GRUPOS DE CULTURA RECLAMAM DA FALTA DO TEATRO MUNICIPAL

Representantes de grupos de cultura de Piracicaba reclamam da falta que o Teatro Municipal Dr. Losso Netto faz à cidade. Os artistas lamentam a falta de opções de teatro e a dificuldade de acesso a eles e também propõem uma reforma na administração cultural para dar mais espaço para os próprios grupos locais.

Fechado desde fevereiro de 2013, as obras do Teatro Municipal Dr. Losso Netto estão atrasadas pela quarta vez, segundo dados do G1. O Losso Netto é um dos quatro teatros em Piracicaba e dentre eles, o que tem maior capacidade para público.

Com datas comemorativas e apresentações de fim de ano, os cronogramas dos teatros começam a ficar sem datas livres, as peças e artistas de renome são prioridades para exibição, deixando em segundo plano os grupos de cultura militantes, popularmente chamados “amadores”.

Teatro Municipal Dr. Losso Netto (Foto: Lucas Lima)
Teatro Municipal Dr. Losso Netto (Foto: Lucas Lima)

Lucas Lopes é diretor e regente do Coro Misto da Escola de Música de Piracicaba Maestro Ernst Mahle e do Coral Allegro Vocale. Em sua opinião, com o Losso Netto fechado, a grande dificuldade dos grupos é apresentar seus trabalhos. Ele ainda diz que “o Teatro Erotides é apertado e pequeno, já o Teatro São José precisa urgentemente de uma reforma, então a única opção que sobra seria o Teatro Unimep, mas fica muito longe para algumas pessoas, fora que eu teria que pagar o dobro do preço do Erotides.” Para o regente, o Teatro Municipal é um incentivador na cultura de Piracicaba, pois o acesso a ele é fácil. Lucas conclui dizendo que para a cultura da cidade melhorar “os teatros locais deveriam dar mais atenção aos próprios grupos da cidade”.

Lucas Lopes (Foto: Lucas Lima)
Lucas Lopes (Foto: Lucas Lima)

Benedita Giangrossi – uma das diretoras da Cia Pimenta de Teatro, que atua há quase 20 anos, com mais de 50 esquetes de 10 espetáculos no histórico –, disse que “não causou muito impacto, até porque a Sala 1 (principal sala de apresentações do teatro) nunca foi muito ocupada por grupos da cidade, os chamados ‘amadores’. Tivemos que inventar vários eventos para justificar a apresentação de grupos não formais, como eles sempre chamavam”. Porém Benedita diz que a Sala 1 faz falta sim, apesar de não ter causado tanto impacto. Ela segue dizendo que é preciso fazer um levante, mas o público infelizmente não está muito interessado em ver teatro e os que gostam, não enchem a sala do Teatro Erotides de Campos, que tem uma capacidade para 422 pessoas (contra 674 lugares da Sala 1 do Losso Netto), do contrário se o espetáculo for de um ator global.

Uma das integrantes do Vida em Ação, Vanessa Lima, disse que o problema é terem apenas um teatro disponível com o Losso Netto em fechado, o acesso ao Teatro Erotides – conhecido popularmente como Teatro do Engenho – não é fácil e que além dos grupos daqui, a concorrência é forte com o teatro comercial que vem de ouras cidades e produtoras do Brasil inteiro, tornando inviável para os grupos locais. Vanessa ainda reforçou que o grupo só consegue se apresentar em teatros quando participam de algum festival ou movimento e que foi só assim que se apresentaram no Losso Netto, ainda na Sala 2, a qual encheu de água por causa da chuva no dia. Com todos estes obstáculos para se apresentarem, os grupos acabam optando por pontos culturais ou lugares alternativos, inclusive a própria rua. Vanessa propõe uma melhoria no acesso aos teatros para grupos da cidade e principalmente um incentivo para isso.

placa reforma losso netto
Placa da reforma (Foto: G1)

Segundo a Prefeitura, a última etapa da reforma do Teatro Municipal Dr. Losso Neto, que visa construir um fosso para orquestra, só começará em 2016, sem prévias de quando o Teatro reabrirá novamente.

Com informações: G1.

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