Imóveis fechados representam 57% do déficit habitacional

Post By RelatedRelated Post

Piracicaba possui 9.147 imóveis fechados enquanto 16 mil famílias estão na fila para conquistar a casa própria. Os dados foram apresentados no Ocupe o Largo, realizado no dia 19 de setembro, no Largo dos Pescadores da Rua do Porto. A quantidade de imóveis fechados foi apresentada pelo parceiro do evento, Roberto Braga. Já o déficit é contabilizado pela Emdhap – Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba –, a partir do presidente da empresa, Walter Godoy dos Santos.

FOTO SELECIONADA 01

Participantes assistindo ao vídeo apresentado no Ocupe O Largo. foto: Pietra Polo

Segundo Roberto Braga, “um processo que alimenta a especulação imobiliária em Piracicaba torna as casas mais caras do que casas em Miami. Essa ‘bolha especulativa’ é um processo que vai gerar os sem-terra, a favela etc. Essa ilusão está se reproduzindo dentro da ideologia do famoso déficit habitacional”, disse. Segundo Braga, não existe déficit de moradia. “O senso demográfico do IBGE de 2010 contou 9.147 domicílios desocupados em Piracicaba. Isso sem contar com os vazios urbanos” explica.

Walter Godoy dos Santos conta que os empreendimentos Vida Nova I a IV e Ipês Branco, Amarelo e Roxo, ambos pertencentes ao programa Minha Casa Minha Vida, somam 1.920 apartamentos. Cerca de 16 mil pessoas se mostraram interessadas, mas apenas 5.887 conseguiram efetivar suas inscrições. “É preciso lembrar da migração considerável que ocorre em Piracicaba. O número de migrantes é alto, apesar de a EMDHAP já ter entregue 17.463 unidades, desde sua criação, com previsão de entregar mais 5.800 unidades neste ano”, relatou Godoy.

 

Ocupe o Largo

FOTO SELECIONADA 02

foto: Pietra Polo

A segunda edição do Ocupe o Largo, realizada em um dos pontos turísticos e de encontros culturais mais tradicionais de Piracicaba, teve como tema central “O Direito à Cidade” e contou com a presença
de membros do Acampamento Nelson Mandela, do Movimento dos Sem-Terra (MST) e de comunidades como Portelinha e Santa Luzia, que apresentaram suas experiências no município relacionadas a impasses judiciais pelo direito à moradia.

Como na primeira edição – realizada em maio deste ano –, houve debates públicos seguidos de atividades artísticas, entre elas, apresentações de rap, intervenção teatral, exibição de documentários e exposição de fotos. “A proposta do Ocupe o Largo nasceu para promover um espaço de troca de causas, onde as causas se tornem públicas. Além disso, o espaço serve para a troca de argumentos e ideias, que se expressam por meio de atividades culturais e artísticas”, explicou Renato Morgado, um dos organizadores do Ocupe.

A expectativa é que, a partir das experiências locais, o tema também seja observado na realidade do País como um todo. Assim sendo, na mesa inicial de debates, líderes comunitários falaram, além de outros assuntos, sobre o processo de interação nas comunidades. O ponto alto da discussão foi o déficit habitacional.

 

Violência

Quanto a violências ligadas a questões habitacionais, o presidente da Emdhap disse que o Município de Piracicaba, através de políticas públicas habitacionais de interesse social, desenvolvidas a partir de 2005, não tem enfrentado grandes conflitos. “Há apenas algumas invasões de áreas verdes, as quais estão sendo avaliadas pela empresa, para uma possível regularização fundiária com a participação do legislativo local”, concluiu.

Contrapondo Godoy, Carlos Canedo, midialivrista e estudante de direito, explicou que estes conflitos acontecem, sim. “Essas situações surgem nas origens das estruturas sociais que nos sustentam até hoje, nas formas de colonização, da exploração da força de trabalho do homem, da desigualdade na distribuição de bens”, pontuou.

De acordo com o site do Jornal de Piracicaba, em junho deste ano, uma reintegração de posse foi marcada pelo confronto entre a Polícia Militar e moradores da comunidade Santa Luzia, Bairro Monte Líbano. Cerca de 100 famílias que ocupavam o local se negaram a sair. Foram montadas barricadas com objetos que foram incendiados e pelo menos uma pessoa ficou ferida.

Canedo acredita que a brecha para esses dilemas seja a falta de regulamentação e de políticas públicas que façam com que seja cumprida a Constituição Federal, que garante o direito à moradia digna a cada cidadão brasileiro. “Recentemente foi incluso no artigo 6º da nossa Constituição a moradia como um direito fundamental do cidadão brasileiro, sem regulamentar a forma de se garantir essa moradia a cada cidadão, ou mesmo o conceito de dignidade na concepção do legislador para que se possa ter parâmetro do mínimo que se deva garantir de conforto para uma moradia como direito fundamental”, afirmou.

Ainda segundo o advogado, “na prática, essa falta de regulamentação, permite que a justiça erroneamente e, à revelia da nossa Constituição Federal, decrete despejos com força policial de centenas de famílias em favor de um particular, ou mesmo do próprio poder público que deveria estar garantido uma moradia digna”.

 

Atividades periódicas

Grande parte da articulação e divulgação do Ocupe o Largo acontece por meio das redes sociais. Agora, para que o evento se desenvolva melhor, com mais atividades e ações, ele carece de contribuições financeiras para futuras ‘ocupações’. Para isso, os organizadores lançaram uma campanha de financiamento coletivo. Os interessados em contribuir devem acessar a página:  www.kickante.com.br/campanhas/ocupeolargo.

 

 

 

Share

Pietra Polo

2 COMENTÁRIO

  1. Parabéns Jovem, bela matéria … 🙂

  2. Parabéns pela matéria. São informações importantes e dados que muitas vezes nem pensamos em considerar, até por desinformação da nossa parte. Muito interessante!

DEIXE UM COMENTÁRIO

Email (will not be published)

*