Força feminina na arte marcial

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Longe de ser território exclusivo do sexo masculino, o treino da arte marcial tem se mostrado um espaço ocupado por mulheres em diversas modalidades. Para a auxiliar administrativa, Gi Rodrigues Ferreira, a mulher busca o treino de lutas por diversos fatores. “Além de benefícios na saúde, bem-estar e defesa pessoal, pode-se dizer que a moda agora é arte marcial”, explica. Ferreira é faixa preta de karatê 2º dan estilo Shorin Ryu Shidokan, e também praticou capoeira de angola e o brazilian jiu-jitsu quando morava na Europa. “Temos opção atualmente. Podemos estar dentro do Koto (local de treinamento) e mostrar o que temos de melhor. Meus pais não me apoiaram e achavam que eu devia fazer ballet, mas a primeira vez que assisti um treinamento e vi aquelas pessoas fazendo a contagem dos exercícios todos juntos em japonês, veio um comando da minha cabeça… uau está faltando a minha pessoa ali, treinando com garra também!”, conta.

Ferreira explica que desde que começou a treinar, em 1998 , a prática da arte marcial a motivou e fez aceitar vários desafios que ajudaram a superar preconceitos, resultando em sucesso e experiência pessoal. “Atualmente, mulheres aderem às artes marciais para colocar o corpo em forma e também como defesa pessoal. É um modo, não só de manter o corpo saudável e definido, como também de liberar adrenalina e deixar a mente livre do estresse do dia a dia”, explica.

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Brennda Fernandes de Barros, proprietária de uma loja de produtos para lutas, e praticante de artes marciais em Piracicaba explica que depois que a mulher começa a treinar e vence o preconceito, percebe o quanto é bom. Brennda diz que os produtos para o muay thai, também conhecido momo boxe tailandês, tem muita procura, porque atualmente existem turmas só para mulheres e há novos treinamentos que não exigem contato como antigamente.

Em algumas academias pode-se praticar a modalidade voltada mais no condicionamento físico do que na luta. A aplicação de golpes no saco de pancadas evita choques ou imprevistos, explica. “Não venço vender luvas na cor rosa”, comemora Brennda. O professor de artes Marciais, e também proprietário de uma academia, Rafael Angeleli, explica a presença das mulheres nos treinos. “Antigamente víamos em média 80% de homens nos treinos em relação a mulheres. Hoje o número está equilibrado na minha academia”.

Para Angeleli, o surgimento de turmas femininas em modalidades como o muay thai e o jiu-jitsu também contribuíram para o aumento de mulheres nesses treinos. Além da busca pela saúde, a arte marcial também pode promover a amizade e um ambiente agradável entre os praticantes. É o que garante a funcionária pública, Michelle Santin Pecorari, que treinou Capoeira no grupo Abadá em um projeto realizado na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) no ano de 2003.

Michelle lembra que cursava Direito no período da manhã e mesmo durante as aulas “escapava” e ia treinar com seus colegas. “Fui pela curiosidade mesmo, e só depois busquei condicionamento físico e também fiz muitos amigos. Durante os treinos me sentia livre, com uma energia muito boa, uma coisa que expulsa energias negativas. De vez em quando até bocejava de tanta paz”, brinca. Michelle está afastada dos treinos, mas pretende voltar o mais breve possível.

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As irmãs Sarah, 15, e Samyra Masetto Rodrigues, 11, treinam karatê estilo Shorin Ryu Shidokan na cidade de Piracicaba com o Sensei Vlamir Silva. Sarah diz que a prática do karatê ajuda a ter disciplina e também “descansar a mente” por conta da pressão dos estudos e das provas. “Têm pessoas que não acreditam que eu faço arte marcial porque aparento ser meiga e às vezes fazem até alguma piadinha, dizem que é melhor não mexer comigo senão vou bater, mas não ligo não”. Samyra diz que não deve existir machismo no karatê porque o esporte deve ser praticado por todos: adultos, crianças, homens e mulheres.

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