Jogos Estudantis de Piracicaba reúnem 8 mil jovens de 20 escolas

Enrico Bueloni

Coreografia de alunas na cerimônia de encerramento. (Foto: Enrico Bueloni)

O Colégio Salesiano Dom Bosco Assunção consagrou-se campeão, pela oitava vez seguida, dos Jogos Estudantis de Piracicaba. A competição, que neste ano chegou à décima edição, foi encerrada em cerimônia, no ginásio municipal Waldemar Blatkauskas, no dia 23 de outubro, quando também foi realizada a disputa de coreografia e foram entregues as taças aos três primeiros colocados de cada categoria na classificação geral.

A competição reuniu 20 escolas particulares de Piracicaba: Anglo Cidade Alta, Anglo Portal do Engenho, Baronesa de Rezende, CLQ – Colégio Luiz de Queiroz, Colégio 15 de Novembro, Colégio Educare, Colégio Jardins, Colégio Lúdico, Colégio Seletivo, Colégio São Dimas, Colégio Tales de Mileto, Colégio Piracicabano, Coopep – Cooperativa Educacional de Piracicaba, Cotip, Dom Bosco Assunção, Dom Bosco Cidade Alta, Escola Waldorf Novalis, Instituto Atlântico, Liceu Terras do Engenho e Sesi.

Entre março e outubro, foram disputadas 13 modalidades: atletismo, basquete, coreografia, damas, futsal, gincana, handebol, natação, tênis de mesa, voleibol, xadrez, canoagem, vôlei de praia, tanto na modalidade feminina como na masculina, dividida em três categorias pré-mirim (nascidos em 2007/2006 e 2005), mirim (2004 e 2003) e juvenil (2000/2001/2002). Além de ter o recorde de escolas participantes, a edição envolveu em torno de oito mil alunos. O Dom Bosco Assunção consagrou-se campeão computando 355 pontos na classificação geral, seguido pelo CLQ com 335 e o Liceu com 275.

Os Jogos Estudantis estão presentes no calendário esportivo de Piracicaba desde 2009. O torneio reúne alunos das escolas particulares do município e é organizada pela Selam (Secretaria de Esporte, Lazer e Atividades Motoras), em parceria com as escolas participantes. A competição é uma reedição do que na década de 90 era chamado de Jogos Colegiais. Além da disputa, o evento permite a socialização e a confraternização entre os adolescentes e também é uma fonte para descobrir novos talentos em diversas modalidades.

Realizada desde os anos 90, a competição passou por um período em que não teve o apoio da prefeitura. Mas, a partir de 2008 a Selam decidiu investir novamente no campeonato, que vinha acontecendo de forma precária pela falta de interesse da secretaria. “Os Jogos Estudantis já existiam há um bom tempo, porém, por um período ele foi extinto, a prefeitura deixou de apoiar”, diz Alexandre Franco do Nascimento, chefe do setor de eventos esportivos da Selam. “Em meados de 2007/ 2008, houve o interesse do secretário de esportes atual, Pedro Mello, de retomar esse projeto”, completa

No primeiro ano de disputa, já no formato atual, o torneio foi disputado por 18 escolas e reuniu dois mil estudantes em torno de nove modalidades. Segundo o chefe do setor de eventos esportivos da Selam, inicialmente, a prefeitura cuidava apenas da parte logística e os professores da técnica, mas com o passar do tempo, a secretária ficou encarregada de cuidar de tudo.

O campeonato não é apenas uma competição entre escolas. É um meio para colocar em pratica modalidades que têm pouca popularidade e que são apresentadas em aulas. “A intenção dos jogos é levar para os jovens todos os tipos de modalidades, para que ele experimente as modalidades e de repente um esporte que ele não era tão conhecido, ele passe a gostar e passe até a praticar em nível de competição pós-jogos estudantis”, diz Nascimento.

Os Jogos também fazem com que sejam colocados em prática, ensinamentos transmitidos nas aulas de educação física. “A participação estimula a competição de forma positiva, é competindo que conseguimos colocar em prática os valores trabalhados em aula, a cooperação, respeito, entender as limitações do outro e as suas também”, diz o professor de educação física Everton Matos, do Colégio Liceu Terras do Engenho.

