Idosos ocupam academias ao ar livre em Piracicaba

A atividade física é umas das intervenções mais eficientes quando se trata da qualidade de vida, e principalmente quando se trata do público da terceira idade. Cria independência e autonomia nas tarefas do cotidiano.

A prática de exercícios traz benefícios e ajuda amenizar mudanças que acompanham o envelhecimento. Melhora a capacidade aeróbica, reduz riscos de doenças, inflamações e faz com que a coordenação motora, flexibilidade, equilíbrio, velocidade e resulta em ­­reflexo mais eficiente e sensação de bem estar. “Isso traz benefícios para qualquer idade, uma qualidade de vida melhor, pois todos desejam ter uma boa saúde, bom condicionamento físico e sem limitações”, explica a professora de educação física Mônica Gramer Martins Menegatti, que atua na profissão há 28 anos e é especialista em gerontologia.

O envelhecimento é caracterizado por funções irreversíveis ao longo do tempo, como o equilíbrio do envelhecimento biológico e psicológico. “A falta de oportunidade de praticar atividades físicas na terceira idade faz com que os idosos desanimem, e a atividade física pode ajudar a se tornarem pessoas mais ativas”, explica Mônica. Segundo ela, por isso, é importante inserir uma rotina de exercícios físicos para essa população.

Em Piracicaba existem 70 academias ao ar livre para aqueles que querem se exercitar. Nestes locais, uma vez por mês os idosos dos respectivos bairros são atendidas por profissionais da área, que oferecem para que possam ter autonomia e usar os aparelhos sozinhos.

Os benefícios do exercício físico na terceira idade são: melhora no condicionamento físico e capacidade respiratória, diminuição de perda de massa óssea e muscular, prevenção de quedas, infarto, AVC, DM (diabete mellitus), colesterol alto, ansiedade, depressão, estresse e insônia. A prática aumenta a autoestima, ajuda também a manter relações sociais e diminuir solidão. “É fundamental para um envelhecimento saudável, com independência, autonomia e vida ativa”, afirma médica geriatra Daniela Nasciutti, especialista em geriatria.

Prevenção

O exercício físico regular também pode retardar doenças, como hipertensão arterial, diabetes, osteoartrose, osteoporose e a prevenção de alguns tipos de câncer.

Para Mônica, o melhor benefício para o idoso é a socialização. “Eles vão parando de trabalhar e vão perdendo contatos, até mesmo com filhos ou netos, então muitos ficam sozinhos. Com isso traz para a atividade física, além de benefícios cardiológicos e motores, essa parte da socialização é muito importante para eles”, explica.

Clara Inês Marcheles, de 69 anos, praticante de atividades físicas há cinco anos, diz que fazer amizades é importante. “Fazemos passeios e nos reunimos uma vez por mês para fazer um café da manhã”, diz.

Segundo a professora de educação física Claudia Zuberam, que está na profissão há 18 anos, o primeiro passo para querer realizar uma atividade física é ter força de vontade. É necessário também estar apto a fazer atividades físicas adequadas à condição de cada um.

A maioria dos idosos nunca praticou atividades físicas durante a juventude, em virtude da preocupação com o trabalho e a falta de tempo. Maria Isabel Toledo, 64 anos, explica: “Não posso ficar parada. Você trabalha e tem mais coisas para fazer. Não dava tempo. Era corrido, não tinha nem tempo de fazer a unha.”

Já Nair Gouva Galletti, 82 anos, jogava vôlei e praticava ginastica durante sua juventude na escola. Hoje em dia ela continua na vida ativa, atualmente fazendo atividades de antiestresse. Este também é o caso de Luís Antônio Bortolazo, que praticava natação enquanto jovem, mas que agora faz ginastica para não ficar parado em casa.

Os idosos que já praticavam alguma atividade física antes de atingir a terceira idade, acabam tendo uma facilidade maior com os exercícios físicos, com menos limitações. É o que explica a professora Mônica: “Possuímos um programa paralelo na prefeitura que são os jogos regionais dos idosos, e para entrar, precisa ter 60 anos. Então, não adianta selecionar alguém que nunca jogou vôlei e começar a treinar ele a partir de agora, é claro, é totalmente adaptado”.

“O musculo consegue manter a memória muscular dessa atividade que fez quando era jovem, por vários anos. Quando depois de 15 anos você volta a fazer a atividade física, o musculo reage muito mais rápido do que alguém que nunca fez atividade física”, comenta a professora e fisioterapeuta Adriana Pertille.

Não existe um exercício específico que seja adequado para o idoso, pois cada um é diferente e possui restrições próprias. Mas, os exercícios de baixo impacto, equilíbrio e coordenação são mais indicados por serem leves. Por isso, é sempre importante o acompanhamento de um profissional.

Daniela Nasciutti também alerta sobre os riscos, e que os principais cuidados e dicas são: sempre passar por avaliação médica e realizar check-up antes de iniciar a prática de atividades físicas, para saber se há alguma restrição ou contraindicação, fazer exercícios com orientações de um profissional especializado, hidratar-se bem antes e após o exercício, usar roupas leves e confortáveis e, avisar o profissional se houver dor e não fazer exercícios em jejum.

Com a atividade física, a qualidade de vida do idoso aumenta muito e a sua longevidade também. Maria Paulina Calasais, 70 anos, frequenta academias ao ar livre há 10 anos e comenta que isso melhorou sua vida. “Eu posso atravessar a rua rápido. Não consigo ficar parada, porque uma pessoa de idade, se ficar sentada muito tempo, não levanta mais. Isso é importante na nossa vida, para ter uma vida diferente”, comenta.

Pesquisa busca envelhecimento com qualidade de vida  

A Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), está realizando uma pesquisa de iniciação científica sobre a Avaliação do equilíbrio de idosos usuários de uma academia ao ar livre, com o apoio da Fapic (Fundo de Apoio à Pesquisa de Iniciação Científica), que conta com a presença de alunos bolsistas.

Coordenadora do projeto Adriana Pertille e bolsista Vinicius Diego de Campos Barros. | Foto: Fernanda Rizzi.

Segundo a coordenadora do projeto, Adriana Pertille, professora de graduação e formada em fisioterapia, o importante de um aluno participar de uma pesquisa, é o fato dele sair da comodidade de apenas assistir aulas e voltar para a casa. “Ele pode vivenciar a universidade, conhecer os bastidores e ir além dos conhecimentos que estão na sala de aula. Isso abre horizontes, melhorar seu currículo e ajuda a ter uma visão diferenciada de quem apenas fica na graduação”, explica.

O bolsista Vinicius Diego de Campos Barros, de 20 anos e estudante de fisioterapia, explica que quis participar da pesquisa para aproveitar o que a faculdade oferece. “A iniciação cientifica primeiramente foi a busca por algo a mais do que as aulas que a faculdade oferecia, mas depois que a gente começa a perceber que o nosso ganho é muito maior do que você possa imaginar. Você busca conhecimento”.

Ambos também comentaram sobre a importância da atividade física na terceira idade. “Cada corpo vai contando uma determinada história”, explica Adriana. “Na minha pesquisa, a maioria dos idosos tem entre 60 a 70 anos. A maioria deles começou a praticar atividades físicas após os 60 anos, que também é algo a se pensar, porque alguns ainda estavam trabalhando. Mas encontram-se pessoas acima de 75 anos, 80 ou 85 anos e acompanhadas, por uma certa dependência, limitação, ou pela patologia que tinham e que precisavam de alguém junto”, complementa Vinicius.

 

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Fernanda Rizzi

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