Matriz de Santo Antônio é patrimônio da fé católica em Americana

Declarada patrimônio cultural em agosto do ano passado, a Igreja Matriz de Santo Antônio é o mais recente bem tombado em Americana.

A cidade possui outros três bens tombados ou protegidos, a Estação Ferroviária (atual Estação Cultura), a Capela Nossa Senhora Aparecida e a Sede da Fazenda Salto Grande (atual Museu Histórico e Padagógico). Além disso, sedia outros 18 bens de interesse turístico-cultural que, mesmo não sendo tombados, são reconhecidos como marcos.

Vista frontal da nova Igreja Matriz de Santo Antônio. Foto feita em 21.03.2018 – autor: Lauren Milaré.

A declaração como patrimônio histórico do município veio seis anos após o início do processo de tombamento pelo Condepham (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Americana). Com a medida, a Matriz de Santo Antônio entrou recentemente para lista de bens turísticos e culturais, principalmente por ser considerada o Marco Zero da fé dos católicos da cidade.

Por “Matriz de Santo Antônio”, compreendem-se duas construções, a Velha Matriz de Santo Antônio, que foi a primeira delas a ser construída e fica na Praça da Matriz, no centro de Americana, e a Nova Matriz de Santo Antônio, construída posteriormente, principalmente por necessidade de mais espaço para os fiéis. Essa nova Matriz, por sua vez, localiza-se na Praça Pio XII, também no centro.

Fachada da antiga Igreja Matriz de Santo Antônio. Foto feita em 27.03.2018 – autor: Lauren Milaré.

A mais antiga, mais querida afetivamente por ser a primeira igreja de Americana (e pelo fato de Santo Antônio ser o padroeiro da cidade), foi construída em 1897 pelos imigrantes italianos, que trouxeram para a cidade a imagem e a devoção ao santo, está com as portas fechadas desde 2016 devido problemas estruturais. Nesse caso, o processo de tombamento foi aberto na tentativa de se conseguir, através da Lei Rouanet, realizar as obras de restauração necessárias, além das partes estruturais, nas paredes e no telhado. A etapa inicial da obra está orçada em R$ 2,2 milhões.

A construção da Nova Igreja Matriz de Santo Antônio começou a ser planejada na década de 1940 pelo Monsenhor Nazareno Maggi. Sua execução, no entanto, foi iniciada na década de 1950, indo até 1977. Por ser uma obra muito grande para a época, acabou mobilizando vários moradores para ajudar.

 

 

Para o padre Leandro Ricardo, reitor da Matriz, o fato dela ser considerada um patrimônio cultural é muito importante principalmente porque a história da cidade começou ali, o legado da comunidade católica americanense começou com ela e com a chegada dos imigrantes. E também, foi a partir dela que outras igrejas se desmembraram, por isso é considerada o marco zero da fé.

Devoção

Interior da nova Igreja Matriz de Santo Antônio. Foto feita em 21.03.2018 – autor: Lauren Milaré. 

 

Marilene Maria de Dental, ministra da Matriz há seis anos e frequentadora assídua da igreja há 15, nutre sua devoção ao santo devido a várias graças recebidas por ela e membros da família. Sobre a igreja ser um patrimônio, na opinião dela, isso traz mais importância para o local e a comunidade que ali deposita sua fé.

Outra fiel, Maria Aparecida Gonçalves, conta que frequenta a igreja há mais ou menos dez anos por devoção, mas também por gostar, se sentir bem e “encontrar sua fé” ali. “Quando saio do trabalho, pelo menos umas três vezes por semana, venho aqui para agradecer”, conta. Elogia o fato da matriz realizar missas em vários horários alternativos durante a semana o que facilita a vida de quem é devoto ao santo.

 

Professora da Unimep desenvolve
projeto sobre patrimônios da cidade

 

Em desenvolvimento desde agosto de 2017, o projeto “Patrimônio Cultural em Americana: Origens, Usos e Problemas” realizado pela professora Mirandulina Maria Moreira Azevedo, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), tem por objetivo mapear, discutir, documentar e solucionar as questões referentes a este conjunto de bens que compõem o legado histórico do município de Americana.