Outro aspecto positivo da competição é o fato de contribuir para melhorar o relacionamento entre professores e alunos. No ambiente dos jogos, o contato do professor com seus alunos é maior, segundo Luís Fernando Boscariol, educador físico do colégio Salesiano Dom Bosco Assunção. “Quanto mais próximo está do aluno, maior é o envolvimento, o que acaba resultando em uma união a mais”, justifica.

Além disto, o campeonato também é um momento de descontração em que os estudantes têm a chance de conhecer pessoas de outras escolas ou em alguns casos, rever amigos e fazer novas amizades, como é o caso de Matheus Patrício Inforçato, aluno do Dom Bosco Assunção. “O meu melhor amigo, eu conheci jogando bola pelos Jogos Estudantis, aí depois acabamos começando a treinar junto. E quando a gente se encontra nos jogos ou até mesmo fora, é muito bom porque temos várias histórias para contar”, conta o jovem.

Vários times da cidade também ficam de olho na competição e quando algum jovem chama a atenção é convidado para treinar pela equipe. Isso ocorre em várias modalidades, tanto no masculino quanto no feminino.

Para os envolvidos com o campeonato, o esporte também contribui na formação dos jovens. “Além de formar atletas, tem papel na formação como cidadão, levando a conhecer regras, ter respeito ao outro, saber dos seus direitos e deveres”, diz Luís Fernando. Matheus Inforçato concorda: “No esporte a gente aprende a ter disciplina e a respeitar o outro que a gente precisa muito para a nossa vida, para nossas futuras profissões e para seguir em frente”.

Entrega da taça para alunos e representantes da escola campeã dos Jogos de 2018. (Foto: Enrico Bueloni)

ENTREVISTA

Prática esportiva é fundamental na formação dos jovens

Cinthia Lopes da Silva é professora na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) desde 2008. Atua no curso de Graduação em Educação Física e no Programa de Pós em Ciências do Movimento Humano. Também é coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Lazer, Práticas Corporais e Cultura. Possui Bacharelado e Licenciatura em Educação Física, mestrado em Educação Física – área Estudos do Lazer e doutorado em Educação Física, na área de Educação Física e Sociedade, todos esses títulos obtidos na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Em 2018 realizou pós-doutorado na área de Comunicação (com fundamentação na neurociência) e aplicação no campo da Educação – processos de ensino e aprendizagem, na Universitat Pompeu Fabra/Barcelona-Espanha.

Qual sua opinião sobre o incentivo ao esporte desde os primeiros anos escolares?

Eu acho que deveria ter isso como uma meta, não só o esporte, mas de certo modo incentivar nos alunos e dar possibilidades de conhecimento do esporte, ginástica, luta, jogos, porque isso em princípio é parte do conhecimento da cultura corporal da pessoa, que não sabendo isso será um analfabeto corporalmente. Muitas vezes as pessoas não dão o devido valor para as aulas de educação física achando que são aulas com status menores do que outras disciplinas da escola, mas é nessa disciplina que são tratados, ou deveriam ser, tratados, as questões corporais e ligadas às práticas corporais, que são esses elementos da cultura corporal a que me refiro.

O esporte tem um papel importante na formação dos jovens?

Sim. Eu acho que tem, porque muitas vezes os esportes, as práticas corporais, os jovens podem se identificar com essas práticas, passam a ser um modo de expressão deles, uma forma de linguagem que eles vão utilizar do próprio corpo para se expressar. E é um momento em que os jovens têm uma tendência a formar grupos, ter certos hábitos, então muitas vezes o esporte é um momento que eles têm para fazer as amizades, para conhecer pessoas, compartilhar do momento do jogo. No esporte tem todos esses elementos que são favoráveis, no meu ponto de vista, para o jovem.

O que você poderia destacar com relação à importância do educador físico?

Eu acho que é fundamental o professor de educação física e, sobretudo, uma pessoa que tenha uma formação adequada, uma formação crítica e que tenha a noção de que ele está lidando com o público e que é diverso. Muitas vezes se ele for com aquela visão de passar uma atividade e todo mundo fazendo igual, é uma visão muito limitada e isso vai gerar mais desinteresse do que interesse das pessoas. O professor de educação física precisa, necessariamente, ser uma pessoa muito sensível, que consiga construir conhecimento junto com a outra pessoa, que propicie praticas diversas, que não caia na monotonia da pessoa fazer sempre uma mesma coisa.

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Enrico Bueloni

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