Internações por câncer de pele dobram em seis meses em Piracicaba

Pessoas que trabalham nas ruas têm maior risco de contrair doenças na pele - Foto: Carol Ribeiro

O câncer de pele não melanoma é o mais comum de todos os cânceres humanos e no Brasil, estima-se que, em 2012, a doença atinja mais as mulheres. Segundo dados apontados pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer), a estimativa é que os casos sejam de 62.680 para homens e 71.490 para mulheres, ou seja, o risco estimado é de 65 casos novos a cada 100 mil homens e 71 para cada 100 mil mulheres.

De acordo com o INCA, o câncer não melanoma é uma doença que atinge as populações de pele clara, que queimam e não se bronzeiam. A exposição excessiva aos raios ultravioletas é a principal forma de risco para o surgimento da doença. Câmaras de bronzeamento artificial e contato com determinadas substâncias químicas (como piche, óleos e fuligem) também são fortes fatores que determinam o contágio.

Já o melanoma é o de menor incidência entre as doenças da pele, porém, é o mais agressivo e que apresenta maior letalidade. Ele pode atingir pessoas de diferentes cores de pele, mas predomina nos caucasianos. Nesse caso, a exposição ao Sol também é o maior causador da doença, além de apresentar um risco maior às pessoas que possuam histórico na família. A estimativa de novos casos no país em 2012 é de 6.230, sendo 3.170 homens e 3.060 mulheres, segundo o INCA.

Em Piracicaba, oito pessoas morreram devido ao câncer de pele em 2010, quatro homens e quatro mulheres, conforme informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No sexo feminino, a doença é frequentemente apontada em todas as regiões do país, tendo na Sudeste, um risco estimado de 91/100 mil.

Essa constante exposição ao Sol pode agravar a situação nos casos de pessoas que trabalham nas ruas. A varredora Maria Alves dos Santos, de 55 anos, está na profissão há 18 e afirmou que nota uma diferença entre pessoas da mesma idade que não ficam tanto tempo expostas aos raios solares. “Nós vemos a diferença entre as pessoas que trabalham em um escritório, por exemplo, e nós que trabalhamos nas ruas. Mesmo protegendo, ficamos com a pele envelhecida”, disse.

Ainda de acordo com a varredora, a empresa responsável por seu serviço disponibiliza materiais de proteção como blusa e calça comprida, protetor solar, boné com abas, luvas e tênis, porém, algumas pessoas não conseguiram se adaptar ao uso do protetor solar. “Muitas pessoas tiveram problemas com a oleosidade da pele e eu fui uma delas. Não costumo usar protetor, não me adaptei porque transpiro bastante e ele acaba incomodando. Nunca tive problemas de pele, mas uma colega de trabalho teve e sofre até hoje com bolhas no rosto”, informou Maria.

Mesmo não sendo a forma mais grave da doença, os casos de internação dos piracicabanos por câncer de pele dobraram em apenas seis meses. Segundo os dados apontados pelo DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde), oito mulheres foram internadas em dezembro de 2010, saltando para 14 casos de internação apenas um mês depois, em Janeiro de 2011. Seis meses depois, o mês de julho de 2011 teve 22 casos de internação, caindo novamente para 15 casos no fim do ano, dezembro de 2011. Os dados de 2012 ainda não foram disponibilizados pelo site.

Procurada para explicar essa variação do número de casos em Piracicaba, a Secretaria Municipal de Saúde informou, por meio de nota de sua Assessoria de Imprensa, que não tinha esse levantamento de dados e que eles poderiam ser explicados por um médico especialista.

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Carol Ribeiro

Aluna de Jornalismo da UNIMEP

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