Michael Jackson de Piracicaba anima os moradores da cidade

Michael Jackson é um andarilho que se diz cigano e anda todos os dias pelas ruas de Piracicaba recolhendo papelão, cantando, dançando e pedindo alimento, produtos de higiene, roupas ou alguns trocados para ajudá-lo a sobreviver. Está sempre alegre e com o objetivo de colocar um sorriso no rosto de quem passa ao seu lado.

Ainda que demonstre tanto carisma, Michael teve uma vida muito complicada. Seus pais, Antenor e Sônia, que também seriam ciganos, morreram de câncer há muito tempo, e, desde então, ele ficou sozinho. Desse modo, sem saber ler e nem escrever, não teve como fugir da mendicância.

Michael Jackson recebe uma televisão de João Roberto Leite Ribeiro, morador do Jardim Elite - Foto: Rodrigo Alonso

Com problemas mentais e grande ingenuidade, esse simpático catador de papelão, de vez em quando, é vítima de violência nas ruas da cidade. “Um homem batia muito em mim, e eu fugia dele. Ele já foi preso, mas ficou só um dia na cadeia. É um assassino, já matou um pai de família”, desabafou. Mas, mesmo assim, Michael disse que a maioria das pessoas o trata bem. “Eu fico feliz me divertindo com as pessoas na rua”.

O policial Luis Carlos da Silva Gimenez, morador do Higienópolis, chamou a atenção para a bondade de Michael. “Ele é o Michael Jackson folclórico de Piracicaba. Quando ele passa, você vê que não tem um porquê de não dar um prato de comida, uma roupa, um dinheirinho pra ele, uma coberta. Então nós o acolhemos, não só eu, como todo o Jardim Elite”, declarou. Além disso, citou o apego do cigano pela liberdade que ele possui. “Ele não quis ir a uma instituição de caridade”.

No último sábado (1), Michael ganhou uma televisão do corretor de seguros João Roberto Leite Ribeiro e não se conteve de tanta felicidade. O morador do Jardim Elite destacou a maneira que o andarilho conduz a sua existência, mantendo sempre o bom humor independentemente da rotina triste dele. O corretor também ressaltou a dificuldade de Michael em conseguir benefícios legalmente. “Eu lembro uma vez que ele tentou se aposentar e foi à clínica que a minha filha trabalha e a irmã dele o acompanhou. Só que é muito burocrático para ele conseguir se aposentar, ele não tem exame de nada, ele não tem um passado apresentável como justificativa para aposentadoria. Então, em resumo, não ‘virou’ nada”.

Apesar de acudi-lo quase todas as vezes que o catador de papelão passa pela Rua Maria Tarsia, João Roberto, constantemente, procura conhecê-lo melhor. “Eu já fui uma vez até a casa dele levar uma sucata, mas não deu para perceber a família que ele tem ou com quem ele vive”, contou. Segundo ele, Michael Jackson morava por perto do bairro Pauliceia, mas se mudou.

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