes em relação aos direitos das mulheres. Vale lembrar que é uma busca por igualdade, o feminismo não quer tornar a mulher o “novo homem”! Todas as teorias feministas partem dos fatos históricos, sociais e culturais, nos quais a opressão às mulheres sempre esteve presente. É comum a comparação: “ah vivemos em uma sociedade machista, então vamos virar o jogo, agora são as mulheres que vão tocar o terror”. Não é isso. É importante entender que através da busca por igualdade, o feminismo tem uma forma de ação e de compromisso com a modificação das estruturas sociais. Giovana Caversan faz uma critica aos estereótipos. “A palavra chave é a igualdade ou talvez a palavra que tem se usado mais hoje em dia  é equidade, porque é preciso balancear a situação, houve melhoras mas a sociedade ainda é extremamente desbalanceada e assimétrica.”

Observe os discursos prontos de como devemos agir ou ser, o que é certo ou errado para cada gênero. É importante identificar e reconhecer situações de privilégios em nossas falas e ações. A antropóloga Giovana alerta: “fomos criados e imersos em uma sociedade extremamente machista, é muito difícil sair da casinha e conseguir questionar as coisas, então faz-se necessário uma abertura muito grande de querer rever as coisas, porque nós estamos imersos nessas situação, é difícil é bastante difícil, mas é processual, você vai revendo e percebendo nuances e as coisinhas que não são ‘inhas’.” Você já questionou esses padrões? Não é preciso ser a favor ou contra tudo, o importante é compreender o assunto, assim pode evitar respostas sem fundamentos ou julgamentos baseados em padrões tradicionais. Não precisa ser mulher para “balançar a bandeira”, já existem muitos homens que se intitulam e compartilham dos pensamentos feministas.

Infelizmente o preconceito e a ausência de informação mantêm os julgamentos clichês. O importante é que inúmeras necessidades deixadas de lado, hoje são direitos conquistados. Então, cabeça erguida!  Feminismo não prega o ódio e muito menos tenta criar uma aversão aos homens ou uma tentativa de dominação a eles. O feminismo não vai tirar a feminilidade das mulheres, não vai confiscar o batom predileto, nem esconder o salto alto ou reprimir a opção sexual. Defende a opinião e o poder de escolha, com o anseio que acabem os constrangimentos e assédios, pois o feminismo é um movimento contra a repressão!

Para descontrair dê uma olhadinha no vídeo abaixo. Nele a Michelle Henriques e Juliana Leuenroth apresentam o clube de livros Leia Mulheres, e em seguida a antropóloga Giovana Caversan bate um breve papo sobre o feminismo.

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