Jornalista Danilo Janine, de Limeira, fala sobre perspectivas do impresso e integração com novas mídias

por / 17 de junho de 2017 Geral sem comentários

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No mercado há mais de 15 anos, o jornalista Danilo Janine deu um passo ousado em 2016 e, junto com sócios, decidiu abrir o seu próprio jornal, o Tribuna de Limeira. Conversamos com o jornalista em 17 de maio na sede da publicação na região central da cidade, onde Janine falou sobre a profissão, o cenário político, as novas mídias e sobre o diploma.

Danilo se formou na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) em 2002 e, mesmo diante das dificuldades do ofício, é um otimista. “Para quem gosta [de jornalismo], é fácil superar estas adversidades e a profissão é muito gratificante”, conta.

Durante a entrevista, Janine destacou o papel dos veículos de comunicação em meio à turbulência política. ”O trabalho do jornalista deve ser passar informação e cabe ao leitor ter suas opiniões”, explica. Danilo também falou sobre suas perspectivas para o jornalismo de papel. “Ninguém sabe o que acontecerá no futuro, mas na minha opinião, o jornal impresso não acabará, mas deverá se adaptar ao novo meio”.

Confira a entrevista na íntegra:

Como é sua trajetória no jornalismo?

Me formei na Unimep, cursando no ano de 1999 a 2002. Comecei atuando como estagiário no extinto Jornal de Limeira durante a faculdade, saí e após me formar voltei como freela por alguns meses até ser efetivado. Passei por várias editorias até chegar ao cargo de editor chefe em 2014. Trabalhei também na Rádio Fortaleza, TV Mix Regional e Jornal O Liberal em Americana. Em 2015, eu e mais cinco sócios fundamos o jornal semanal Tribuna de Limeira, onde trabalhamos atualmente.

Danilo Janine recebeu a equipe na sede do jornal Tribuna de Limeira / Foto: João Souza

Quais as dificuldades encontradas na carreira de jornalista? Há muitas diferenças da época em que se formou e atualmente?

As dificuldades são semelhantes às que vocês enfrentarão quando se formarem. Dificuldade de empregos e salários baixos no começo. Mas para quem gosta, é fácil superar estas adversidades e a profissão é muito gratificante. Você possui acesso a muitas informações e coisas que não são todos que tem.

Nas redes sociais, é inflamado um ódio entre pessoas com ideais diferentes, ainda mais se tratando da atual crise política do país. Como o jornalismo deve se comportar em meio a este cenário?  

O jornalismo não contribui nessa troca de ofensas e ódio que ocorre, seu papel é apenas informar e formar a opinião das pessoas. Essa discussão realmente ocorre e não envolve apenas a política nacional, mas também a política local, alguns jornalistas de Limeira chegaram a ser atacados em redes sociais. Com a chegada da Internet, tornou-se mais fácil emitir opiniões, o que é muito válido. Porém, opinar é diferente de apurar informações e produzir uma matéria. O trabalho do jornalista deve ser passar informação e cabe ao leitor ter suas opiniões, mas sempre as emitir com respeito, o que nem sempre ocorre.

Danilo falou sobre as perspectivas da profissão de jornalista / Foto: João Souza

Como o jornalismo se mantém isento a todo este contexto?

A isenção é um dos pilares da profissão. Muitas vezes um jornalista precisa dar uma informação que ele mesmo é contrário, mas precisa manter a postura e fazer o seu papel, que é informar. Ouvir os dois lados, escrever fatos reais e deixar ao máximo sua opinião de lado. Para opinar, é melhor utilizar espaços como colunas e artigos de opinião. A notícia precisa ser dada de maneira isenta e imparcial.

Com a evolução do jornalismo online e das mídias digitais, qual sua perspectiva para o futuro do jornal impresso?

A internet já está consolidada e o jornalismo está se adaptando a esta realidade. A Folha de São Paulo, por exemplo, conta com 70% dos assinantes na plataforma online. Não acredito que o jornal impresso acabará, isto é uma questão cultural. Existem ainda muitas pessoas que gostam de ler no papel. Ninguém sabe o que acontecerá no futuro, mas na minha opinião, o jornal impresso não acabará, mas deverá se adaptar ao novo meio.

Existe algum meio de revitalizar as mídias tradicionais?

As rádios, por exemplo, estão fazendo transmissões online através das redes sociais, antigamente você apenas escutava o rádio, hoje é possível ver o apresentador além de ouvir. Os canais de TV investem em portais online, então não produzem mais apenas matérias com som e imagem, mas também textos ou curtos vídeos que são publicados na internet, ficando disponível para o leitor no momento em que ele se interessar. Estas são algumas formas de revitalizar as mídias tradicionais.

As novas mídias nem sempre possuem boa credibilidade como grandes jornais impressos. Como o leitor distingue o que é confiável ou não na internet?

Cabe ao leitor avaliar a informação (fonte, forma de escrita) para saber se é confiável. Nem todos os jornais impressos possuem credibilidade, assim como nem todos os portais. Grandes jornais como Folha e Estadão possuem muita credibilidade, assim como grandes portais como G1 e UOL também possuem. Independente se for impresso ou online, cabe ao leitor ler a informação e avaliar sua confiabilidade.

Qual sua opinião sobre a revogação da obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão?

O jornalismo só perdeu com isso. Não conheço um veículo sério que contrate jornalistas que não tenham passado por uma faculdade. É importante fazer o curso, pois se aprende muito com a bagagem teórica. Mas no jornalismo esportivo, acontece muito de um ex jogador se tornar comentarista. Ele tem total direito de emitir opiniões, mas produzir matérias e realizar um trabalho que seja de fato jornalístico, não há condições, pois ele não possui formação para isso. Defendo muito a faculdade, pois ela é essencial para o desenvolvimento do profissional.

Se fosse fazer faculdade hoje, você escolheria novamente o curso de jornalismo?

Sim, pois gosto muito desta profissão. Decidi ser jornalista quando era muito jovem e sempre me identifiquei com a área. Gosto do que faço mesmo tendo passado por muitas dificuldades. O jornalismo abriu minha mente de uma forma muito positiva, vejo o mundo de outra maneira. Por isso, faria sim o curso se fosse prestar hoje. Acho muito bacana ver jovens como vocês se interessarem pela área, o jornalismo é muito importante para a democracia e vale muito a pena ingressar no curso.  

Assista:

Por: Gabriel Cupido, João Gabriel Souza, Lucas Almeida e Vinícius Chinellato.

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João Souza

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