Maritacas sofrem com o desmatamento e migram para as cidades

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Podem ser vistas muitas aves selvagens no céu das cidades, mas anos atrás isso não era tão comum. Os pássaros eram muito cobiçados para serem de estimação, porém, atualmente vivem soltos e livres.
O biólogo Guilherme Galassi, que trabalha no Parque Ecológico de Americana e atua com animais desde os 13 anos de idade, disse que “isso é muito legal, porque há uns 20 anos, você não via tucano, maritaca, maracanãzinho, coleirinha, golinha, canário, teiú (lagarto) e outras aves soltas no meio urbano”.

Casal de Maritacas numa antena de TV - Foto: Alexandre R. Fonseca

Para o veterinário João Marcelo da Costa, isso é muito bom em um ponto de vista e preocupante em outro. Ele explicou que “quando a cidade tem uma grande diversidade de aves, é sinal que o planejamento urbano em relação ao meio ambiente está muito bom”. Assim, da para calcular o índice da qualidade de vida dos habitantes, ao observar o número de aves que essa cidade tem e se é bem cuidada. Entretanto, o ponto negativo é que “há muitas aves indo para o meio urbano, pois o meio rural está sendo destruído, e o habitat delas não existe mais”.
Sobre a poluição presente em Americana, Galassi comentou que essas aves começam a se refugiar em ilhas da mata local. “Se você tiver uma visão aérea do mapa da cidade de Americana, o Complexo Ecológico (Parque Ecológico, Jardim Botânico e o Horto Florestal) forma uma ilha de mata, e o resto é plantação de cana-de-açucar. Então as aves começam a se concentrar mais perto da cidade”, explicou.
Costa também disse um pouco sobre a Aratinga de Bando, que vive nas redondesas das cidades, e popularmente são conhecidas por “maritacas”. Essa espécie é típica do cerrado brasileiro, que atualmente está sendo muito devastado, por isso, as maritacas estão migrando para as cidades, pois estão plantando muitas palmeiras e árvores exóticas, as quais produzem frutos que essas aves gostam.

Maritaca brincando em árvore no seu habitat natural - Foto: Alexandre R. Fonseca

As maritacas voam em distâncias muito longas para comer alguma coisa, e chegam até a ir para outras cidades e voltam para dormir em Americana, em algum ponto próximo ao Complexo. “Elas acabam indo para lugares que tenham um ar melhor, pois a poluição acaba espantando-as para outros lugares”, contou Galassi. Ao perceber que o local não está bom para se obter comida e água, elas voam para um lugar melhor. “Você consegue ter a presença das aves como um bioindicador do ambiente”, afirmou.
Os principais motivos, que levam as maritacas a migrarem para as cidades, são: comida, refúgio, lugar para se ninhar e água limpa. “Na natureza o bicho vive de comida e água fresca, e envolta só tem cana”, falou Galassi. Dentro das cidades há casas com pomares, chácaras com plantações e casas que têm forro ideal para ninhos. Em seu habitat natural não tem tanto recurso, já dentro da cidade ainda tem.

As maritacas famintas e barulhentas

Nas redondezas da Avenida de Cillo, já pôde ser visto um bando de 14 maritacas voando juntas, as quais, na tarde de uma quinta-feira, pousaram numa grande antena de celular que fica perto da avenida. Na ocasião, também estavam presentes alguns urubus, que diviram o espaço com elas, mas logo alçaram voo e deixaram os urubus para trás.
Numa das casas perto desta avenida , há dois pés de goiaba, e quando a fruta está pronta para ser comida, as maritacas pousam na goiabeira e se deliciam com esse banquete.
O morador de Americana, Ricardo Gonçalves, chegou a ver quatro maritacas voando juntas, mas não teve oportunidade de vê-las pousando em alguma árvore para se alimentar, somente quando foi viajar para Minas Gerais, “onde as vi se alimentando de frutas de uma goiabeira”.
Acrescentando, Gonçalves comentou que “o canto delas têm uma característica que é muito própria. O som é diferente do canto de um bem-te-vi, por exemplo”, e são facilmente reconhecidas, pois o ruído que emitem é de certa forma bem estridente, chegando a ser um barulho, pois não tem harmonia como os outros pássaros.
A residente Ana Luiza Gaspar, sem dizer muito, riu ao comentar que “elas não cantam, elas gritam!”. Apesar de não terem um canto agradável, são belas de se olhar, com cores vibrantes, como o verde e o vermelho.

O desafio de viver nas cidades

Com essa migração para as cidades, algumas aves se adaptaram para esse novo meio, mudando o modo de cantar, o tipo de material para construir o ninho e aprendendo a comer outras coisas que não estavam acostumadas.
Outra questão muito comum ressaltada por Costa, é que no período Primavera-Verão, os filhotes estão aprendendo a voar, e ficam

Pardal lutando por sua sobrevivência - Foto: Alexandre R. Fonseca

soltos, dando aparência de abandono pela mãe; com isso, as pessoas acham que estão perdidos, e na ansiedade de querer ajudar, levam-os para casa, sem saber portanto, que estão roubando as crias da mãe.
Costa contou que atende muitos animais selvagens em seu espaço veterinário, e alguns dias antes de ser entrevistado, ele atendeu um gavião carijó, o qual deu de cabeça num vidro, tendo um problema cerebral grave, e apesar de ter sobrevivido à cirurgia, acabou morrendo alguns dias depois.

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Alexandre R. Fonseca

2 COMENTÁRIO

  1. Há uns 6 anos venho alimentando maritacas, cambacicas, bem-te-vi, sanhaços… Todos que vêm, são muito bem-vindos. São quilos de sementes de girassol, amendoins, frutas de todos os tipos. Meu terraço, no nono andar, está totalmente adaptado para receber essas visitas e os danadinhos têm até horário para aparecer por aqui. Neste momento, a “Mari” e o “Teko” estão lá desfrutando das mordomias, rs… Sempre o mesmo casalzinho e às vezes mais um casal de amigos. Uma gritaria. Uma delícia. O mais legal é que quando tem tempestade ou ventania muito fortes, eles vêm se proteger aqui, na casinha de cerâmica que instalei para eles. Tenho centenas de fotos e vídeos. Amo a natureza e esta é a forma que encontrei de fazer a minha parte. S2

  2. Achei um filhote de maritaca todo enrolado em linhas e barbantes, estava sem uma pata e a outra perna estava quase sendo decepada pelas linhas. Cuido dela até hoje, será que consigo colocar uma prótese na perna que não tem pata? Muito obrigado pela atenção!

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