O tema é fruto de um projeto anterior desenvolvido em Santa Bárbara D’Oeste, cidade adjacente, que tem processos de ocupação do território e um contexto histórico em comum.

A pesquisa, que tem como bolsista o estudante Matheus Alves Carriel de Lara, do curso de Arquitetura e Urbanismo, se divide em três partes. Na primeira se buscou, através de livros, jornais, dados geográficos e históricos, documentos e fotografias, entender como se deu o processo de formação urbana do município e a implantação das arquiteturas mais antigas.

Na segunda, o objetivo é a seleção de obras mais significativas para o contexto local, através da análise da documentação selecionada anteriormente. E, por fim, na terceira etapa, a proposta é a leitura da bibliografia sobre a preservação, atividade que se estenderá pela próxima fase da pesquisa.

Mirandulina, que é professora de “Teoria da Arquitetura”, diz que nessa disciplina trabalha-se muito com fontes escritas, e na formação de arquitetura, estuda-se arquiteturas canônicas do mundo todo, do gótico, do românico, da renascença, que não há nenhum exemplar aqui no brasil. “O nosso patrimônio é nosso patrimônio. É arquitetura feita aqui, por nossa gente. Em partes, essa arquitetura é feita a partir de um pensamento europeu e em parte, ela é daqui.”

A pesquisadora registra que um dos resultados do projeto é apresentar elementos que auxiliam a estudar a fundo os patrimônios do país, o que é uma maneira de trazer dinâmica para a disciplina de História da Arquitetura, fazendo os alunos perceberem que o pensamento arquitetônico está também nas obras.  “Se não, a gente fica com duas realidades: fala-se de obras primas em outros países e se desconhecesse as nossas obras primas, as nossas realidades e nossa cultura”, explica.

 

Patrimônios históricos em Americana

As igrejas Matriz de Santo Antônio, tanto a antiga quanto a nova, por mais que sejam consideravelmente os mais recentes, não são os únicos patrimônios que a cidade de Americana possui. Dentre os mais antigos do município estão: a Fazenda Salto Grande (atual Museu Histórico e Pedagógico), a Fábrica de Tecidos Carioba e a Usina Hidrelétrica de Cariobinha.

Vista frontal do Casarão da Fazenda Salto Grande. 20 de outubro de 2017. Fonte: Acervo pessoal do autor. (FOTO RETIRADA DO RELATÓRIO DA INICIAÇÃO CIENTÍFICA FORNECIDO PELO BOLSISTA MATHEUS ALVES CARRIEL DE LARA)

 A Fazenda Salto Grande: também conhecida como “Casarão”, foi construída no início do século XIX (1799 a 1810), em terras que pertenceram a Domingos da Costa Machado. Depois de passar por diversos proprietários, foi comprada, em 1902, pela Família Muller, também donos da Fábrica de Tecidos Carioba e, posteriormente, transferida a J. J. Abdalla. A Prefeitura Municipal de Americana, por volta de 1975, pretendendo transformar o local em museu, desapropriou-o. Em 1980, o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) restaurou a fazenda, adaptando-a ao novo uso. Tornou-se bem tombado pelo Condephaat em 1982.

Vista panorâmica do edifício principal do Casarão, com as antigas senzalas em sua proximidade. 20 de outubro de 2017. Fonte: Acervo pessoal dos autores.

A Fábrica de Tecidos Carioba: surgiu em 1875 e foi instalada próxima ao Ribeirão Quilombo, na região onde atualmente se localiza a cidade de Americana, é considerada berço da industrialização do município.

Usina Hidrelétrica de Cariobinha: Construída entre os anos de 1933 e 1935, com o intuito de geração de maior energia para o maquinário da fábrica de tecidos, pela família Müller no Ribeirão Quilombo, a Usina Hidrelétrica de Cariobinha foi desativada na década de 1990 e é atualmente pertence à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) da cidade.

 

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Lauren Milaré

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