Hora do Conto atrai público escolar em Piracicaba

Contar histórias. Este costume comum no cotidiano familiar há algumas décadas é resgatado na “Hora do conto”, que acontece de segunda à sexta em dois períodos na Biblioteca Municipal José Ferraz de Arruda Pinto em Piracicaba.

Constante na programação da Biblioteca Infantil Thales Castanho de Andrade a contação de histórias seduz a todos que têm a oportunidade de participar. Difícil ouvir um pedacinho e não ficar para saber o desfecho. “As histórias mexem com o imaginário”, afirma Sílvia Pereira da Silva, professora do terceiro ano do Ensino Fundamental que acompanha seus alunos durante uma “aula passeio”. Para Carmelina de Toledo Piza, contadora de histórias há 20 anos, “a história encanta, trabalha o inconsciente, trabalha o nosso escuro.”
Buscando despertar o interesse das crianças pelos livros o contador de histórias utiliza os mais variados recursos para cativar os espectadores, de acordo com a disponibilidade dos materiais e sua criatividade. Na praça a imaginação é alimentada com tecidos, no anfiteatro o data show possibilita a sensação de que um laço de fita enorme sai da parede e vem em nossa direção. Segundo o programador cultural Antônio Filogênio de Paula Junior fazer de uma criança um leitor não é tarefa simples. Leitura exige disciplina, concentração. É preciso estímulo visual, sonoro, tátil, para instigar a descoberta do universo literário.
“Fui educada com histórias”, assegura Graziela Angelocci, a Grá, pedagoga da biblioteca e também contadora de histórias. Ela vê nas histórias um argumento para o gosto pelo livro impresso. Na era da internet, Grá considera um desafio provocar o interesse pela palavra no papel. Para isso usa as datas comemorativas como suporte para seu trabalho, transmitindo noções da nossa história ligadas ao dia a dia das crianças. Questionada em relação ao que é mais gratificante em seu trabalho confessa: “os olhinhos deles”.
Contador de histórias desde 2006, Anderson Brongna ressalta a importância da atividade como transmissora de conhecimento. Durante a apresentação, a contextualização do tema inclui informações sobre a obra e seu autor. Tudo realizado de maneira lúdica, valendo-se da linguagem teatral. Segundo Anderson, a reação dos adultos às histórias é muitas vezes surpreendente. “O adulto, todo polido, deixa transparecer sua criança interior, uma criança que brilha”.
A programação inclui um passeio monitorado pelos espaços da biblioteca. Os visitantes mostram-se encantados com os gibis e admirados com os livros em braile. “Como é que pode ler assim?”, indaga um estudante do Ensino Fundamental.
Apesar da programação e serviços oferecidos pela Biblioteca Municipal serem gratuitos e abertos à população, os participantes da “Hora do conto” são majoritariamente estudantes da rede pública municipal de Piracicaba em atividade extraclasse.O projeto atende, em média, mil alunos por mês. Aproveitando o aconchego da praça da biblioteca para fazer um lanche com a filha de 8 anos, a dona de casa Ana Carla disse desconhecer o que funcionava no prédio.

Programação diversificada

A Biblioteca Municipal de Piracicaba funciona em um grande e moderno prédio no Centro desde outubro de 2010. Além do acervo de livros disponíveis para empréstimo oferece uma programação cultural diversificada que inclui oficinas, música, lançamento de livros, exposições, programas de incentivo à leitura, artes plásticas, concursos literários e um programa radiofônico, o “Educativa nas Letras”. De acordo com o programador cultural o intuito é utilizar as demais artes para ampliação do público leitor. Ele considera importante a valorização dos escritores locais e o estímulo aos jovens escritores. “Buscamos promover ações que venham incentivar a literatura”, revela Junior.
Usufruindo da biblioteca, que é referência em nosso estado, encontramos diversas crianças em idade escolar, homens que vem ler jornais e revistas, trabalhadores em sua hora de almoço. Há os assíduos, chamados carinhosamente de “cadeiras cativas”, pois marcam presença diariamente. A diretora da Biblioteca Municipal, Rosana Oriani, salienta que observando os frequentadores da instituição pode-se constatar “a quebra do estereótipo do público leitor, que é a pessoa intelectualizada.” Rosana conta como é positivo ver senhores de chapéu e botinas sujas de barro se dedicando à leitura de um livro.

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