Máscara e suor: relato de treinos ao ar livre durante a pandemia do novo Coronavírus

Wesley Santana e alunas durante treino (Crédito: Júlia Heloisa Silva)

São 5h30 e o despertador toca. Meus dias começam mais cedo nas segundas, quartas e sextas-feiras. Às 6h em ponto, tenho que estar na pracinha no bairro vizinho ao da minha casa para começar o treino.

Sempre antes de sair, levo minha garrafa d’água, uma toalha para secar o suor e claro, a máscara, minha atual parceira inseparável.

Alunas durante o treino (crédito: Júlia Heloisa Silva)

Por conta da pandemia do novo Coronavírus, comecei a treinar ao ar livre com o auxilio do personal trainer Wesley Santana. Antes, ele ministrava aulas em uma academia que fechou, por conta das medidas de restrição para prevenir a doença, então Santana teve que se reinventar.

Logo que chego, já me deparo com o personal arrumando os equipamentos, já higienizados com álcool, pelo local.

 “Bom diaaaaa!”, diz ele todo animado conforme vamos chegando com os rostos todos amassados de sono.

Ao todo, no primeiro horário das segundas, quartas e sextas-feiras, somos quatro, mas o total de alunos que passam pela pracinha durante a semana, chega a 57 pessoas.

Começamos com o alongamento que é rápido, mas indispensável e, para facilitar o treino, Santana permite que nós, alunos, fiquemos sem as máscaras, mas ele continua usando.

 “Vamos meninas, está acabando!”, diz o personal olhando em seu relógio, enquanto cronometra o tempo de cada exercício.

Personal Wesley Santana cronometrando o tempo dos exercícios (Crédito: Júlia Heloisa Silva)

Mesmo sem a máscara, por ainda não estar acostumada, tenho dificuldades em respirar depois de cada exercício. Já minhas companheiras de treino que têm entre 30 e 50 anos, conseguem fazer os exercícios com mais tranquilidade do que eu.

 “Jú, pode fazer só 20”, me orienta Santana percebendo o quanto fico cansada.

Conforme o tempo vai passando, o sol vai ficando mais forte e começa a nos incomodar. Também, por ser em praça aberta, sempre ficamos atormentadas com os olhares de homens que passam pelo local e ficam nos observando.

Aluna Juliana na corda (Crédito: Júlia Heloisa Silva)

“O cara quase quebrou o pescoço olhando para a gente, parece que nunca viu uma mulher”, diz uma das minhas companheiras, irritada, enquanto senta para descansar após nossa corrida pela praça.

Exercício vai exercício vem e já chega às 7h com o fim do treino. Sentamos para descansar e beber água, enquanto conversamos um pouco.

“Já está tarde! Preciso ir me arrumar para o trabalho, até quarta-feira!”, uma das minhas colegas se despede.

Cada menina entra em seu carro e vai para sua casa, tomar seu banho e se arrumar para o trabalho. Eu, como moro perto, coloco minha máscara e vou a pé, também, para tomar um banho e me preparar para o estágio.

“Tchau, Wesley! Até quarta-feira e bom trabalho!”, me despeço.

“Tchau, Jú! Parabéns por hoje, você melhorou bastante. Até!”, diz Santana enquanto higieniza os equipamentos para a próxima turma que chega.

Cansada, mas já em casa, tiro minha roupa sem antes encostar em nada em casa, para evitar qualquer risco de contaminação.

Da esquerda para a direita: Sthefany, Andrea, Wesley, Júlia (eu) e Juliana (Crédito: arquivo pessoal)

A semana passa rápida e todas as manhãs de treino a preguiça bate, mas ao lembrar que vou sair um pouco da rotina do isolamento social, me troco em poucos minutos, pois enquanto a vacina não vem e com a segunda onda do vírus se aproximando, não é possível sabem por quanto tempo mais conseguiremos manter as aulas.

Com isso, noto o quanto o contato com as pessoas nos é importante e passo a valorizar os minutos que ficamos juntos em cada aula.

Share

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*